quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
ValidadeQuem disse que todo amor é feito pra durar?
Quem foi que disse que só porque é amor os dois teem que ficar juntos.
Isso a gente deixa para os filmes e o público torcer para o The end feliz.
Existem histórias que tem tudo pra dar certo. Os dois se gostam, a química é boa, poderiam ter sucesso profissional juntos, ou em setores diferentes. A turma de um bate com a turma do outro. Os dois tem grana pra sair por ai, viajarem, divertirem-se. Mais um casal que se deu bem e está junto até hoje.
Acontece que algumas pessoas aparecem na vida uma das outras, justamente porque apareceram e um dia desaparecerão. É como se uma das partes estivesse incubida a causar a sensação que você não sentiria por quem você normalmente ficaria bem e junto até hoje. Então ela vem, a pessoa, dá uma alterada "básica" na química do seu cérebro , te deixa um pouco viciada nela, um pouco não...por algum tempo e depois você já pode se recompor, ganhar de volta o controle de tudo e ser como antes. Aquele ser, de antes, tá lembrado? Não. Você não quer voltar a ser aquele ser de antes.
Você quer aquele " Oiii tudo bom??? você aqui??" ajeitando o cabelo. E não "oi tudo bom como é que você tá. Deixa eu ir que eu tô com pressa" e cabelos do jeito que estão.
Foi falta de terem feito e desejado coisas para os dois. Mas ao invés disso, ficaram presos com seus temores, dúvidas, suposições, falta de tempo e de vontade mesmo. A merda da dúvida, dos temores, das suposições e do tempo e da vontade que formam nuvens em cima da cabeça lamentando por antecipação que o futuro não será aliado a esta conquista.
É como se você quisesse que fosse o que você sempre quis, mas não quisesse tanto e já soubesse que não será.
Então você se envolve do mesmo jeito, esmurra a dúvida, dá um chute no traseiro do medo e rasteira as suposições e pede que o tempo se dane e encara a vontade mesmo não sendo muita.
E faz uma porção de coisas ridículas. Entrega sem terem pedido encomenda. Cruza a perna na hora de abrir. Devolve o sermão. Encara com o olhar torto. Não liga, não atende. Fala o que vem a cabeça. Bate a porta do carro com força, esquece de passear com o cachorro, desmarca a viagem...
Mesmo sabendo que podia não fazer nada disso e mesmo assim não dar em nada.
Mas deu. É o tempo x que dá pra você viver isso com o ser y.
Bate a intuição de fazer a coisa errada mesmo sabendo que podia fazer a coisa certa.
Pra não nos decepcionarmos 100%, caímos nas armadilhas dos 50, dos 70 e deixamos assim.
O boicote é rápido e fácil. Não sabendo para onde estamos indo permanecemos lúcidos no mesmo lugar. Recusando a ser vítima de um suposto " pode não dar certo", e se " parar de funcionar", ou "será que quero tanto?"
E ai ficamos com o que não temos pra termos o que ter.
Disperdiçando sentimentos de agora, dispersando vontades recentes, subjulgando que essas vontades renasçam no amanhã. Porque? Por um acaso não vamos deixar de tê-las?
Imprimimos garantias do querer apenas com algumas pessoas. Como?
Podemos com elas, nada construir, em termos de solidez, de união estável. Mas o que sabemos é que a cada vez em que elas atravessam o nosso caminho, o querer ressurge de onde nasceu. Vivemos com essas pessoas, dias contatos. Talvez por que não suportaríamos tamanha magia, tanto encantamento. A realidade nua e crua do dia a dia os achataria. Os dias contatos são as tentativas de equilibrar o que pode ser, com o que seria. Normalidade com supremacia. Realidade com suposição. Prevendo incompatibilidades, distraindo vontades, priorizando outros focos.
E por enquanto, quando é bom, tem que ser bom sempre. E nem tudo pode ser bom sempre. Só de vez em quando. Porque só de vez em quando que vai ser bom sempre.
É por isso que de vez em quando é o tempo certo de acontecer.
E ai você quer mais e esse mais não chega. E ai você para de querer. Depois de um tempo você volta a querer de novo porque de novo acaba acontecendo. São adiações do prazer. Pra fazê-lo aumentar e não ser saciado completamente. Essa é a graça que encontram aqueles que nada podem determinar. Se é amor? Não. É uma sensação causada no instante presente que vem da presença de um que passa pra presença do outro, e sim é bom o que sentem, e sim é muito válido sempre, e sim desaparece na manhã seguinte pois os corpos desocupam o espaço e levaram consigo só a troca eminente. Quem torce por eles? Algo bem menos elevado que o amor. Mas algo bem mais cliché que fim de filme romântico.
Pode ser um querer perto e conseguir viver longe. E em nada rotular por não ter status.
Pode ser só mesmo um "acontecer eventual" que te tira da rotina.
Afinidade, tesão, amizade colorida.
Sem tempo pra durar, sem prazo de validade.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Completa aí Disse Ezra Pound "artistas são antenas da raça humana. São percebedores profissionais, gente que capta: as máscaras e o cerne das coisas da vida".
Artistas são pessoas que enxergam o comum com outros olhos. Veem no cotidiano a oportunidade de transformar tolices, banalidades, manias, tragédias, antecipações, discursos, diálogos repetitivos ou instigantes, fatos em obra. Cada qual ao seu mundo, com a obra que lhe cabe.
Escritores precisam entender de gente. De sentimentos, de emoções, de libido, precisa entender como o ser humano se expressa, se divide, se mata, renasce, descobre, ignora, desconfia, sobrevive, interage, comunica, trai, mente, entrega, desconstrói, ama, desama, necessita, amargura, inutiliza... Precisa entender de cenários constantes, pano de fundo de todo dia-dia, precisam se locomover, se movimentar, deitar sob suas incertezas, levantar-se pelas verdades que acreditam, pela fé, pelo amor que ainda desconhece dentro de si mesmo e por todas as buscas que ainda irá encontrar. E o quanto doa seus sentimentos a vários ao mesmo tempo. Ele precisa ter ouvido para a música que ajudará a vibrar sua estória.
Precisa tomar um gole de cada personagem que está construindo, se passar por louco, ser o último dos nerds, um serial killer ou um amante à moda antiga. Sem identidade, com personalidade forte. Hã????
Tem que ser capaz de mergulhar em mundos diversos, diferentes do dele. E entender de gosto, de cores, vestimentas colocadas e retiradas para a nudez da beleza natural e despida de si.
Precisa ver nuances e enxergar além do que é visto pela maioria ou mesmo a pequena minoria. Precisa ser capaz de entrar na pele do outro e conduzir-se a outra mente, procurando desvendá-la ainda que a medida de sua própria visão, os temores semelhantes e encorajá-los a fala e à releitura da linguagem que enfim possa fazer melhor como tomaria coragem consigo mesmo a encarar também suas tantas dores, delícias e alegrias que ora compartilhamos outrora desconstituímos.
Um escritor precisa saber olhar. Como se seus olhos, fosse a câmera a captar ângulos imprescindíveis, gestos que revelam silenciosamente uma intenção. Que saiba identificar o poder da fala no instante em que ela se ausenta ou cresce e como quem não quer nada, mostra suas garras. É também aquele que enquanto pensa, capta, entende, imagina, digita, sente, encontra soluções, ri de si mesmo, dramatiza com o outro, ou simplesmente dramatiza, lhe ataca, se defende, fere e encanta. E tenta aproximar-se ao máximo da verdade, da pureza, do tom, do que não está evidente e de esconderijos e armadilhas colocadas pelo trabalhar natural da mente e da indução e redescobrimento dos acontecimentos. Precisa ter certo contato com a psicologia. Precisa entender da história de sua própria vida para que intensamente possa mergulhar na profundidade das histórias que lê, que escuta, que vê.
Precisa sentir e se emocionar muito mais do que as outras pessoas normalmente sentiriam.
Precisa sair do supérfluo, se esquivar de mediocridades, aniquilar futilidades. Para que não seja consumido demais por coisas.
Entender que ter é só o que se adquire e ser é jogar-se no abismo. Arriscar-se às escuras, ao desconhecido, ao que ainda não foi estipulado nem totalmente consumado anteriormente.
E precisa entender da força dos acontecimentos para que saiba o ápice do que ocorreu. E então saiba escolher. Por onde começar, como prosseguir e quando terminar.
Que saiba a importância das relevantes perguntas e questione sempre e quantas vezes puder. E não se contente com respostas mal dadas. Nem com a contenção do próprio contentamento.
Que saiba identificar forças, inteligências, potenciais. E acredite nas suas.
E que enfim forme parcerias adequadas, pois não poderá expressar sozinho todas as artes tão próximas e interligadas a sua obra. E conheça o seu lugar, tão vasto mundo mas seja flexível a tantos outros possíveis.
E enquanto não puder colocar sua obra original, sem interferência democrática ou hipócrita em jogo, em vida, que ainda assim, a faça com alma e amor. Pois em suas entranhas reside a satisfação em contribuir com o todo, a parte que lhe cabe neste latifúndio.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
“ é preciso que você venha nesse exato momento. abandone os antes. chame do que quiser. mas venha. quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates… apague minhas interrogações. por que estamos tão perto e tão longe? quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar. não nego. tenho um grande medo de ser sozinha. não sou pedaço. mas não me basto."
Caio fernando abreu
Caio fernando abreu
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
GidoCancela o beijo. Tira o cotovelo de cima da mesa que eu pago a conta.
Mal termina a pastinha de ervas com torradas secas e acende o cigarro.
Garçon chato esse, veio dizer pra apagar. As janelas fazem frente e vejo o vidro. Olha a imagem e semelhança. Até que se parece comigo. Sorriso torto. Faz jeito de charme enquanto se pilha.
Olha nas unhas, sem jeito gay. Voz firme. Falava-se da lentidão do serviço. Isso que Gido tinha sempre o que dizer. Vazias birras em detrimento de seus mesmos desgostos. Coisa pouca.
Caneta emprestada sempre. Não podia ver um guardanapo em branco. A necessidade para com as palavras lhe remetem articularidades que não calam nunca. Deve ser Everesto que está sempre com ele. Dimensão maior que si mesmo. Quando não está ensimesmado. Debruça a face nas mãos enquanto melindra as palavras que lhe caem bem hoje, bem mais que nos anos de primavera-verão-sol-quente-com-chuva, em tardes no leblon, que eu me recorde. Um chop por favor, que é pra não fechar o cliclo dessa conversa fiada que a gente bate e espeta com o garfo a picanha. Cebola demais. Cancelo o beijo. Nos dentes dele a ervinha que restou da torrada seca.
Tira a cestinha de pães da mesa, solicito. Ele fuma por debaixo da mesa. Seria bom a fumaça esconder-se no momento tão ímpio. Entre um e outro cintilar das pálpebras e a cada vez que nada me deixa falar e pronunciar, em vão, faço uma automática percepção da mistura de seus palavriados com a extensão do que por detrás diz e se revela e concentro, tentando abominar o que não acredito e começo a concluir o que não gostaria e mais uma vez, cancelo o beijo. Lembro então das fitas de Lauro Trevisan: pense positivo. E troco positivo por diferente na minha cabeça e vem o filme da apple transcrito.
Não seguro o pensamento e não digiro o que ouço.
E ele volta a lembrar das torradas procurando-as sob a mesa. Pedi que tirassem, repiquo. A picanha gelou, as cebolas não estavam no ponto. O beijo agora, está mais que cancelado.
Passa-me então, o guardanapo escrito. Entre aspas leio: o presunto que pende dos pães lhe parece obsceno.
Nada mais excitante, penso. O que tem a ver o presunto com as torradas de ervas, com a picanha e com esse piquenique filosófico todo, que estou sendo egoísticamente obrigada a ouvir e que de obsceno não tem nada. Logo em seguida verbalizo: O que pode ser mais excitante?
E lá vem ele com as vírgulas. Se não entendeu, posso explicar.
Imediatamente, pouso a cabeça nas mãos. E penso: é você o presunto, pode ter certeza disso...
Cavou a própria sepultura e ainda não se deu conta.
Faço sinal pedindo a conta enquanto ouço a sinfonia dos pães em clássica oratória extendendo-se a salames, peito de perus e parma. Vou engolindo todos eles, sem sentir o gosto. Muda e ocultamente. E ouço: mais um chop, por favor - vindo de sua boca.
Cancelo o assunto, limpo a boca no guardanapo do presunto, acendo o cigarro e já saí.
terça-feira, 27 de outubro de 2009

Beijo, me liga.
Depois de cinco horas no telefone e o frio na barriga insuportável, decidiu. Tem que ser amanhã.
Daniel mal podia esperar pra ver de perto o que sentiu na linha. Quando duas pessoas conversam por telefone como se estivessem a um passo de si mesmas, aí vem. Tudo o que tinha de curiosidade a saber de Lohane, Daniel perguntou. Haviam se encontrado uma só vez. Um encontro bobo, desses que finaliza em beijo pela não contenção do momento. Química boa, funcionando. Lohane sentiu ali, no momento do encontro bobo, vontade de tudo com ele. Se tivesse um lugar onde o dia de amanhã não separasse, ela iria. Sem o por vir pra estragar. Ficariam horas e dias inteiros com tempo de sobra a investigar cada parte do corpo de cada um. Cada raciocínio. A batida do coração. Arrepios. Cheios de vontade, não sobraria tempo pra não tê-la.
Mas a noite acabou. Cada um pro seu quadrado e foi ela, Lohane quem pegou o número dele. Tempinhos depois, foi então que esse telefonema de cinco horas, ocorreu. Tem que ser amanhã. Mal podia esperar pra ver de perto o que sentiu na linha.
