
Faniquito
Bateu vontade de ligar, liga. Bateu vontade de ver, encontra.
De ir, vá.
Bate aquela sensação de liberdade gostosa quando a gente quer uma coisa e só depende da gente pra aquilo acontecer.
É bom quando se quer ver uma pessoa e lá no fundinho do seu segredinho interno, você saber que ela também quer te ver. Mesmo perguntando de última hora.
Pegar o seu carro e ir parar onde quiser. Praia, ilha deserta.Cidadezinha no meio do nada. Aquela pousada de um amigo seu. Passar no bairro onde mora aquela gata que você adora. Fazer surpresa e pedir pra entrar no carro sem mais perguntas...
Mostrar lugares novos pra quem você não esquece, só pra dar mais daquela poção de si mesmo.
Experimentar sensações novinhas em folha. O gostinho da surpresa. O sabor do desconhecido.
Aquela pontinha de curiosidade do que vem depois. Não saber nadinha do que se passa na cabeça do outro e mesmo assim, ter coragem de perguntar. E contar detalhes minusciosos da sua mágica imaginação com a malícia mais pura que existe.
A gente experimenta isso e quer mais um pouquinho só. Que é pra não enlouquecer tanto. Que é pra não esquecer que mesmo quando parece estar tudo errado. Fica tudo certo porque são vocês. O merecimento é grande, a coisa é antiga e a vontade não passa, outra vez. Que é pra não esquecer daquele seu lado que fica melhor, mais interessante, mais envolvente quando vem a química e se faz presente. E de repente descobrir mais uma porção de coisas. Que gostar é gostoso. Tem mais dosagem. Adorar é uma homenagem, praticamente. Te tira do juízo comum. Tesão na pessoa. Como é bom ter tesão na pessoa. Como é bom ter o tesão recíprocro pela pessoa.
Você ri feito uma boba. Você fala mais que a boca. Bebe sem tá com vontade. Esquece da fome. Da hora. Do tempo. Da chuva. Do compromisso. Dos que vão chegar e dos que estão ligando. Esquece que tem mais um monte de coisas a serem ditas, pra serem feitas. Esquece suas neuras e se joga no momento.
Esquece que o momento passa e a neura fica. E depois quer esquecer de tudo. Mas lembra de tudo como se fosse errado esquecer.
E brincam com o passado. Ontem mesmo, gostar, podia. Querer, acontecia. Liberdade, existia.
E daí que sai por ai amando o mundo. Sem ninguém saber porque.
E leva dentro o gostinho da gostosura. O formato da boca de encontro a sua. O corpo colado na imagem tua. Sem ninguém saber porque.
E guarda dentro a afinidade que mais tem e que menos convive. As verdades mais benditas. O valor da benevolência. As medidas ultrapassadas. As vontades realizadas.
E coisas bacanas começam a te acontecer. Não é à toa, você está bem mais você.
E você começa a entender que gostar, de um jeito que não passa independe do que se passa.
E que todo momento único tem hora pra acabar.
São curtos. Os momentos. São pequenos pro tamanho grande de cada um.
E fazem milagres pra transformar a vontade em coragem de acontecer.
Ou ter acontecido.
Uma vontade estava solta e encontrou a outra vontade presa querendo sair do lugar.
Vontades são experimentantes. Não há muito o que possa deter. Há muito que possa aproximar.
Existe mesmo é uma ponte bem no meio do caminho.
By Ju Tahan