O que você faria, se sentisse frio na barriga, só de falar ao telefone com uma pessoa que você mal conhece e que só provou do beijo. E pior, se na mesma hora que você sentisse, ele também dissesse que sentiu. Só que ele verbaliza isso primeiro e você só verbaliza depois dele ter verbalizado. O que eu faria, foi o que ela fez. Se encontrar com ele. Mas ao invés de propor um encontro seguro, onde pudessem mais se conhecerem que se tocarem. Lohane rendeu-se. O perigo das quatro paredes. E lá estava ele tocando a campainha de sua casa. Daniel suava e Lohane sentia o calor passar pra ela. Colocou-o pra dentro. Respiraram um pouco, tentaram se comportar. A má notícia é que ela estava sozinha em casa. Sentia seu toque de longe. No vão entre o toque tocado e os próximos que viriam. Quando nela pegava, as mãos conversavam com o corpo. Era a conversa do telefone que ali estava viva. A prática da teoria. E no instante o motivo pra se encostarem. Os olhos de desejo. O bambear das pernas. De novo, o frio insuportável na barriga. Disparate. Lábios úmidos. Sede.
O que você faria se sentisse vontade de entrar dentro de uma pessoa. E quando todo o seu corpo colado com o dela, não é ainda o suficiente. O que você faz, quando vê na sua frente a boca que quer beijar. Quando abre os olhos e são os olhos que você quer que te vejam. Sedento. Cedendo da mesma vontade que a sua. Lohane baixou a guarda. Retirando do pensamento qualquer coisa que a impedisse de estar ali. Não pensou no depois. Não pensou em nada. Deixando o calor do corpo ir para onde quisesse. O que fez com que fizessem o que queriam fazer.
Naquele dia, queria se entregar para ele e ele estava ali para abrí-la. Soube chegar, soube fazer. A última coisa que ela queria é que ele fosse embora. O que você faria, se estivesse com o Daniel em 4 paredes e fosse esse o momento mais momento de todos os outros momentos e não quisesse que acabasse. Contaria pra ele que ele era exatamente o que ela queria pra ela? Todos esses anos. Ele aconteceu. O Daniel aconteceu na vida de Lohane. As pessoas são assim. Acontecem umas na vida das outras. Foi acontecendo até que um dia, parou de acontecer.
Ele acontecia muito na casa dela. Acontecia em festas. Acontecia eventual, casual e esporadicamente. Acontecia do jeito que tinha que acontecer porque Lohane não fazia a frente das coisas. Dos acontecimentos. E pra falar verdade, precisa de um pito. Deixava pra ele. Por ele. Com ele. Não dizia o que queria. O que gostava. Se gostava e se queria. Não pensou no depois. Não pensou em nada. O que fez com que fizessem o que queriam fazer. Davam tempo demais um pro outro. Daniel solto de um lado. Lohane livre de outro. E toda vez que queriam, acontecia o que queriam que acontecesse como sempre fizeram o que queriam, acontecer.
Ela sempre soube o que Daniel queria. Só não deixava que soubesse o quanto queria. Como queria. Já Daniel imaginava o que Lohane queria. E deixava que soubesse o quanto queria. Mas como queria, ela nunca quis saber. Talvez por imaginar que ele quisesse o que ela não queria. Talvez porque soubesse que o que ele queria não era a mesma coisa que ela queria.
Então um contou pro outro. Toda vez que ela despedia-se dele pensava consigo mesma: como o quero por perto. Como quero que ele não parta. Mas fique. Que possa ficar e não partir. Que eu possa querer e saber o quanto ele quer. Que saiba o quanto quero.
Até que um dia ele disse: te quero por perto. Presumindo que enfim queriam a mesma coisa.
Por nada hesitou em dizer o mesmo. Mas continuou sem saber o quanto ele queria. O quanto desse perto é perto mesmo. E o quanto desse querer, é querer muito.
E aconteceu de acontecerem desvios circunstanciais. Que esbarram na força do querer a cada próxima circunstância e ficam entre o que aconteceu e o que pode acontecer. No querer que queria e no querer que quererás. Entre um silêncio e outro. Em uma porta que se fecha e outra que se abre. Em meio a tempestades e dias claros de sol. Entre uma coisa pela metade e outra que se encerra. Entre o motivo do passado e a insegurança do futuro. No querer estático e na vontade móvel. Na teoria das palavras e na prática dos corpos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Garoto de Ipanema
Aplausos. Ao moreno, alto e bonito que desvia a atenção do pôr-do-sol de ipanema.
Suspiros à sunga branca. Fazendo babar homens e mulheres. Homens e mulheres.
A medida certa. Bíceps, tríceps, abdômen. De costas a pernas e glúteos e pele e rosto e cabelo. Em perfeita harmonia. Deus do céu, desça pra ver esse moço passar.
Pescoços virados acompanham os movimentos da criatura que deixa suas pegadas na areia. Fizeram a fôrma e jogaram fora. Estão todos com torcicolo.
Tem nome? Gritou um amigo.
Escutou. Olhou pra trás. Veio vindo em nossa direção. Congelei. Afundar na cadeira, era pouco. Enrolar-se na canga? Não. Levantar, sair pra dar uma voltinha até o sorveteiro... e perder o espetáculo?
Sorridente ele foi simpático. Corajoso. Pagou pra ver, o que queriam as cinco pessoas enfileiradas fazendo banca pra ele. O júri foi ao delírio. Fico Calada.
O som vinha crescendo do outro lado da praia. Ele, descontraído convida pra ver o que é. Levantando todos ao mesmo tempo. Abandonando cadeiras e resguardo. Foi tempo de pegar havaianas e bolsas.
Showzinho à parte. Nas areias da praia fazíamos volta ao deus de ébano em meio ao fundo musical da roda de samba. Estonteante. Bola batendo na coxa e ual, músculos saltitantes. Palmas ao abdômem que trinca ao levantar dos calcanhares. Vai lá, menino do Rio, joga uma altinha pra gente segurar o queixo. Mergulha no mar pra levar embora o suor escorrido. Em caso de afogamento, viro salva-vidas. E jogo todo o ar dos meus pulmões pra você. Te empresto canga à fazê-lo secar. Subo no coqueiro se quiser água de côco. Páro o trânsito pra você passar. Grito o moço do Mate. Da skol. Mando o cara do "abacaxi" calar a boca bem alto. Subo no palco e pego no microfone. Mando São Pedro parar a chuva. Fico aqui até o dia clarear. Solto fogos de artifício. Não deixo o samba parar.
O garoto deixou a altinha, entrou no mar, saiu molhado sem pedir canga. Sambou pouquinho. Não quis mate, nem skol, nem água de côco. Não se afogou, não choveu. Não precisei subir no palco. Nem mandar o cara do "abacaxi" calar a boca. O samba não parou. Parou foi o trânsito pra chamar um taxi. Quanto aos fogos de artíficio... perguntem ao porteiro do prédio e até quem sabe ao entregador de pizza.
Festival de beleza na praia. No posto 9, o número 1.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Festa de casamento
Casamento é bom quando não se espera quase nada da vida. Quando todas as possibilidades já se esgotaram ou quando você não pode perder de jeito nenhum a oportunidade!
O casamento é muito mais do que noivos apaixonados afim de selarem compromisso, já ouvi dizer.
Casamento é mais do que lindas fotos molduradas. Mais do que mulheres grávidas de 3 meses tentando disfarçar barriga por debaixo do vestido. Mais do noivas empolgadas com a festa a escolher o vestido perfeito.
O casamento é o suicídio do namoro que está dando certo. Casar é muito mais do que uma lista de 300 convidados.
Casar envolve tanta gente que é por isso que as pessoas se casam. Porque você nunca quer casar sozinha. Nem ficar com a impressão de que está casando com uma pessoa só.
Quando você se casa, está casando também com o cabeleireiro. Com a manicure. Com a florista, a designer de jóais, a costureira. Casa-se com a cerimonialista, com o buffet completo. Casa-se com o padre que fez a cerimônia. Com a família do noivo, com o carro dele, os amigos e a família. Casa-se com o apartamento comprado, alugado ou emprestado. Casa-se com o trabalho e com a trabalheira toda que isso dá.
Casamento é uma instituição que não devolve o seu investimento. Não cobre ansiedade, seguro de vida, as possíveis traições futuras, ligações indesejadas e empregadas assanhadas. É uma instituição que está pouco se lixando se você engorda ou emagrece. Engravida ou não e se vai ou não ser feliz com a empreitada.
O dia do casamento, é a novela mexicana que deu certo no Equador.
Vão ter que dizer sim de qualquer jeito...
Ai vem a festa. Wisky não pode faltar, champagne nem pensar. Black , Red ou Green? Champagne barata, dá ressaca no dia seguinte. E o cardápio é evidente que não atende a todos os gostos.
Vai haver sempre o murmúrio de que uma coisa estava boa e outra nem tanto. Fora o dj, ou a banda, ou o violinista, pianista -tecladista que devem ser impecáveis . A noiva, não come. Mal bebe e quando bebe não curte a noite de núpcias. Passa a noite toda com o rosto melado pelos beijos de convidados eufóricos, a ouvir tudo o que todas as outras noivas já ouviram. Com dor no pé, não senta. Sua obrigação é dançar e ficar sorridente. Se ficar bêbada, sai feia nas fotos. Se sentar pra comer, “tá morrendo de fome”. Se deixar de cumprimentar alguém é mal-educada. Se não dançar, não está contente!
Se não estiver sempre perto do noivo, já estão começando mal. Se não tira fotos com todos, ta fazendo pouco caso. Se a festa não tem tudo a que se tem direito, não tinham dinheiro pra gastar. E se a festa toda não está em pé, com o copo na mão, a festa não foi animada.
As chances de fazer um bom casamento, está diretamente ligada à qualidade dos convidados versus o padrão de vida que cada um leva. E não ao padrão de vida, que os noivo têm.
Os que já casaram vão comparar as festas deles com a sua. E os que ainda vão casar estão tirando ideias. E tem ainda os que ficam putos porque não puderam levar as crianças, fora os que não foram convidados. Vovós e titias, provavelmente dirão que a música estava alta demais.
Tem ainda, os que querem saber da Lua-de-mel e se já compraram apartamento.
Os casais realmente transam quando chegam no quarto?
Será que a certeza de que isso "terá de acontecer", já não tira a naturalidade da ocasião?
E a palavra Obrigação, além de ter uma conotação muito chata, vai fazer parte da sua vida de casado, meu amigo, para o resto da sua vida!
Casar é uma Cilada porque mesmo tendo feito de tudo pra dar certo, se der errado, você ainda paga as contas.
Pense na frase mais cliche de todas e repita comigo bem alto pra todo mundo ouvir:
Eu... prometo amar-te e respeitar-te, e prometo ser fiel.. na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... por todos os dias da minha vida! Mas diga isso emocionada, com vontade, sentindo na pele cada palavra emitida (e não seja hipócrita)
Porque as pessoas não podem simplesmente dizer o que sentem umas pras outras todos os dias e morarem cada um em suas casas e se encontrarem quantas vezes na semana quiserem e dormirem juntas quando estiverem dispostas?
Casar é ser amor constante, sem contratos e convenções, sem que sejamos engolidos pelas regras da sociedade. É estar casada em primeiríssimo lugar, com você mesmo. E comemorar toda semana.
terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cada coisa esta sendo influenciada, ou influenciando.
Professora Carmem,
Lembra aquele dia em que lhe pedi para conversarmos depois da aula?
Preciso te contar o que aconteceu comigo, depois disso.
Só para recapitular, você me concedeu o seu tempo e quando lhe perguntei se podia dar-me um conselho, você disse que conselho, não. Então concertei a palavra substituindo-a por opinião.
Depois deste dia, comecei a olhar para a senhora com outros olhos. A sua opinião foi tão significante pra mim que mudou também, a minha.
Durante suas aulas, procuro ficar em silêncio com os meus pensamentos que é pra absorver melhor o conteúdo. Assim, suas palavras entram limpas na minha organização.
É difícil refletir antes de entender. Alias, refletinho entendo.
E voltando àquela conversa, fiquei pensando e procurando entender, porque as pessoas precisam de reconhecimento e porque dizem tanto a palavra EU. Seja numa conversa tola, ou com as “políticas” que fazem. Você me fez enxergar. Apesar de que continuo achando muito difícil dialogar sem o uso constante da palavra EU. Mas já estou conseguindo terminar uma tarefa sem a espera de um reconhecimento.
Como lhe contei, sobre aquela pessoa mais velha com quem eu estava tendo dificuldades, pude mesmo constatar que ele estava dando um jeito de pertencer demais à minha vida. Roubar meus pensamentos pra ele. Existe isso, professora? Alguém que roube pensamentos? Queria que eu ficasse dependente demais dele. Esquecendo da minha da minha vida. Das minhas coisas. Lembrei então, de várias outras situações em minha casa. Com meus amigos. Em que não somente eu, mas essas pessoas também estavam o tempo todo dizendo “Eu isso, Eu aquilo”. Porque não paravam de usar a palavra Eu? Senti uma sugação estranha. E a vontade de me afastar.
Mas o que mais gostei mesmo professora, é que me flagrei pensando nisso. Me vi voltando às ocasiões em que deixei de elogiar alguém, porque queria era que Me elogiassem. E deixei de escutar uma frase dita por inteiro porque queria logo começar a minha e desviar a atenção do outro para mim.
E comei a sentir que eu andava muito nessa onda de EU pra todo lado. Percebi que nas rodas que freqüento, quando a atenção maior está voltada à outra pessoa, tento contra-argumentar, ou falar num tom mais alto, pra que os olhares se voltem à mim. Mas também percebi que quando eu fazia isso, eu tinha que ter um argumento muito mais forte do que o do outro. Eu tinha que entender sobre o que eles falavam. E nem sempre o que eu tinha a dizer, era tão importante. Passei então, a ler. Ler e ler. Em meio aos novos diálogos, concluí que me notavam não só porque tenho um belo rosto, mas porque sou capaz de dizer coisas inteligentes e construtivas. Quero que escutem o que tenho a dizer. Agora sim quero isso. Pois eu antes achava que pra ser apresentadora bastava ser bonita.
Você não está aqui, professora, afim de treinar pessoas para concursos de beleza.
Parece tolice e um pouco de inocência, lhe dizer essas coisas. Me sinto uma boboca, pois sei que tem o dobro do meu conhecimento e idade.
Experiência tem a ver com idade, professora?
Se tiver, estou ferrada. Só tenho 18 anos.
Sabe, eu me importo com o comportamento humano. E agora, fico observando as pessoas o tempo todo. E prestando atenção em quantas vezes uma pessoa fala a palavra EU.
É importante saber dos outros mas também nem tanto.
Ainda estou falando muito de mim como pode perceber... mas é porque não quero ficar fugindo de mim mesma, senão como irei me encontrar? Você tem essa resposta, professora?
Espero que haja mais interação na sala. A geração de vocês me impressiona. Pois a minha, está voltada ao consumismo, namoricos e o telefone tocando a toda hora. Entrei na faculdade para adquirir conhecimento. Mas sei que somos influenciados pelo externo o tempo inteiro, inclusive por você. Será que estou lhe incitando muita responsabilidade?
Do contrário, imagino que não teria escolhido esta profissão. E também não lhe daria tal importância se achasse que não a tem.
Sua aluna número 23 da turma A – Jornalismo.
Preciso te contar o que aconteceu comigo, depois disso.
Só para recapitular, você me concedeu o seu tempo e quando lhe perguntei se podia dar-me um conselho, você disse que conselho, não. Então concertei a palavra substituindo-a por opinião.
Depois deste dia, comecei a olhar para a senhora com outros olhos. A sua opinião foi tão significante pra mim que mudou também, a minha.
Durante suas aulas, procuro ficar em silêncio com os meus pensamentos que é pra absorver melhor o conteúdo. Assim, suas palavras entram limpas na minha organização.
É difícil refletir antes de entender. Alias, refletinho entendo.
E voltando àquela conversa, fiquei pensando e procurando entender, porque as pessoas precisam de reconhecimento e porque dizem tanto a palavra EU. Seja numa conversa tola, ou com as “políticas” que fazem. Você me fez enxergar. Apesar de que continuo achando muito difícil dialogar sem o uso constante da palavra EU. Mas já estou conseguindo terminar uma tarefa sem a espera de um reconhecimento.
Como lhe contei, sobre aquela pessoa mais velha com quem eu estava tendo dificuldades, pude mesmo constatar que ele estava dando um jeito de pertencer demais à minha vida. Roubar meus pensamentos pra ele. Existe isso, professora? Alguém que roube pensamentos? Queria que eu ficasse dependente demais dele. Esquecendo da minha da minha vida. Das minhas coisas. Lembrei então, de várias outras situações em minha casa. Com meus amigos. Em que não somente eu, mas essas pessoas também estavam o tempo todo dizendo “Eu isso, Eu aquilo”. Porque não paravam de usar a palavra Eu? Senti uma sugação estranha. E a vontade de me afastar.
Mas o que mais gostei mesmo professora, é que me flagrei pensando nisso. Me vi voltando às ocasiões em que deixei de elogiar alguém, porque queria era que Me elogiassem. E deixei de escutar uma frase dita por inteiro porque queria logo começar a minha e desviar a atenção do outro para mim.
E comei a sentir que eu andava muito nessa onda de EU pra todo lado. Percebi que nas rodas que freqüento, quando a atenção maior está voltada à outra pessoa, tento contra-argumentar, ou falar num tom mais alto, pra que os olhares se voltem à mim. Mas também percebi que quando eu fazia isso, eu tinha que ter um argumento muito mais forte do que o do outro. Eu tinha que entender sobre o que eles falavam. E nem sempre o que eu tinha a dizer, era tão importante. Passei então, a ler. Ler e ler. Em meio aos novos diálogos, concluí que me notavam não só porque tenho um belo rosto, mas porque sou capaz de dizer coisas inteligentes e construtivas. Quero que escutem o que tenho a dizer. Agora sim quero isso. Pois eu antes achava que pra ser apresentadora bastava ser bonita.
Você não está aqui, professora, afim de treinar pessoas para concursos de beleza.
Parece tolice e um pouco de inocência, lhe dizer essas coisas. Me sinto uma boboca, pois sei que tem o dobro do meu conhecimento e idade.
Experiência tem a ver com idade, professora?
Se tiver, estou ferrada. Só tenho 18 anos.
Sabe, eu me importo com o comportamento humano. E agora, fico observando as pessoas o tempo todo. E prestando atenção em quantas vezes uma pessoa fala a palavra EU.
É importante saber dos outros mas também nem tanto.
Ainda estou falando muito de mim como pode perceber... mas é porque não quero ficar fugindo de mim mesma, senão como irei me encontrar? Você tem essa resposta, professora?
Espero que haja mais interação na sala. A geração de vocês me impressiona. Pois a minha, está voltada ao consumismo, namoricos e o telefone tocando a toda hora. Entrei na faculdade para adquirir conhecimento. Mas sei que somos influenciados pelo externo o tempo inteiro, inclusive por você. Será que estou lhe incitando muita responsabilidade?
Do contrário, imagino que não teria escolhido esta profissão. E também não lhe daria tal importância se achasse que não a tem.
Sua aluna número 23 da turma A – Jornalismo.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Contos memórias e contos memoráveis.
Quintal
Isa e Suzana tinham os galhos preferidos. Toda tarde depois da escola na casa de vó Lourdes. Tomavam e comiam café com leite e pão francês com queijo branco no forninho, especialmente preparados para elas. Depois, iam direto pra árvore.
As 17:00. Exatamente as 17:00 e sempre as 17:00, Ana que morava com vó Lourdes saía de seu quarto pro quintal com a vassoura nas mãos correndo atrás das meninas. Ambas corriam para a mangueira e dé lá, só desciam ao escurecer. E Ana sabia disso. De cima a vista era boa: Ana falando sozinha a colocar roupas no varal. Trocava o saco de lixo, cortava as rosas do canteiro com a faca e vez e outra, olhava com esforço para as duas no topo do galho mais alto. Certa vez, Ana falou tanto, disse tanto que quanto mais retrucavam mais mangas caíam. Vinha com a vassoura e limpava os ciscos. Ainda crianças, as meninas não entendiam onde Ana queria chegar. O quintal não era dela. Nem mesmo a árvore, ou as frutas. Ana tinha seu quarto e nunca abria a janela. Estava sempre com a mesma roupa e varria com a mesma vassoura. Não tinha dentes na boca e nunca souberam sua verdadeira idade. Avô Hélio, chegava da rua com os bolsos cheio de dinheiro e lá da porta da cozinha gritava para as meninas: - Quem quer tomar sorvete? Mostrando as notas.
Mas nem o sol, nem o calor, nem sorvetes muito menos o medo que tinham de Ana, tiravam as duas da árvore. Ana via Hélio e por segundos, ficava calada. Em seguida voltava a falar sozinha sem parar. As meninas só foram compreender que Ana não falava nada com nada, no dia em que uma manga caiu em sua cabeça.
No susto, chegou a falar um pouco mais alto. Mas ainda assim não sabiam o que ela dizia. Apontou o dedo, como se fizesse uma ameaça. As meninas gargalhavam. Neste dia, vó Lourdes não estava em casa. Estavam sozinhas na presença de Ana que desolada, entrou para o quarto. Escurecia. Isa e Suzana não tiraram o olho da janela do quarto de Ana, que não ascendia a luz. Com medo, desceram da árvore. Quase chegando ao solo, a porta do quarto de ana, de frente para a árvore, se abriu. As duas correram como se aquela fosse a gincana de suas vidas. Entrando cozinha afora. A porta da cozinha da casa de Lourdes, é daquelas que tem grade e vidro. Trancaram-se abrindo o vidro afim de ver Ana vindo em direção. Com a vassoura nas mãos, Ana retrucava. Foi aí que as meninas puderam ver de perto a perna de Ana, que só usava saia comprida. Falava e falava levantando a saia, mostrando às meninas um ferimento aberto. Apontava para a ferida e reclamava. Aos berros, fecharam o vidro com tudo, tremendo de pavor. Vô Hélio apareceu tranquilizando. Com o bolso cheio de balas deu três pra cada uma levando-as dali.
Tempos depois, já crescidas, ao visitar vó Lourdes, procuravam manter certa distância daquela senhora que metia-lhes horror. E já não subiam mais na mangueira. Mas Ana não. Guardou suas faces. Ela que nunca, jamais deixou que ninguém entrasse em seu quarto, ao ver Isa puxou-a pelas mãos levando-a até o quartinho. Falando e falando. Desesperada Isa sem nada entender, foi rastejando. Ana tira um molho de chaves do bolso do avental e destranca a porta. O cheiro que bateu era insuportável. No escuro Ana não pôde ver como era o misterioso quarto. Viu apenas a sombra de uma cama. Ana pegou uma foto por debaixo de roupas mostrando-a para Isa. Era a foto de uma moça jovem que Isa desconhecia. Ana falava e falava. Isa não entendia absolutamente uma palavra do que ela dizia, já querendo sair pedinho aos céus que alguém a salvasse. Consigo mesma pensava: "que língua ela fala... Como vovó pôde durante anos deixar que Ana morasse aqui, sem nunca ter sido compreendida".
Saiu dali afoita. Saiu do quintal e ficou perto da mãe. Às vezes, Lourdes chegava com uns pacotes de fraldas. Dizia que era para Ana. E Hélio com salgadinhos. Entregava para Ana já cortados em pedaços pequenos.
Conta vó Lourdes que Ana não tinha ninguém. E que já mais velha por piedade e solidariedade deixou que viesse morar no quartinho do quintal de sua casa. Até que um dia, resolveu entregá-la a casa de repouso. Indo visitá-la de tempos em tempos. Mas Ana já não a reconhecia e mal falava. Em uma de suas visitas, apenas entregou à ela uma medalinha de nossa senhora das medalhas. Vó Lourdes conta que foi triste. Anos depois, já haviam esquecido de Ana e aconteceu de vô Hélio falecer. Curiosamente, no mesmo dia, no mesmo horário do enterro, no velório municipal, lá estava o corpo de Ana. E apenas duas senhoras velavam seu corpo. Vó Lourdes conta as senhoras eram da casa de repouso. Isa entrou para ver mas Suzana não.Ao se aproximar de uma das senhoras que ali velavam o corpo, uma delas segurava uma foto nas mãos. Isa pendurou-se pra ver. Era a mesma foto que Ana mostrara à ela.
Na casa de Lourdes ainda está lá, o quartinho, a vassoura e a bacia onde Ana lavava os pés.
Na árvore, mangas. Em época de mangas. Mas nunca como na época em que Hélio era vivo e as meninas, crianças.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Queria tanto que perdeu a graça.
A bandeja verde na cozinha. O copo de suco de laranja, o sanduíche de pasta de ovo, o mamão papaya e o yakult. Ajeitou direitinho. No caminho pro quarto a breve espiada na veuve cliquot intácta. No entanto as bolinhas da outra garrafa já tinham subido na noite anterior. Chutando a "vestimenta" calvin klein dele, entrou com tudo no quarto. Daquele jeito de quem posiciona o cotovelo na fechadura com as mãos já ocupadas. Ele dorme. O sono que pediu a deus, em sua cama deliciosamente macia. Tanto tempo por ela mesma. 10:00 no relógio e nada. Resolveu tossir. Nada. Fungou. Nada. Suspirou. Nada também. Deixou a bandeja no criado mudo. Saiu do quarto. Ligou pra amiga e pediu que ela ligasse de volta. Voltou ao quarto, deixou o celular perto da bandeja. Tocou. Alto. Opa, ele se mexeu. Conversou então com a amiga em alto e bom tom. Tratando de falar nada com nada caso ele ouvisse. E nada. Desligou. Pensou mais um pouco na vida. Tomou um livro nas mãos. Leu 3 páginas. Tirou a camisola, afundou-se na cama.
Encostou seu corpo no dele. Encaixou como se fizesse a conchinha mal-feita. Era bem menor que ele. Tentou pegar no sono. Não conseguiu. A cabeça doía um pouco. 11:00 o telefone fixo tocou. Não quis levantar. Ele dorme. Ainda dorme o sono que pediu, dessa vez, aos anjos.
Teve sede. Tomou um gole do suco. Mais sede, virou o copo de suco.
Remexeu mais um pouco. Teve fome. Comeu o sanduíche. Pensou imediatamente em escovar os dentes, dessa vez pra tirar o gosto de pasta de ovo. Tomou por cima o yakult. Mais 15 minutos e nada. Levantou. Foi para o banho. Demorou cerca de meia hora. Calmamente, abriu a porta do quarto pra não fazer barulho, dessa vez estava decidida a trocar-se e sair deixando um bilhete.
A cama estava vazia. Paralisou-se. Que diabos de meia hora foi essa.
Pegou o celular. Indignou-se. Ia ligar novamente pra amiga. No visor a mensagem: Há tempos não dormia o sono que pedia a deus. Peço aos anjos que aconteça de novo. A propósito comi seu mamão papaya.
A bandeja verde na cozinha. O copo de suco de laranja, o sanduíche de pasta de ovo, o mamão papaya e o yakult. Ajeitou direitinho. No caminho pro quarto a breve espiada na veuve cliquot intácta. No entanto as bolinhas da outra garrafa já tinham subido na noite anterior. Chutando a "vestimenta" calvin klein dele, entrou com tudo no quarto. Daquele jeito de quem posiciona o cotovelo na fechadura com as mãos já ocupadas. Ele dorme. O sono que pediu a deus, em sua cama deliciosamente macia. Tanto tempo por ela mesma. 10:00 no relógio e nada. Resolveu tossir. Nada. Fungou. Nada. Suspirou. Nada também. Deixou a bandeja no criado mudo. Saiu do quarto. Ligou pra amiga e pediu que ela ligasse de volta. Voltou ao quarto, deixou o celular perto da bandeja. Tocou. Alto. Opa, ele se mexeu. Conversou então com a amiga em alto e bom tom. Tratando de falar nada com nada caso ele ouvisse. E nada. Desligou. Pensou mais um pouco na vida. Tomou um livro nas mãos. Leu 3 páginas. Tirou a camisola, afundou-se na cama.
Encostou seu corpo no dele. Encaixou como se fizesse a conchinha mal-feita. Era bem menor que ele. Tentou pegar no sono. Não conseguiu. A cabeça doía um pouco. 11:00 o telefone fixo tocou. Não quis levantar. Ele dorme. Ainda dorme o sono que pediu, dessa vez, aos anjos.
Teve sede. Tomou um gole do suco. Mais sede, virou o copo de suco.
Remexeu mais um pouco. Teve fome. Comeu o sanduíche. Pensou imediatamente em escovar os dentes, dessa vez pra tirar o gosto de pasta de ovo. Tomou por cima o yakult. Mais 15 minutos e nada. Levantou. Foi para o banho. Demorou cerca de meia hora. Calmamente, abriu a porta do quarto pra não fazer barulho, dessa vez estava decidida a trocar-se e sair deixando um bilhete.
A cama estava vazia. Paralisou-se. Que diabos de meia hora foi essa.
Pegou o celular. Indignou-se. Ia ligar novamente pra amiga. No visor a mensagem: Há tempos não dormia o sono que pedia a deus. Peço aos anjos que aconteça de novo. A propósito comi seu mamão papaya.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Feliz aquele que sente o cheiro do perfume que perdeu "
Frase citada por Miguel Fallabella.
Tem gente que tem cara de quem sabe o cheiro que tem.
É coisa de quem sabe.
Expreme até a última gota do momento e sai dele porque, bem... caminhar é preciso.
Pessoas saem da vida da gente, ou nós é que nos retiramos da vida das pessoas?
De toda forma, você tem de fazer o mínimo triunfal atingir sua maioridade.
Sem essa de olhar para os lados à espera de um siga em frente pra tocar com o dedo o que você transforma em ouro. Em outras palavras, entenda que você é o ouro e entenda que o dar certo, dá certo.
E não precisa pegar o pior quarto quando não houver vaga na suíte imperial.
Tô falando de não se contentar com pouco. Tô no nível das dificuldades que enfrentamos.
De ter que colher trigo pra saborear aveias.
De olhar pra uma coisa dez vezes e acertar o alvo, ao menos, uma.
E entender que as dez foram necessárias pra que essa uma, tenha sido constatada, bem antes de ser acertada.
As coisas já chegam destiladas demais para as nossas mãos. Já não nos damos mais ao trabalho de verificar puramente com os nossos faros, as essências.
Enquanto devíamos é sacar que a temos, inteiramente.
Procurando exalar seu cheiro único.
Dentro da gente cabe tanta coisa. Dentro da gente cabe tanta gente. Miscelânia de odores.
E se não estamos ensimesmados, estamos tomados pelo outro. E quem fica com a melhor parte?
A melhor parte é aquela parte que cabe inteiramente nos vãos. Não sobra nem fica estreita.
Nos dá condições de entender as arestas, partes do coletivo que nos rodeia.
À medida que farejamos mais descobrimos reais porções de nós mesmos no todo que somos. Podendo alimentar pouco a pouco os que sentem fome da gente. Não falta gente como a gente e também, diferente da gente, afim de digerir o mundo junto da gente. Porque essa gente, sente a mesma totalidade que a gente sente, querendo entrar no mundo que é o seu modo de ser gente.
À medida que experimentamos mais, queremos mais experimentar. Pois o nosso entendimento entende que ainda não nos é o suficiente.
Em nosso todo, um imenso mundo ocupa um mundo imenso.
Por isso sentimos vontade de nos levar aos outros. Por isso queremos ver o outros sendo trazidos para nós.
Por isso construímos laços, pontes, pontos em comum e nos vinculamos. Para que eles possam ser desfeitos e logo após, reconstruídos.
É o que nos leva a transitar pelo deserto e encontrar água porque a sede chega e o cansaço também.
E é o que nos leva a reconhecer no todo daquele que caminha, o todo que com ele caminha.
Pois esse sabe, de que perfume estou falando.
" A gente quando jovem coloca uma mochila nas costas e vai jogando as coisas fora pra que ela fique mais leve na hora de subir os degraus. Não adianta nada porque depois, você tem que voltar pra juntar as coisas que ficaram pelo caminho".
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Tá filmando?Nos movemos o tempo todo. Impossível não dispersar impedindo a profundidade do que se mostra.
É pra isso que serve uma câmera. Ali parado aquele olhar absorve o que está em movimento.
Só passamos a visualizar plenamente quando observamos com percepção. É a nossa percepção que define a imagem. E revela as impressões dos gestos, o tom, o olhar, as cores atribuídas. As atitudes multifacetadas separadamente. A alma que é vista. O que foi visto daquele universo.
Se não quer ser visto, não trabalhe com imagem. Você não vai conseguir se enganar por muito tempo.
Você quer ser humano ou um “dançarino”?
A superficialidade mundana nos distrai. Pouco se concentra absolutamente no individuo.
Enquanto se move, tenta equilibrar-se pondo a prova suas excentricidades. Estamos em constante transformação. O íntimo numa dimensão mais profunda. A nos arrancar dos nossos silêncios prolongados. Absorvendo o silêncio dos outros. Lendo as entrelinhas.
Ultrapassando as barreiras dos nossos limites. Pra que não sejamos pequenos quando é preciso ser grande.
Transmutando nossos desejos e necessidades internas. Jamais calando a inquietude.
Da necessidade de transformar o passado, já imóvel, agimos no presente para sermos os senhores do agora. Já que o futuro, só amanhã. O agora é a ação do que transcende em nós.
O intenso percebe os segundos agindo lentamente nas profundezas de cada movimento. O distraído vê apenas o resultado final do movimento todo.
Somos maiores quando melhores. E a tendência é melhorar. Aprimoramentos necessários. À altura do que buscamos. Só pioramos quando permitimos a diminuição. O que não obedece ao fluxo da ordem natural das coisas. Somos partes de uma evolução em movimento constante. Crescemos indicando o caminho a nossa transformação interna. Enquanto o corpo obedece à gravidade.
Nós podemos tocar o que está mobilizado. Como também podemos tocar o que está em movimento. Temos que saber como agarrar um intervalo e outro.
As sensações não são palpáveis. Podemos até sentir o que um outro sente. E ver como ele vê. Mas não na mesma dimensão.
Nós podemos descrever impressões. Nós podemos captar o que está implícito. Mas não podemos invadir completamente o que está estático e o que não e não pode e não quer ser tocado.
É por isso que procuramos a arte de revelar nuances. Porque buscamos o peculiar. E nem todos entendem o ponto que define uma singularidade. A verdadeira nuance a ser atingida está intrínseca numa essência que se revela aos poucos. E quando se revela. E para quem é revelada. Porque poucos captam o segundo de um lampejo de uma peculiaridade reveladora. Aparece neste instante, a chave para o entendimento. Para uma inclinação mais sábia.
Jamais seremos todos iguais. Porque nunca passamos a mesma mensagem da mesma forma para todos. E as linguagens se misturam muito. E o entendimento chega de diferentes formas. Cada olhar, como único que é, modifica as impressões percebidas. E cada um controla a impressão que tem. E somos sempre mais do que os olhos podem ver.
Só as nossas intenções é que podem vê-las sob um outro ângulo. Aquilo que se apresenta tal como é, é apenas uma apresentação a ser vista.
E depois de captar a imagem que queremos que seja vista, e ainda, a que queremos ver, ainda resta algo a ser filmado.
É misteriosa e particular a forma de penetrar nossos olhos no mundo. Porque as visões estão em constante transformação. E o mundo de cada um é uma particularidade.
Sorria, você está sendo observado. Não se substime estamos todos sendo filmados.
sábado, 25 de julho de 2009
Contos, memórias e contos memoráveis.
Cara amiga Nadja,
Nos conhecemos desde a juventude.
Como é que eu poderia me esquecer, foi o Marcos que me apresentou à você, porque já conhecia o Brunão e eu fiquei te conhecendo porque o Brunão e o Marcos, já se conheciam... ai que bobagem a minha.. você entendeu não é?
Ficamos amigas de cara.
Todo mundo começou a namorar naquela época. Inclusive você com o Marcos e eu com o Brunão. Festas e mais festas. Almoço na casa da Fabiana. Churrasco no Hélio. Cabanagem no sítio do Glaucão... Cada porre heim, Nadja.
E final de ano então, ia a turma toda pra casa do Aluísio em Ubatuba. Ninguém saía de lá. Baralho, sinuca, macarronada, pizzada, pingaiada, tudo por ali mesmo.
Virada de ano, lembra? Todo mundo em volta da piscina assistindo ao show do Leonardo.
Naquele dia... o Brunão pediu minha mão. Você se deu bem... casou um pouco antes com o Marcos. E que farra a gente fez no seu casamento.
O Brunão dançando com a Léa e eu nem aí porque dançava com o Hélio. Ficava a Graça, mulher do Hélio fazendo passinho com o Miguel e tava bom pra todo mundo. E você ali de canto, só olhando a farra.
O Marcos é que era desanimado né. Só quando a gente ia pra sítio que ele gostava. Era perto dos bichos que ele gostava de ficar. Ele ainda cultiva aquele laguinho de piranhas?
Já hoje, não consigo tirar da minha cabeça, onde é que você e o Brunão conversavam tanto. Como é que eu não via o Brunão te procurar. Sabe que Letícia, minha filha, me faz essa mesma pergunta.
Foram 25 anos de casados. Você quanto foi? Vinte e oito e mais três filhos.
Como é que você fez o Marcos assinar os papéis?
E os seus filhos? Seus filhos aceitaram muito bem, pois sim, o Brunão sempre foi muito mais legal que o Marcos. Muito mais rico também. E muito mais bonito, evidentemente.
Quanto a nós, páreo duro. E você, com esse jeito "come quieta" de ser, quem diria, fez tudo pelas minhas costas. A que horas você seduzia o Brunão? Esperava eu me retirar?
Foi naquele aniversário do Leandro que eu acabei não indo porque tive que levar mamãe pra fazer exames, não foi? Ou vai ver, foi no batizado do Ivanzinho. Maldita ideia de gerico teve a Léa, colocar vocês dois padrinhos do menino dela.
Depois fiz retrospectiva de tudo.
Aliás, chamei o Brunão em casa pra me contar de antemão, onde foi que tudo começou que eu tão idiota, não via. E não me venha dizer que " o pior cego é aquele que não quer ver".
Triste é ter que conviver na mesma cidade que vocês. E pensar que éramos amigas.
E olha, agradeça a Deus por ter ficado com a casa. Marcos foi bom com você.
Quanto a mim, tenho planos para os bens do Brunão. E não dependo dele pra nada.
Os bens estão sendo entregues à Igreja. E isso é só o começo. Acredite.
Peço a Jesus, em oração, que os ajude a serem felizes, tamanha foi a bacheza de vocês. Se merecem.
E se existe algum culpado nessa história toda, esse alguém é o Marcos, que não tinha nada que me apresentar ao Brunão e muito menos à você.
Mas agradeço, pois agora encontrei o "Verdadeiro Caminho".
A propósito tenho visto Marcos por lá.
Cara amiga Nadja,
Nos conhecemos desde a juventude.
Como é que eu poderia me esquecer, foi o Marcos que me apresentou à você, porque já conhecia o Brunão e eu fiquei te conhecendo porque o Brunão e o Marcos, já se conheciam... ai que bobagem a minha.. você entendeu não é?
Ficamos amigas de cara.
Todo mundo começou a namorar naquela época. Inclusive você com o Marcos e eu com o Brunão. Festas e mais festas. Almoço na casa da Fabiana. Churrasco no Hélio. Cabanagem no sítio do Glaucão... Cada porre heim, Nadja.
E final de ano então, ia a turma toda pra casa do Aluísio em Ubatuba. Ninguém saía de lá. Baralho, sinuca, macarronada, pizzada, pingaiada, tudo por ali mesmo.
Virada de ano, lembra? Todo mundo em volta da piscina assistindo ao show do Leonardo.
Naquele dia... o Brunão pediu minha mão. Você se deu bem... casou um pouco antes com o Marcos. E que farra a gente fez no seu casamento.
O Brunão dançando com a Léa e eu nem aí porque dançava com o Hélio. Ficava a Graça, mulher do Hélio fazendo passinho com o Miguel e tava bom pra todo mundo. E você ali de canto, só olhando a farra.
O Marcos é que era desanimado né. Só quando a gente ia pra sítio que ele gostava. Era perto dos bichos que ele gostava de ficar. Ele ainda cultiva aquele laguinho de piranhas?
Já hoje, não consigo tirar da minha cabeça, onde é que você e o Brunão conversavam tanto. Como é que eu não via o Brunão te procurar. Sabe que Letícia, minha filha, me faz essa mesma pergunta.
Foram 25 anos de casados. Você quanto foi? Vinte e oito e mais três filhos.
Como é que você fez o Marcos assinar os papéis?
E os seus filhos? Seus filhos aceitaram muito bem, pois sim, o Brunão sempre foi muito mais legal que o Marcos. Muito mais rico também. E muito mais bonito, evidentemente.
Quanto a nós, páreo duro. E você, com esse jeito "come quieta" de ser, quem diria, fez tudo pelas minhas costas. A que horas você seduzia o Brunão? Esperava eu me retirar?
Foi naquele aniversário do Leandro que eu acabei não indo porque tive que levar mamãe pra fazer exames, não foi? Ou vai ver, foi no batizado do Ivanzinho. Maldita ideia de gerico teve a Léa, colocar vocês dois padrinhos do menino dela.
Depois fiz retrospectiva de tudo.
Aliás, chamei o Brunão em casa pra me contar de antemão, onde foi que tudo começou que eu tão idiota, não via. E não me venha dizer que " o pior cego é aquele que não quer ver".
Triste é ter que conviver na mesma cidade que vocês. E pensar que éramos amigas.
E olha, agradeça a Deus por ter ficado com a casa. Marcos foi bom com você.
Quanto a mim, tenho planos para os bens do Brunão. E não dependo dele pra nada.
Os bens estão sendo entregues à Igreja. E isso é só o começo. Acredite.
Peço a Jesus, em oração, que os ajude a serem felizes, tamanha foi a bacheza de vocês. Se merecem.
E se existe algum culpado nessa história toda, esse alguém é o Marcos, que não tinha nada que me apresentar ao Brunão e muito menos à você.
Mas agradeço, pois agora encontrei o "Verdadeiro Caminho".
A propósito tenho visto Marcos por lá.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
"O amor surge quando está na hora de a gente se transformar. OU, vai ver que é por amor que a gente transforma.
O diálogo que leva ao amor que dá a cada um a vontade de arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas. "
O diálogo que leva ao amor que dá a cada um a vontade de arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas. "
Contardo Calligaris.
Contos, memórias e contos memoráveis
Conta corrente
Ivete e Lidiane, meninas de família, são filhas do casal Zélia e Franco.
A mais velha, Lidiane casou-se com um jovem médico que conhecera na faculdade e fora seu primeiro amor. Anos se passaram e o casal não pôde ter filhos, porém como o amor e a amizade sempre prevaleceram entre eles, superaram a situação, separando-se.
Já Ivete, a irmã mais nova, era mais descolada, namorou muitos rapazes até conhecer Gaspar, um jovem veterinário promissor.
Poucos anos de namoro,Ivete engravidou deixando Gaspar com a responsabilidade de casar-se com ela. A família quis tudo direitinho. Igreja, vestido de noiva, festa.
O casal cumpriu. Nove meses depois estavam com Estebão nos braços. Alugaram uma casinha pequena e nos fundos, Gaspar montou sua clínica. Cachorros e gatos circulavam o dia todo por ali ganhando a afeição de Estebão pelos animais e tomando a atenção de Gaspar. Ivete odiava aquilo tudo. Ficava com os serviços contábeis, as contas a pagar e atendia a telefonemas.
Ao menos duas vezes na semana, Ivete ia ao banco. Para ela esse era o seu melhor passatempo. Se arrumava toda. Emperetecada chegava por volta das 13:30 e voltava as 15:00 para casa, saltitante.
Gaspar, que não se ligava muito à esses pequenos problemas, confiava plenamente na mulher.
De duas passaram-se a três vezes na semana, as idas de Ivete ao banco. O gerente, muito simpático a atendia com prioridade e entusiasmo. Abriu uma conta particular para ela, deu-lhe cartões de crédito e providenciava para que Ivete não pegasse fila.
Numa sexta-feira, Ivete atrasou-se e o banco ja havia fechado. Naquele dia, martirizou-se o dia todo. Repetia a si mesma que na segunda estaria lá as 13:00 em ponto.
Dito e feito, na segunda Ivete entrou no banco as 13:00 e só voltaria para casa as 16:00.
Gaspar havia esquecido de entregar à ela, uma conta que vencera naquele dia. Correu pro banco atrás de Ivete.
Eram 14:55 quando ele pisou no local. Olhou para todas as direções e nada de sua esposa. Nem na fila, nem na mesa do gerente, nem no bebedouro...
Quando Gaspar voltava para o carro, vira uma moça de costas parecida com Ivete entrando numa casa ali perto. Gaspar correu para alcança-la. Ofegante, abrira o portão devagar e fora entrando como se estivesse bisbilhotando algo e tivesse medo de ser pego.
Subiu na mureta da janela e lá estava Ivete no maior aconchego. E ele pensava " ela nem sequer olha no relógio pra saber das horas"...
Gaspar ficou ali algum tempo até que Ivete tirou a roupa. Ele não conseguia ver a cara do sujeito a quem sua esposa se entregava com sede e gosto.
Gaspar num surto de ciúme e indignação invadira a casa do moço flagrando Ivete e o Gerente na cama. O mesmo futuro que teve sua irmã, estava reservado para ela.
Tempos depois, o gerente fora transferido de cidade e Ivete reatou com Gaspar vivendo novamente juntos como uma família feliz. Gatos e cachorros? Não mais. Mudaram de ramo.
Quanto a conta corrente, esta vai muito bem, diga-se de passagem.
Conta corrente
Ivete e Lidiane, meninas de família, são filhas do casal Zélia e Franco.
A mais velha, Lidiane casou-se com um jovem médico que conhecera na faculdade e fora seu primeiro amor. Anos se passaram e o casal não pôde ter filhos, porém como o amor e a amizade sempre prevaleceram entre eles, superaram a situação, separando-se.
Já Ivete, a irmã mais nova, era mais descolada, namorou muitos rapazes até conhecer Gaspar, um jovem veterinário promissor.
Poucos anos de namoro,Ivete engravidou deixando Gaspar com a responsabilidade de casar-se com ela. A família quis tudo direitinho. Igreja, vestido de noiva, festa.
O casal cumpriu. Nove meses depois estavam com Estebão nos braços. Alugaram uma casinha pequena e nos fundos, Gaspar montou sua clínica. Cachorros e gatos circulavam o dia todo por ali ganhando a afeição de Estebão pelos animais e tomando a atenção de Gaspar. Ivete odiava aquilo tudo. Ficava com os serviços contábeis, as contas a pagar e atendia a telefonemas.
Ao menos duas vezes na semana, Ivete ia ao banco. Para ela esse era o seu melhor passatempo. Se arrumava toda. Emperetecada chegava por volta das 13:30 e voltava as 15:00 para casa, saltitante.
Gaspar, que não se ligava muito à esses pequenos problemas, confiava plenamente na mulher.
De duas passaram-se a três vezes na semana, as idas de Ivete ao banco. O gerente, muito simpático a atendia com prioridade e entusiasmo. Abriu uma conta particular para ela, deu-lhe cartões de crédito e providenciava para que Ivete não pegasse fila.
Numa sexta-feira, Ivete atrasou-se e o banco ja havia fechado. Naquele dia, martirizou-se o dia todo. Repetia a si mesma que na segunda estaria lá as 13:00 em ponto.
Dito e feito, na segunda Ivete entrou no banco as 13:00 e só voltaria para casa as 16:00.
Gaspar havia esquecido de entregar à ela, uma conta que vencera naquele dia. Correu pro banco atrás de Ivete.
Eram 14:55 quando ele pisou no local. Olhou para todas as direções e nada de sua esposa. Nem na fila, nem na mesa do gerente, nem no bebedouro...
Quando Gaspar voltava para o carro, vira uma moça de costas parecida com Ivete entrando numa casa ali perto. Gaspar correu para alcança-la. Ofegante, abrira o portão devagar e fora entrando como se estivesse bisbilhotando algo e tivesse medo de ser pego.
Subiu na mureta da janela e lá estava Ivete no maior aconchego. E ele pensava " ela nem sequer olha no relógio pra saber das horas"...
Gaspar ficou ali algum tempo até que Ivete tirou a roupa. Ele não conseguia ver a cara do sujeito a quem sua esposa se entregava com sede e gosto.
Gaspar num surto de ciúme e indignação invadira a casa do moço flagrando Ivete e o Gerente na cama. O mesmo futuro que teve sua irmã, estava reservado para ela.
Tempos depois, o gerente fora transferido de cidade e Ivete reatou com Gaspar vivendo novamente juntos como uma família feliz. Gatos e cachorros? Não mais. Mudaram de ramo.
Quanto a conta corrente, esta vai muito bem, diga-se de passagem.
segunda-feira, 20 de julho de 2009

Contos, memórias e contos memoráveis.
Quarto escuro.
Amélia, nome dado sem qualquer remorso a Amelinha, não fez dela uma "Amélia" da vida.
Como mulher moderna, trabalha fora. Entrou de cara na psicologia. Curiosa, enxergava os problemas da família como simples patologias, fáceis de serem resolvidas bem como diagnosticadas. Estudando, entendeu o que depressão significa, conheceu teorias sobre o histerismo e outras neuroses.
Amelinha, filha única, sofreu. Sofreu de atenção demais. De espectativas demais. De ausência de irmãos. De dificuldade em dividir seu espaço com os outros. Mas também obteve ganhos. Teve o que quis.
Só que a Amelinha herdou certas obssessões. Por isso a psicologia.
Mania de falar com vozinha de criança. Mania de ter sempre as mesmas roupas no armário. Mania de ser sozinha. Mania de dormir. Seu tom de voz demonstra facilmente sua fragilidade. E olhando de perto, ninguém é normal.
Com o tempo, Amelinha foi obrigada a fazer análise. Precisava trabalhar contra a necessidade que tinha em dormir durante o dia. Além de concluir que também era maníaca.
Como se não bastasse as 8 horas de sono normais a qualquer ser humano. A rotina de Amelinha, baseava-se em acordar por volta das 07:00 trabalhar até as 13:00, almoçar, voltar pra casa e dormir. Completando mais 4 horas. A noite estudava.
Sua própria rotina já dizia. Havia repetitividade demais nas ações de Amelinha.
Em seu armário, roupas separadas por cores, milimetricamente arranjadas. Tudo muito cheiroso e limpo. Arrumava a cama todos os dias, sem deixar nenhuma curva na colcha.
E banhos. Banhos demorados. Dois ao dia. Um pela manhã, e o outro pela tarde antes de colocar seu pijama e dormir. É, ela colocava sim, o pijama pra deitar e dormir a tarde. Ao chegar da rua, lavava as mãos. Cinco, seis vezes. E quando ela pegava pra limpar uma coisa ela deixava a coisa verdadeiramente limpa. Nunca atravasa o pagamento de uma conta. Nunca guardava uma roupa suja no armário. Mesmo que a tivesse usado, uma única vez, apenas para ir ao supermercado.
Nas compras do mercado, os mesmos iogurtes de sempre. O mesmo pão de centeio da mesma marca, o mesmo suco, a mesma quantidade de peito de peru e queijo minas. E pro almoço, o mesmo restaurante, e as mesmas comidas no prato.
Os horários eram sempre os mesmos. Amelinha seria alvo fácil de perseguidores.
Mas não soubemos de nenhum que queira te-la seguido.
Tudo foi sempre muito bem planejado. Muito bem estruturado. Tudo muito limpo e tudo muito regrado.
Vivia um transtorno. Era T.O.C o que ela tinha.
Alguma coisa precisava mudar a rotina dessa moça. Bonita, jovem, única herdeira. E apesar de ter muitos amigos, não tendia à vida social.
Até que Amelinha conheceu um cara oposto à ela. Com ele ela penou. O rapaz era liberto, sociável, extrovertido, gostava de festas e viagens. Via nela a Amélia que ela não era. Via nela, a boa moça pra casamento. Enquanto Amelinha queria dele atenção e cumplicidade, Kiko queria dela espera e gratidão. Amelinha soltava sua loba e ele a estepe.
Tentaram por alguns meses, pegar no tranco. Em vão. Amelinha acelerava e ele dava a ré. Até que chocaram-se de frente. Prato cheio para a cura de Amelinha. Agora está obcecada por homens. Quer os muito limpos e cheirosos, que a coma todos os dias nos mesmos horários e nas mesmas posições.
Que vá ao mercado para ela e estenda sua cama sem deixar amassos. Que goste de peito de peru e queijo minas. Não abre mão de ter dois banheiros em casa, e diz também que quer guarda-roupas separados.
Ah, dormir junto, só se for com o quarto escuro e tem de bater na porta 3 vezes antes de entrar. Pra que dê tempo dela vestir a mesma calcinha cor-de-rosa estampada de ursinhos, própria para ocasião.
Perguntamos à ela, porque haveria de ser essa calcinha anti- tesão de sempre. Ela disse: foi com ela que me tornei a Amelinha que sou hoje.
quinta-feira, 16 de julho de 2009

Contos, memórias e contos memoráveis
Eu quero o divórcio
Josué é daquele tipo de homem que vive um mundo a parte.
Casado, professor de ciências e pai de Jonny.
Ter aulas com Josué é um passaporte para a lua. Ele ensina sobre o espaço, a mirabolar fórmulas mágicas, a estudar o corpo humano e adotar um esqueleto.
Seu sonho de menino era ser astronauta. Nunca escondeu isso. Decidiu-se pela didática pois é do tipo que muito tem a dizer e pouco a guardar a si mesmo. Porque cargas d'água, Josué não insistiu na carreira de astronomia isso ninguém sabe. Pois inteligência nunca lhe faltou. Josué não é muito de se defender nem de se entregar. Ele é apenas um homem conservador e nerd.
Ao filho Jonny, ensinou as teorias todas sobre o conhecimento. Aos alunos deixou o seu legado. Jonny foi também aluno do pai, e como tal foi exemplar. Como ser humano, idem e profissionalmente um homem de bens. Tudo graças a Josué.
Já Maria Antonieta, sua esposa, aprendeu a conviver com o universo meio estranho de Josué, tendo que ter, o seu próprio canto. Num mesmo terreno, moram em casas diferentes. Apenas com esta condição, Josué deu à eles tudo o que podia para que formassem uma família feliz.
Ao decorrer da vida, o casal passou por crises. Jonny, o único filho do casal, já adulto, seguiu seu próprio caminho sem dramas.
Desesperada com a solidão em matrimônio, Maria Antonieta que sempre fora uma mulher rica e também inteligente, quis a separação. Desesperado, Josué foi atrás de uma solução. Pensou bem, analisou o histórico da esposa, de si mesmo e resolveu propor-lhe uma nova vida.
Não abriu mão, é claro, do seu mundo, o canto onde vive. Manteve a mesma condição. Mas para que pudesse mudar verdadeiramente todo o contexto de vida da família, propôs que mudassem seus nomes. Mudassem a rotina, as roupas todas do guarda-roupa, as mobílias da casa de lugar. Pintou paredes, trocou de carro, trocou os números do telefone, aposentou, passou a cozinhar, a viajar com Maria Antonieta que agora era Deyse. Jonny virou Oswald porque gostava do nome e Josué, ficou sendo Paulo Otávio.
Josué acredita na possibilidade de existirmos e nos tornarmos o que quisermos. Se existe uma só vida, nela podemos viver da forma que fique melhor para todos.
Maria Antonieta, quer dizer, Deyse concordou com a brilhante ideia e deu a Paulo Otávio a oportunidade de conquistá-la. Casaram-se novamente, e entre eles, pela primeira vez.
Jonny achou tudo maravilhoso e passou a visitar os pais com mais frequência.
Paulo Otávio se superando, não sente a menor falta de sua antiga identidade.
Sua criatividade o levou a recuperar muitas das coisas que ele antes como Josué, não fazia.
Paulo Otávio aos cinquenta anos, constróe engenhocas e participa dos programas de teste da Nasa. Deyse, agora a esposa feliz até ajuda o marido em suas genialidades.
Divorciados da antiga vida que tinham, nasceram de novo.
quarta-feira, 15 de julho de 2009

Contos, memórias e contos memoráveis.
Desenterranto a "mardita" - a emboscada.
Augusto nasceu na família Junqueira mas também na Barbosa, o que não o desclassifica de uma nem outra. Quem conhece sabe. Um Barbosa que se preze "perde o amigo mas não perde a piada"... Perna mole, queixo duro. O bom Junqueira da vida, tem no sangue, o gosto de uma boa cachaça.
A bebida é para Augusto sua fonte inesgotável de alegrias. É o lado sereno do extravasar contido.
Para Augusto o mundo podia cair ...mas se tivesse a branquinha do lado, podia então despencar do barranco.
Augusto sempre teve um bom coração. De muitos amigos e de um só amor. Com Lena teve três filhos. Estes, misturaram bem os sangues. Puxaram dos Barbosa a piada e os amigos. Dos Junqueira a fonte inesgotável de alegrias. Cuidado com as heranças. Elas podem causar dependência.
É pois é, Augusto ensinou bem, e se for ver bem, não ensinou, foi mesmo uma questão de sangue.
Dizem que quando jovem, os escandâlos alcólicos dos Junqueira eram homéricos e como não podia ser diferente, faziam bodas na cidade. Sempre com uma certa leveza. São tradicionais.
Ele mesmo, mora na rua com o nome do ilustre coronel "Olavo Barbosa", seu avô e é vizinho da mãe. Conversam da janela. Contam piada de longe. É um entra e sai que só acaba quando um e outro tem de sair de fininho. Incomum todos eles têm, uma certa lealdade para com os cachorros, vira-latas de rua tem lugar cativo e é claro, fermentados e destilados, lugar sagrado.
Casa cheia nunca foi demais para eles. Acostumados, tinham bar na cidade e sabem muito bem ser populares. A simpatia e a extroversão também é de sangue dos Barbosa. " Tamo junto e tudo misturado" ... e é por ai.
Só que um dia a casa cai. Beber para Augusto era a maior gostosura mas para o fígado dele, não.
O bichinho reclamou e Augusto foi obrigado a parar...
Dizia ele que "o gostoso é a zuada que dá na cabeça". Eis que a cabeça de Augusto parou de zoar.
Comovido, passou a cuidar mais de si mesmo. Foi promovido no trabalho, mudou de casa, de cidade e vai receber uma grana boa do governo. Estabelecendo assim, um novo legado.
Longe dos filhos, mora agora numa cidadezinha distante, há mil quilômetros da terra natal. Aos cinquenta anos, quis até ser pai de novo. Lena, a esposa, apaixonada se não tivesse ligado as trompas, teria tido o quarto. Em lua de mel, uma nova fase se apresenta à eles. É a pós alcolia de Augusto - uma mistura de melancolia com abstinência - que como qualquer outra fase traz suas consequências. Foi então que Augusto lembrou-se de uma pinga enterrada num sítio prá lá de Montes Claros, cidade esta onde obteve em sua juventude, momentos felizes.
Sem nada beber, há meses entrou em trabalho de parto. Queria porque queria desenterrar a pinga. Convocou os filhos para o momento histórico.
Dois deles, saíram do sul de Minas com as namoradas e um destino de mil kilometros pela frente.
Sua outra filha, saiu da capital São Paulo rumo a uma viagem rara, lenta, traumática e inesquecível. Durante vinte horas conviveu com o pesadelo de dividir aromas de frango com farofa, suquinho artificial de laranja, amendoizinhos de pacote com guaranazinho de abacaxi e poucas, muito poucas paradas para um eventual cigarrinho. Uma idazinha básica ao banheiro estático. Vidros imperrados afim de respirar ar puro. Celular fora de área pra um caso de desabafo do bafo do ônibus e de si mesma. E uma vontade louca de gritar e sair correndo, que se dependesse dela com uma latinha de cerveja na mão teria era gritado mesmo: seu bando de farofeiro, nunca viram frango na frente não? E você ai na frente moleque ranhento pára de arrotar esse fedor de guaranazinho jota efe misturado com as porcarias que voce come com essa bunda gorda sentada nesse banco fedido.
Emputecida, a filha de Augusto chega exausta na cidade cuspindo marimbondos prometendo a si mesma e berrando que naquele ônibus ela não faria o caminho de volta.
Conhecendo bem a família Barbosa, tenho certeza de que a frase exata foi: "pau no cú dos prejudicados"...
No hotel, a família ocupou um andar todo. Imagino as portas dos quartos todas abertas como se estivessem na sala de suas casas gritando de um cômodo ao outro: "Priscila, não vai mijar na calça de tanto rir"..., "Augusto ce naõ pegou a enchada, viemos até aqui e agora não tem com o que desenterrar a pinga"..., "André vai na vendinha ali embaixo perguntar se eles têm uma pá pra gente comprar"...., ah eu vou sim, com certeza, o rapaz vai perguntar pra mim... essa aqui é boa pra plantar muda pequena e essa boa pra plantar muda grande, qual das duas vc quer?.. e vou dizer pra ele, pra desenterrar uma pinga de uns trinta e dois anos mais ou menos, você tem...?"
Engana-se quem pensa que eles não sabiam mais onde estava enterrada a pinga e perderam a viagem. Acertou quem pensa que a pinga virou vinagre. E eles perderam a viagem.
Não prestou foi pra nada. Só pra virar mais uma das histórias da família Barbosa.
E desconheço o final que teve.
Só sei que a Priscila aceitou ir de ônibus até Belo Horizonte e de lá alçou vôo de volta a "capitar"...chegando mais uma vez exausta do final de semana fatídico.
E o Augusto que pensou que ia negar a "mardita", foi negado por ela.
Fazer o que? ... Acontece. Nas melhores famílias.
Se tivesse sido enterrada no sítio dele, bem debaixo do seu nariz, era bem capaz da pinga ter estado boa.
quarta-feira, 3 de junho de 2009

All we need is love!!!
"Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado. De bater na porta do vizinho e desejar bom dia de beijar o português da padaria!"
Eu quero amar como daquela vez em que voce me ensinou a cantar essa música.
Eu quero andar pelos lugares que a gente andava e pareciam totalmente novos pra mim. E eram.
Quero de novo sentar naqueles lugares que davam pra esquinas de ruas com subidas. Quero atravessar o sinal correndo porque via voce na minha frente olhando pra trás gritando o meu nome. Quero correr pela chuva de chinelos gargalhando pisoteando poças que ensopavam nossas calças. Quero que me leve no café com letras, no pub com banda de rock, no boteco com cerveja gelada, no quiosque da brahma, no melhor sanduiche de chapa, e pra comer japonês. Lembra daquela vez que voce roubou o carro da sua mãe e dirigiu sem carteira só pra me mostrar aquelas casas lindas no bairro mais bonito da cidade..
Era bom demais escutar Nando Reis com voce do meu lado: "então me diga se voce ainda gosta de mim, porque de voce eu gosto, e isso nao pode ser assim, tão ruim..."
As noites nas boates eram mais divertidas com voce colado na minha cola, me esperando na saída do banheiro e pedindo a mesma coisa pra gente beber. E no auge da diversão querer embora so pra ficar mais colado ainda...
Nao existe coisa mais gostosa quando se namora que é saber que os dois vão embora pro mesmo lugar!
Nao tem coisa mais gostosa que chegar em casa junto, continuar o assunto, comer junto, dormir junto e acordar junto.
Nao existe coisa mais gostosa de se pegar apaixonado por quem voce quer estar.
Eu me apaixonei por voce quando está comigo e fiquei gostando mais de mim com voce por perto.
Eu me lanço aos desafios na sua presença. Com voce sou forte, sou verdade, sou eu.
E nao quero que o momento acabe que a musica termine que as horas passem e que eu tenha que mais uma vez me despedir.
Eu quero um momento que nao acabe com voce.
Eu quero dias perfeitos!
Eu quero te encher de beijos, te colocar no meu colo e deixar que voce me conte tudo o que eu preciso saber.
Tudo o que eu preciso quando te vejo é amor.
Porque voce me trouxe o amor. Voce me fez enxergar o amor em mim. Voce me deixou à vontade pra amar voce.
Agora eu sei, nossos modos já nao sao os mesmos, mas a cada vez que te olho eu vejo o que eu preciso saber.
Certas coisas nao precisam ser faladas. Nao precisamos mais discutir o que incomodou. Precisamos viver o que ficou em aberto.
"há quanto tempo eu conheço voce e quanto tempo eu ainda vou viver... e eu pretendo o que nao entendo eu prentendo apenas, que voce saiba que isso é o meu amor..."
quinta-feira, 21 de maio de 2009

Faço da quinta, a mais bem-intencionada.
No horóscopo dos arianos, consta que o melhor dia da semana pra gente é a terça- feira.
Ariano é cabeça dura, você já deve ter ouvido falar.
E como sou uma ariana que se preza, resolvi que não. O dia apropriado à mim cai sempre numa quinta-feira.
Coloquei uma magia em cima das quintas que esse dia da semana se revela à mim, como o dia propício às transformações.
Ariano é cabeça dura, você já deve ter ouvido falar.
E como sou uma ariana que se preza, resolvi que não. O dia apropriado à mim cai sempre numa quinta-feira.
Coloquei uma magia em cima das quintas que esse dia da semana se revela à mim, como o dia propício às transformações.
Quintas são convidativas. É a pré da sua sexta-feira. É um dia até nostálgico se for ver bem. É um dia da semana, que se cai com feriado, te deixa emendar com o dia seguinte. É o faniquito querendo despertar. É o dia do plano. Da audácia. É o dia do desejo de querer mais.
Não fui à praia, não andei pelas ruas de Ipanema, não gastei com o que já tenho, tão pouco parei em lugarzinhos pitorescos à espera de ordenar meus pensamentos ou ver pessoas trafegando pelas ruas. Embora dar um pulo na “travessa”, fosse típico de uma quinta-feira.
Eu saí foi cedo de casa. Pra sentir o cheiro da brisa que bate na Urca nessa época do ano, um pouco mais fria. Pedalo enquanto observo casas desenhadas arquitetonicamente para o bairro. Das que não ficam na Orla, terraços e janelas charmosas se oferecem aos olhares. Das que não ficam, insinuam-se lindas tanto quanto. São menos óbvias. Ali e acolá residem pessoas que não vejo entrarem ou saírem de suas casas, não sei qual a idade que têm, ou o que fazem. Imagino apenas o quão agradável deve ser o deleite em meio a tamanha tranquilidade e imponência de se viver.
Na volta, procuro observar a graça da minha rua. Arvores altas e delicadas, se entrelaçam cobrindo o céu de verde. Tem até um pau brasil de 1982 bem em frente ao meu prédio. Poucos carros me pedem licença. Pedalo olhando pra cima como se quisesse puxar o ar puro todo pra mim. E agradeço o meu sutil observar das coisas que estão ao meu redor todos os dias.
Passo pela hall de entrada, o porteiro simpático me entrega o jornal. Subo pensando numa rádio com músicas bossa-nova pra relaxar e enquanto ligo o som, ponho reparo na minha parede também verde, e que apesar de não ser minha, sinto o quanto a cor me traz o sossego que eu antes encontrava, numa rede preguiçosa na chácara dos meus avós. Ligo um incenso que traz escrito na caixinha, pêra com especiarias e ervas do campo, “ portal do sucesso”, e eu ainda reparo nessas promessas na hora de escolher o aroma. Acendo e deixo tocar musiquinhas Mpb.
O jornal me olha como se meu dever fosse engoli-lo todos os dias. E como toda ariana feliz, só quero notícias boas e agráveis pra começar bem a minha quinta especial. Me rendo então, a coluna do Contardo Calligaris. Como não poderia ser mais do que bem-vindo, escreve as quintas-feiras na Folha de S.Paulo. Sublinho alguns dizeres, porque essa é uma mania que eu tenho. Assim como sublinho as frases boas dos livros.
O que me salta aos olhos, desta vez, é a pergunta lançada: “No mundo desencantado, como não empobrecer nossa experiência?”
É então que me lembro de partes da minha rica infância, da primavera na chácara dos meus avós, do cheiro de bolachinha de nata, da gangorra vermelha rodeada de margaridas e o balanço enferrujado que me deixava mais próxima das estrelas. Subir na mangueira da casa da minha avó e ficar horas no meu galho preferido chupando manga.
É então que me lembro de partes da minha rica infância, da primavera na chácara dos meus avós, do cheiro de bolachinha de nata, da gangorra vermelha rodeada de margaridas e o balanço enferrujado que me deixava mais próxima das estrelas. Subir na mangueira da casa da minha avó e ficar horas no meu galho preferido chupando manga.
Eram os desejos favoritos da minha infância.
Não deixar morrer nossos desejos é a resposta que eu tenho para o não empobrecimento da nossa experiência na vida. O que remete a uma outra frase também lançada por Calligaris, “ a maior traição é a do nosso próprio desejo”. O ideal seria então, nos trairmos menos. Ou, ser fiel aos nossos desejos.
Não deixar morrer nossos desejos é a resposta que eu tenho para o não empobrecimento da nossa experiência na vida. O que remete a uma outra frase também lançada por Calligaris, “ a maior traição é a do nosso próprio desejo”. O ideal seria então, nos trairmos menos. Ou, ser fiel aos nossos desejos.
Nos transformamos em pessoas menos felizes quando deixamos de realizar o que desejamos. E quando deixamos de ver beleza e magia nas coisas simples da vida.
Só que nossos desejos não são todos prontos ou estão em fila indiana esperando a sua vez chegar. O que faria com que experimentássemos todos eles. Quem de nós só faz o que deseja? Se poucos sabem o que realmente desejam?
Só que nossos desejos não são todos prontos ou estão em fila indiana esperando a sua vez chegar. O que faria com que experimentássemos todos eles. Quem de nós só faz o que deseja? Se poucos sabem o que realmente desejam?
Enquanto isso, escolho uma sugestão e fico com ela: o mistério da simples presença.
A simples presença por si só, traz todas as possibilidades de encanto.
Eis um rico desafio à nossa experiência divina, já que é um mistério.
Sendo assim, termino a poesia. Fazendo fundo a canção “ eu caçador de mim” do iluminado “Bituca”, na 90,2 Fm.
Não, não quero ler sobre desgraças e politicagem, oferecidas nos jornais. Acabo de dobrá-lo e deixar num canto. Essas notícias me fazem lembrar a existência do desencantamento de mundo. E como toda ariana não pode perder seu romantismo, pra que lembrar que estamos cercados por pessoas que querem nos transformar em objetos de suas funcionalidades?... Muito bem incitado por ele, meu querido Contardo. Ele sim, me conta as coisas que quero saber. Ele sim me faz acreditar que o “portal do sucesso” existe.
A simples presença por si só, traz todas as possibilidades de encanto.
Eis um rico desafio à nossa experiência divina, já que é um mistério.
Sendo assim, termino a poesia. Fazendo fundo a canção “ eu caçador de mim” do iluminado “Bituca”, na 90,2 Fm.
Não, não quero ler sobre desgraças e politicagem, oferecidas nos jornais. Acabo de dobrá-lo e deixar num canto. Essas notícias me fazem lembrar a existência do desencantamento de mundo. E como toda ariana não pode perder seu romantismo, pra que lembrar que estamos cercados por pessoas que querem nos transformar em objetos de suas funcionalidades?... Muito bem incitado por ele, meu querido Contardo. Ele sim, me conta as coisas que quero saber. Ele sim me faz acreditar que o “portal do sucesso” existe.
terça-feira, 19 de maio de 2009

" É na dificuldade que nascem os inventos e as grandes estratégias. Quem supera a dificuldade supera a si mesmo, sem ter sido superado".
Einstein.
Einstein.
Repare bem: Toda vez que você achar que não vai dar conta do recado, páre e anote tudo. Depois saia fazendo uma coisa de cada vez para que consiga fazer bem cada uma delas. Depois comece a fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. E quando você achar que não vai dar conta, páre , respire e preste atenção, não há nada que não possa ser feito por você. E se depois de tudo o que for feito, você ainda continuar fazendo, páre e preste atenção, você se superou.
Não dói nada, ultrapassar as medidas dos limites que achamos que temos.
Toda e qualquer dificuldade só parece ser uma, quando parte de algo ainda desconhecido para nós.
Toda vez que tornamos algo conhecido ao nossos olhos, eis que surge a oportunidade de pular para o próximo passo.
Tudo é possível. E a nós foi dado toda a inteligência para criar as possibilidades.
Está em nós, a possibilidade para a concretização de todos os nossos desejos.
Não dói nada, ultrapassar as medidas dos limites que achamos que temos.
Toda e qualquer dificuldade só parece ser uma, quando parte de algo ainda desconhecido para nós.
Toda vez que tornamos algo conhecido ao nossos olhos, eis que surge a oportunidade de pular para o próximo passo.
Tudo é possível. E a nós foi dado toda a inteligência para criar as possibilidades.
Está em nós, a possibilidade para a concretização de todos os nossos desejos.

A melhor maneira de amar é livremente
quem ama preso, ama à quem atende as suas necessidades.
Amamos alguém pela poesia que a pessoa nos provoca instantâneamente.
E a boca que chama à algum desejo. É a forma de olhar. É um mistério incidente na pessoa.
Está na forma que temos que ser, que livremente nos deixa aproximar do que nos atrai.
Quando voce se dá conta, o seu corpo vai na frente.
As melhores relações de nossas vidas, só se dão por causa do amor.
As relações que mais nos consomem são aquelas que nos tiram da forma habitual que conhecíamos inicialmente a respeito de nós mesmos.
Toda vez que a gente ama, ama um pedaço de nós no outro. Vemos no outro características pessoais que temos. E que de uma certa forma é incitada por ele. Nossos desejos ficam a mercê dos desejos do outro, na tentativa de difundirem-se numa coisa só.
E voce fica desejando o bem daquela pessoa, porque é como se desejasse o bem a si mesmo.
Porque sabe que nela mora uma parte que é sua.
E quando os defeitos aparecem vemos o quanto ainda somos frágeis. O quanto o outro tem de dar de si pra que possamos ficar melhor. E o quanto nos aprimoramos nessa imagem de semelhança.
O amor nos dá a medida do que somos, das coisas que gostamos e também das que não queremos.
O amor é a mais bonita forma horizontal entre dois seres humanos. Porque é quando estamos amando que deixamos transparecer todas as coisas das quais temos medo de sentir. E no sexo, as quais não sabíamos que sentíamos.
O medo aparece pra não deixar o amor morrer. Porque o amor não é feito para se ter controle.
Porque o amor é a forma mais livre e absoluta de existir. E não temos como controlar essa nossa forma mais livre e absoluta de existir.
A maior prisão que possa existir é não saber amar. Quem não sabe amar, fica escravo de suas próprias dores, de seus desejos supérfluos, de seus mais descabidos impulsos.
Jamais seremos completos se não conhecermos o amor. Assim como jamais seremos totalmente livres se não amarmos.
O amor é a beleza maior contida em cada um. É a fonte inspiradora de toda e qualquer criatura.
O amor é o maior resgate que podemos ter de nós mesmos.
É o amor que nos prepara para o próximo combate. Está nele a magia de tudo o que acontece pelo caminho. É o amor o responsável pela maior doçura que possa haver em nossas entranhas.
Mas é o amar livremente o que te deixa obter mais desse amor. É o amor livre o que te faz querer mais do amor.
A livre forma de amar não é querer que o outro te ame da mesma forma. É levar a ele a forma que você tem. É não sentir-se escravo do sentimento. Mas sentí-lo com toda a sua intensidade.
O amor deixa suas deixas. E é preciso indentificá-las. O amor é livre, o segue quem dele gostar. O amor é a maior transparência que existe entre duas pessoas que se amam. É querer partir, e querer ficar.
É ter que ter um tempo só pra si. É não querer desgrudar.
É tirar do seu pertencimento as suas maiores agruras. É não se pertencer mais, nem a si nem ao outro. É render-se ao encantamento presente.
O amor é uma espera. E quando vem é reconhecível.
Pois só o amor é capaz de modificar tudo o que há em nós.
O amor é a única forma de nos sentirmos verdadeiramente VIVOS.
segunda-feira, 18 de maio de 2009

Não se engane, toda pessoa bacana é complicada
Sábado.
Sábado é um dia que antecede o domingo chato. Sábado é a sexta-feira que te deixou esgotado a semana toda. Sábado é o dia que não dá tempo de comprar tudo o que voce precisa. É o dia que não dá pra pagar conta. Que traz o eterno impasse entre relaxar e fazer o que está pendente.
Bom pra jantar fora, pegar uma praia, viagenzinha curta...
De uns bons tempos pra cá, sair pra noite aos sábados é programa de índio. Não é mais IN é OUT, na linguagem dos sobreviventes das gírias descomplicadas. E bota tupi-guarani nisso.
Aparece um convite pra uma festa bacana.
E o que faz uma festa ser ou não, bacana?
Ai, voce que anda exausta de tanto trabalho, que não sai há um tempão com as amigas, não dança, não beija, não coloca um salto e é solteira, resolve que deve ser bacana e vai.
Um brinde aos velhos tempos:
O tempo em que você comprava roupa só pra ir à uma festa. Das pilhas de convite na sua caixa de correio. O tempo em que achava o máximo ver gente estranha e imaginar o quanto bacana elas deveriam ser. Ficar bêbada, beijar gatinho que nunca mais vai ver, se perder das amigas, ser a última a sair claro e achar que isso, ainda é história pra contar.
Aí pensa:
Bebo antes pra chegar no pique e aguentar o tranco, ou bebo lá pra entrar no pique e pegar no tranco? Então bebe.
E se lembra do quanto pode ser traumático chegar em casa com o dia amanhecendo. Isso não.
Se você é da era dos que chegam em casa com o dia amanhecendo depois de uma noitada e acha isso lindo, passar bem.
Já na entrada do lugar, avista de longe a turminha.
Sempre tem, a turminha dos que sorriem demais, falam demais, dançam demais. E lá vem o carinha passando com o copo cheio. É aí que você lembra que está de branco. E quando é branco eu valorizo. E dá-lhe, o gordinho passou com tudo e derrubou a bebida.
Normalmente os derrubadores de bebidas e pisadores de pés, uma classe de imbecis a serem abominados da face da terra são os gordinhos-malas -desesperados ou vacas descompromissadas com o mínimo senso da ridicularidade de si próprios.
Já começa complicar. Porque além do gordinho sem noção derrubar bebida, versus a vaca que pisou no pé da sua amiga na entrada da festa, a festa é do tipo “Comercial”. Leia-se a palavra em inglês, que é escrita em português da mesma forma e serve para designar a roubada em que você se meteu.
Odeio festinhas “comercials” porque a percentagem de eu chegar a conclusão de que estou no lugar certo é diretamente proporcional a certeza de que vou chegar a conclusão que estou no lugar errado. É onde quase nunca encontro gente como a gente, sacou?
Sábado é um dia que antecede o domingo chato. Sábado é a sexta-feira que te deixou esgotado a semana toda. Sábado é o dia que não dá tempo de comprar tudo o que voce precisa. É o dia que não dá pra pagar conta. Que traz o eterno impasse entre relaxar e fazer o que está pendente.
Bom pra jantar fora, pegar uma praia, viagenzinha curta...
De uns bons tempos pra cá, sair pra noite aos sábados é programa de índio. Não é mais IN é OUT, na linguagem dos sobreviventes das gírias descomplicadas. E bota tupi-guarani nisso.
Aparece um convite pra uma festa bacana.
E o que faz uma festa ser ou não, bacana?
Ai, voce que anda exausta de tanto trabalho, que não sai há um tempão com as amigas, não dança, não beija, não coloca um salto e é solteira, resolve que deve ser bacana e vai.
Um brinde aos velhos tempos:
O tempo em que você comprava roupa só pra ir à uma festa. Das pilhas de convite na sua caixa de correio. O tempo em que achava o máximo ver gente estranha e imaginar o quanto bacana elas deveriam ser. Ficar bêbada, beijar gatinho que nunca mais vai ver, se perder das amigas, ser a última a sair claro e achar que isso, ainda é história pra contar.
Aí pensa:
Bebo antes pra chegar no pique e aguentar o tranco, ou bebo lá pra entrar no pique e pegar no tranco? Então bebe.
E se lembra do quanto pode ser traumático chegar em casa com o dia amanhecendo. Isso não.
Se você é da era dos que chegam em casa com o dia amanhecendo depois de uma noitada e acha isso lindo, passar bem.
Já na entrada do lugar, avista de longe a turminha.
Sempre tem, a turminha dos que sorriem demais, falam demais, dançam demais. E lá vem o carinha passando com o copo cheio. É aí que você lembra que está de branco. E quando é branco eu valorizo. E dá-lhe, o gordinho passou com tudo e derrubou a bebida.
Normalmente os derrubadores de bebidas e pisadores de pés, uma classe de imbecis a serem abominados da face da terra são os gordinhos-malas -desesperados ou vacas descompromissadas com o mínimo senso da ridicularidade de si próprios.
Já começa complicar. Porque além do gordinho sem noção derrubar bebida, versus a vaca que pisou no pé da sua amiga na entrada da festa, a festa é do tipo “Comercial”. Leia-se a palavra em inglês, que é escrita em português da mesma forma e serve para designar a roubada em que você se meteu.
Odeio festinhas “comercials” porque a percentagem de eu chegar a conclusão de que estou no lugar certo é diretamente proporcional a certeza de que vou chegar a conclusão que estou no lugar errado. É onde quase nunca encontro gente como a gente, sacou?
Odeio festinhas “comercials”, porque você antes de entrar, já levou meia hora pra estacionar o carro e ainda vai levar mais meia pra chegar na entrada. Filas e mais filas. Antes mesmo do seu pé começar a doer, ou ser pisoteado por alguém sempre tem alguém pra entrar na sua frente. Já entrei na frente de muita gente, em festas assim, porque naturalmente era chamada na porta por algum amigo promoter. Vingança seja feita. Toma. Só que como a fase de chamar promoters já passou e muito educadamente estou com o meu convite, tento não me estressar deixando as pessoas passarem na frente. É fila pra ser VIP, é fila pra camarote, é fila pra ingresso normal. E mais: identidade, por favor. Com 30 anos a gente ainda tem que passar por isso.
Nessas festas, estão entre a maioria dos frequentadores, os solteiros chatos, os casais insuportáveis e gente como eu, que ganhou o convite, vai pela música mas insiste em falar mal da festa.
E os solteiros legais, onde estão? Solteiros legais já são considerados uma raça em extinção.
Os poucos que sobraram, deixaram de frequentar esse tipo de lugar, ou se transformaram em ex solteiros legais. Porque legalmente estão namorando. Devem estar curtindo em algum lugar das ilhas Maldivas.
E eu continuo a ser solteira e não estou nas ilhas Maldivas. Toma.
Duas coisas, substituem os solteiros chatos: As vacas pisadoras de pés e os gordinhos derrubadores de bebidas – Ou seja é tudo o que voce vai encontrar pela frente, durante a sua noite de sábado.
Ser solteiro não é ser um chato, pelo amor de Deus. Mas sair por ai, sendo um chato solteiro é comprometer a sua potencialidade em deixar de ser um. Solteiro chato é raça que só namorou gente chata a vida inteira. Ou pior ainda é tão insuportável que não consegue namorar nenhum outro chato. Gente chata é gente chata. Não existe ex chato.
Pessoas chatas vão aos bondes nestes tipos de festas porque não fazem outra coisa durante a semana a não ser se resguardarem e pouparem todo o dinheiro da semana para a festa tal que tem o nome tal que o fulano de tal vai tocar e que vão várias fulanas de tais que vão estar presentes com mais um monte de fulanos de tal. Tem coisa mais chata do que usar esse tipo de argumento pra sair de casa?
Festas grandes são feitas para um único objetivo: ganhar dinheiro. Explorar trouxas.
Long necks vão de 10 a 12,00. Doses de wisky falsificados custam 25,00. Vodkas varoviskis, kronosvissks, noff misturadas com qualquer coisa, dão amnésia. Seu fígado merece coisa melhor. Seu bolso também.
No bar uma placa imaginária me vem em mente:
O ministério da saúde adverte: se quiser continuar bebendo, tome agora mesmo o seu coquetel engov-eplocler para que amanhã você não venha a ter um surto de arrependimento por ter vindo. Obrigada.
Os banheiros. Ah os banheiros. Aquelas cabines verdes lesadas que não dão descarga nunca, nunca são sufucientes para o número de pessoas presentes.
Até voce se livrar das muitas cervejas quentes que tomou, já mijou nas calças. Aí vem o momento de adentrar a cabine. Já ta craque no fazer “Stand up” neh amiga? papel higiênico pra que te quero...Isso sem falar no odor.
Ir pra casa com um gatinho depois da festa, só depois de um belo banho, meu bem. E também já passei da fase de ir pra casa com gatinho depois de festa.
Sem contar com as 29 meninas entre 17 e 27 anos que estão na sua frente pra dar aquela espiadinha básica no espelho. Combinou de encontrar com alguém? esquece. Ele já beijou duas e você já era. Quem mandou existir fila.
Falando em gatos, é bem provável que você vá beijar alguém que já beijou um monte e você nem vai ficar sabendo. Eca, isso me lembra micareta com 18 anos de idade. Ai, não tô podendo.
É realmente uma grande cilada ir a estes tipos de festas, principalmente porque o celular pega muito bem. Ou seja, as chances de voce encontrar com a sua amiga que foi ao banheiro do outro lado da pista e com aquela que foi comprar bebida pra voce, é mínima.
“Ah, voce tem telefone? Voce ta perdida? Vem cá que eu te protejo... sempre tem um bêbado, tentando se dar bem às suas custas.
Ao menos por hoje, pior do que isso, só rádio pitando as alturas: Tá onde, maluco? Eu? Tô aqui perto daquela mina goxxxxxtosa que peguei emprestado do Rodrigo.. meu sócio. Ai, dói.
Toda vez que sinto vergonha alheia normalmente já estou pronta pra ir embora.
Também odeio caras pegantes de cabelo e cintura. Fala, porque a liberdade de expressão ainda existe, mas não encosta. Como se íntimo fosse... É um absurdo. Realmente. Se este indivíduo estivesse numa fila de supermercado, certamente não passaria a mão no seu cabelo, nem pegaria a sua cintura. Sem contar naquele cara que dá o maior mole pra voce no trabalho e está lá ele, no canto acompanhado da namorada. Faz como se não conhecesse. Adoro ver os namoros todos indo muito bem, obrigado.
E você ri, ali parada observando aquilo. Que diferença tem essa pessoa na sua vida?
Nessas festas, estão entre a maioria dos frequentadores, os solteiros chatos, os casais insuportáveis e gente como eu, que ganhou o convite, vai pela música mas insiste em falar mal da festa.
E os solteiros legais, onde estão? Solteiros legais já são considerados uma raça em extinção.
Os poucos que sobraram, deixaram de frequentar esse tipo de lugar, ou se transformaram em ex solteiros legais. Porque legalmente estão namorando. Devem estar curtindo em algum lugar das ilhas Maldivas.
E eu continuo a ser solteira e não estou nas ilhas Maldivas. Toma.
Duas coisas, substituem os solteiros chatos: As vacas pisadoras de pés e os gordinhos derrubadores de bebidas – Ou seja é tudo o que voce vai encontrar pela frente, durante a sua noite de sábado.
Ser solteiro não é ser um chato, pelo amor de Deus. Mas sair por ai, sendo um chato solteiro é comprometer a sua potencialidade em deixar de ser um. Solteiro chato é raça que só namorou gente chata a vida inteira. Ou pior ainda é tão insuportável que não consegue namorar nenhum outro chato. Gente chata é gente chata. Não existe ex chato.
Pessoas chatas vão aos bondes nestes tipos de festas porque não fazem outra coisa durante a semana a não ser se resguardarem e pouparem todo o dinheiro da semana para a festa tal que tem o nome tal que o fulano de tal vai tocar e que vão várias fulanas de tais que vão estar presentes com mais um monte de fulanos de tal. Tem coisa mais chata do que usar esse tipo de argumento pra sair de casa?
Festas grandes são feitas para um único objetivo: ganhar dinheiro. Explorar trouxas.
Long necks vão de 10 a 12,00. Doses de wisky falsificados custam 25,00. Vodkas varoviskis, kronosvissks, noff misturadas com qualquer coisa, dão amnésia. Seu fígado merece coisa melhor. Seu bolso também.
No bar uma placa imaginária me vem em mente:
O ministério da saúde adverte: se quiser continuar bebendo, tome agora mesmo o seu coquetel engov-eplocler para que amanhã você não venha a ter um surto de arrependimento por ter vindo. Obrigada.
Os banheiros. Ah os banheiros. Aquelas cabines verdes lesadas que não dão descarga nunca, nunca são sufucientes para o número de pessoas presentes.
Até voce se livrar das muitas cervejas quentes que tomou, já mijou nas calças. Aí vem o momento de adentrar a cabine. Já ta craque no fazer “Stand up” neh amiga? papel higiênico pra que te quero...Isso sem falar no odor.
Ir pra casa com um gatinho depois da festa, só depois de um belo banho, meu bem. E também já passei da fase de ir pra casa com gatinho depois de festa.
Sem contar com as 29 meninas entre 17 e 27 anos que estão na sua frente pra dar aquela espiadinha básica no espelho. Combinou de encontrar com alguém? esquece. Ele já beijou duas e você já era. Quem mandou existir fila.
Falando em gatos, é bem provável que você vá beijar alguém que já beijou um monte e você nem vai ficar sabendo. Eca, isso me lembra micareta com 18 anos de idade. Ai, não tô podendo.
É realmente uma grande cilada ir a estes tipos de festas, principalmente porque o celular pega muito bem. Ou seja, as chances de voce encontrar com a sua amiga que foi ao banheiro do outro lado da pista e com aquela que foi comprar bebida pra voce, é mínima.
“Ah, voce tem telefone? Voce ta perdida? Vem cá que eu te protejo... sempre tem um bêbado, tentando se dar bem às suas custas.
Ao menos por hoje, pior do que isso, só rádio pitando as alturas: Tá onde, maluco? Eu? Tô aqui perto daquela mina goxxxxxtosa que peguei emprestado do Rodrigo.. meu sócio. Ai, dói.
Toda vez que sinto vergonha alheia normalmente já estou pronta pra ir embora.
Também odeio caras pegantes de cabelo e cintura. Fala, porque a liberdade de expressão ainda existe, mas não encosta. Como se íntimo fosse... É um absurdo. Realmente. Se este indivíduo estivesse numa fila de supermercado, certamente não passaria a mão no seu cabelo, nem pegaria a sua cintura. Sem contar naquele cara que dá o maior mole pra voce no trabalho e está lá ele, no canto acompanhado da namorada. Faz como se não conhecesse. Adoro ver os namoros todos indo muito bem, obrigado.
E você ri, ali parada observando aquilo. Que diferença tem essa pessoa na sua vida?
Sem contar com as pessoas exibindo aqueles pedaços de papel no braço que simbolizam o acesso ao camarote onde ficam os “Se se”. Se amando, se querendo, se fazendo, se sentindo, se dançando, se exibindo, como se tivessem sido pagos pra fazer figuração.
Camarote é bom, quando é camarote mesmo. Do contrário queridos, chamem a produção.
E coitadas daquelas meninas e barmen que ficam a noite toda vendo pessoas transfiguradas pedindo mais bebida por favor, oi...hei...sacudindo a fichinha na mão, como se fossem invisíveis. “ aqui eu... olha eu aqui...” Essa gente não gosta mesmo de estudar.
Isso quando voce dá a sorte de ter sacado dinheiro pra gastar no lugar. Cartão? Como? Nunca ouvi falar... aqui a gente não aceita isso não, querida. Uma festa desse "gabarito" e a maquininha do Visa, não estar presente.
É um bando de gente, que tira o dia pra ser alguém. Ôh raça: seguranças, barmen, tiazinhas do banheiro, mulherzinhas do caixa. Salvo os que estão ali porque precisam mesmo.
E na sua frente, lá está a turminha do flash: vestida igual, dançando igual, cantando errado e tomando vodka com energético. Mais uma foto aqui nesse canto, gente, perto do DJ. Essa é a minha música preferida....
Ah por favor, prefiro ir pra Paris passar frio. Isso dá problema de coração, minha gente.
E de repente, vem um “in- balado” de óculos. Nem na melhor festa do mundo é legal de se ver. Gente que usa óculos escuro na noite, Não. E vem o in - baladinho de regata, mochila nas costas fazendo par com uma dessas garotas que usam calça jeans e top. Barriga de fora à noite, Não dá. E pronto. Aliás, tem coisa mais over, do que usar a barriga de fora? Meu deus, essas pessoas não assistem GNT Fashion?
Cada vez mais, chego a conclusão de que poucos sabem fazer uso do dinheiro que ganham.
Olha lá, o bando de zé coxinha rasgando dinheiro com champagne que não vale o rótulo rodeado de modelos. Pegou alguém? Não. Só o telefone.
Mulher só paga a própria bebida quando não tem saco pra simpatia.
E minha amiga me contou dia desses, de um panaca que tinha nomes pra colocar na lista da "pink elefant" em S.P : “ é modelo? Não. Ah, então não vai dar” . Não mesmo. Porque dá pra você, eu não vou. Foi o que ela disse pro cara.... Adoro.
Como podem, esses caras de 20, 30 e 40 anos precisarem de tanta auto-afirmação. Pra vocês verem o nível das pessoas frequentadoras de noitadas. Homem achar que tá sendo alguma coisa, porque coloca nome em lista de festa e sai na frente por que tá acompanhado de uma mulher linda de 1,80 que não dá a mínima pra ele. “Enche aqui pra mim”... é tudo o que se ouve no acesso restrito. Tanta necessidade, custa caro.
Eu acredito na possibilidade: "Zé coxinha de balada tem peru pequeno". Homem que é homem, não precisa bancar garrafas de bebidas pra mulherada. Agora se voce tem mesmo pra gastar, ai o problema é seu. Vê se investe numa sessão de terapia, vai querido.
Sabe porque eles adoram colocar champagne- regado, na mesa? “Porque quando as bolinhas sobem, as calcinhas descem.” Hahahahahah
Tô mais pra festinha fechada numa terça-feira. Clima social-familiar. As pessoas se arrumam porque são naturalmente bem-vestidas. Conversam. A musica é boa e dança quem quiser.
Voce é convidado porque é amigo. Troca telefone porque quer ter o contato. Não pega fila, o celular pega, a roupa volta inteira e ninguém pisa no seu pé. Bebe champagne geladinha a noite inteira e não péla saco dos outros. Toma. Pelo menos a ressaca do dia seguinte, vai ser na classe.
Aliás, tô mais pra passar frio em Paris.
Não adianta, quem conhece sabe. Toda pessoa bacana é complicada.
Camarote é bom, quando é camarote mesmo. Do contrário queridos, chamem a produção.
E coitadas daquelas meninas e barmen que ficam a noite toda vendo pessoas transfiguradas pedindo mais bebida por favor, oi...hei...sacudindo a fichinha na mão, como se fossem invisíveis. “ aqui eu... olha eu aqui...” Essa gente não gosta mesmo de estudar.
Isso quando voce dá a sorte de ter sacado dinheiro pra gastar no lugar. Cartão? Como? Nunca ouvi falar... aqui a gente não aceita isso não, querida. Uma festa desse "gabarito" e a maquininha do Visa, não estar presente.
É um bando de gente, que tira o dia pra ser alguém. Ôh raça: seguranças, barmen, tiazinhas do banheiro, mulherzinhas do caixa. Salvo os que estão ali porque precisam mesmo.
E na sua frente, lá está a turminha do flash: vestida igual, dançando igual, cantando errado e tomando vodka com energético. Mais uma foto aqui nesse canto, gente, perto do DJ. Essa é a minha música preferida....
Ah por favor, prefiro ir pra Paris passar frio. Isso dá problema de coração, minha gente.
E de repente, vem um “in- balado” de óculos. Nem na melhor festa do mundo é legal de se ver. Gente que usa óculos escuro na noite, Não. E vem o in - baladinho de regata, mochila nas costas fazendo par com uma dessas garotas que usam calça jeans e top. Barriga de fora à noite, Não dá. E pronto. Aliás, tem coisa mais over, do que usar a barriga de fora? Meu deus, essas pessoas não assistem GNT Fashion?
Cada vez mais, chego a conclusão de que poucos sabem fazer uso do dinheiro que ganham.
Olha lá, o bando de zé coxinha rasgando dinheiro com champagne que não vale o rótulo rodeado de modelos. Pegou alguém? Não. Só o telefone.
Mulher só paga a própria bebida quando não tem saco pra simpatia.
E minha amiga me contou dia desses, de um panaca que tinha nomes pra colocar na lista da "pink elefant" em S.P : “ é modelo? Não. Ah, então não vai dar” . Não mesmo. Porque dá pra você, eu não vou. Foi o que ela disse pro cara.... Adoro.
Como podem, esses caras de 20, 30 e 40 anos precisarem de tanta auto-afirmação. Pra vocês verem o nível das pessoas frequentadoras de noitadas. Homem achar que tá sendo alguma coisa, porque coloca nome em lista de festa e sai na frente por que tá acompanhado de uma mulher linda de 1,80 que não dá a mínima pra ele. “Enche aqui pra mim”... é tudo o que se ouve no acesso restrito. Tanta necessidade, custa caro.
Eu acredito na possibilidade: "Zé coxinha de balada tem peru pequeno". Homem que é homem, não precisa bancar garrafas de bebidas pra mulherada. Agora se voce tem mesmo pra gastar, ai o problema é seu. Vê se investe numa sessão de terapia, vai querido.
Sabe porque eles adoram colocar champagne- regado, na mesa? “Porque quando as bolinhas sobem, as calcinhas descem.” Hahahahahah
Tô mais pra festinha fechada numa terça-feira. Clima social-familiar. As pessoas se arrumam porque são naturalmente bem-vestidas. Conversam. A musica é boa e dança quem quiser.
Voce é convidado porque é amigo. Troca telefone porque quer ter o contato. Não pega fila, o celular pega, a roupa volta inteira e ninguém pisa no seu pé. Bebe champagne geladinha a noite inteira e não péla saco dos outros. Toma. Pelo menos a ressaca do dia seguinte, vai ser na classe.
Aliás, tô mais pra passar frio em Paris.
Não adianta, quem conhece sabe. Toda pessoa bacana é complicada.
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