domingo, 24 de outubro de 2010

SÓ AQUELE QUE É O OUTRO NOS MOSTRA COMO NÓS SOMOS

CHARLES E ANA SE ENCONTRARAM PELA PRIMEIRA VEZ EM UM DESCAMPADO TERRENO BALDIO COM VISTA PARA O PÔR-DO-SOL. ELE E O AMIGO DANTE JÁ ESTAVAM A CONTEMPLAR O ESPETÁCULO DA NATUREZA QUANDO ANA E AS AMIGAS DANUZA E LELETE CHEGARAM. ELAS CONHECIAM DANTE DA CIDADE. SE APROXIMARAM DOS RAPAZES. CUMPRIMENTARAM-SE E DANTE APRESENTOU À ELAS, O AMIGO, O CARA COM O NOME DE CHARLES. NESTE INSTANTE, OS OLHARES DE DANTE E ANA SE CRUZARAM.  NESTE MOMENTO JÁ ESTAVAM ENVIANDO SINAIS CELESTIAIS UM PARA O OUTRO. ANA PAROU DE OUVIR O QUE DIZIAM SUAS AMIGAS PARA ESCUTAR APENAS OS SINAIS EMITIDOS POR CHARLES. ELE NÃO DISSE NADA. FICARAM POR ALGUNS SEGUNDOS SE ENTREOLHANDO E DESCONCERTADOS VOLTARAM A MIRAR AO PÔR-DO-SOL, QUE SE PUNHA. DANTE PERCEBEU AS REAÇÕES DO AMIGO E FEZ SINAL PARA ELE. QUERIA IR EMBORA. IMÓVEL O RAPAZ NÃO SAIU DO LUGAR E ANA QUE A ESTA ALTURA TAMBÉM JÁ ESTAVA ESTÁTICA NÃO DISSE UMA PALAVRA. SEGUNDOS DEPOIS, AS AMIGAS DE ANA ENTRARAM NO CARRO  E CHAMARAM POR ELA. CHARLES CONSEGUIU DIZER ALGUMA COISA MAS ANA NÃO ESCUTOU. TUDO O QUE VIU FOI OS LÁBIOS DO RAPAZ SE MEXENDO APONTADOS PARA ELA: VOCÊ TEM TELEFONE?
ANA FEZ QUE SIM COM A CABEÇA. E CHARLES EMENDOU: ENTÃO VENDE E FAZ UMA PLÁSTICA.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mais uma chance

Acenou de longe para a emoção, pagou sua passagem e a mandou pra bem longe. Queria descanso das tormentas, deduções e suposições. Atuações mal-feitas. Quem manda amar mergulhada.

Eram amigas. Deixava ela tomar conta, tomar de si seus pertences, aniquilar a razão, traí-la, bofeteá-la por que sempre lhe fora prazeiroso. Quanta disposição para cantar e entender as letras de músicas e filmes românticos. Lia bem, livros e pessoas. Dava nó em seus medos, as dores chatas que tinha, fazia rir e chorar por gosto. Sentia alegria e tristeza.

Depois brigaram. Deixou que tomasse seu rumo. Vá lá, pra bem longe de mim, disse ela para a emoção. Caia no mundo, se encontre em outras esquinas e faça seu carnaval em outros blocos. Coloque suas fantasias na mala e fique do outro lado do mundo nas próximas quatro estações do ano ou até quando eu quiser que fique. Queria tranquilidade e ela a perturbava. Queria concentração e ela a distraía. Queria ficar sozinha e a emoção queria gosto, gente, tato, colo. Fica a arrancando de si mesma e lá fora chove e faz frio e o seu calor é pacífico e está cabendo perfeitamente dentro dela. E aí ela vem, a chamando de egoísta por preferir a razão ao invés dela. E ela diz que não, que é a emoção que é espaçosa demais e titubeia e mete os pés pelas mãos e todas às vezes que lhe dá trela, seja pela imensidão e pelo tamanho e a altura que tem, a faz perder as rédeas e as estribeiras.

Se afaste para que eu possa ter o controle de volta, ela dizia à emoção. Sei que a vida fica sem graça sem você por perto...  Com a razão tudo fica mais claro, sério e objetivo. A mandou embora e ela se foi. Em alguns momentos sentiu falta. Sabia que se a emoção  estivesse por perto, especialmente em certas ocasiões, teria sido diferente. Talvez tivesse sido mais leve e teria deixado fluir de outra maneira. Enquanto isso, a razão se esbaldava. Com espaço de sobra para ela, colocou as mangas de fora. A razão lhe arrancava o sono. E na ausência da emoção, escrevia pouco. Tudo o que fez foi olhar para as coisas e as pessoas ao seu redor com a razão batendo na cachola a querer controlar tudo. Chato. Ficou tudo bem chato. E ela foi- se achatando, se comprimindo, se ligando em coisas que com o seu olhar técnico quase não via as formas. Tampouco a estrutura. Via curto. Não enxergava além.

E quando em um momento crucial a emoção resolvera aparecer, ficou de longe, espiando. Fez sinal pra razão e ficou à espreita. Se aproximou devagar e disse à ela sussurrando: agora você está vulnerável e por isso precisa de mim...
Mesmo assim, nada fez. Deixou todo o serviço por conta da razão.

Naquele momento chegou a pensar: o que é que a emoção veio fazer aqui? Justo agora, no meio da noite depois de 5 doses de Mojito. Porque não viera pela manhã quando eu ainda estava calma e encastelada. Veio sem mala, disse a si mesma, observando. Ainda bem! Já sabe que não fica por muito tempo... E neste instante, a emoção se aproxima e lhe faz a pergunta: Será que podemos fazer um trato? Ela imediatamente responde: Você vem só quando eu chamar? 

- Não, disse de prontidão a emoção para ela.
-  Eu sei que você não aceita esse trato, respondeu ela.
- Sugiro meio a meio, ela insiste. As duas vão ter direitos,  emoção e razão. Agora é com vocês, entrem num acordo e joguem limpo uma com a outra. Temos que levar em consideração que ambas têm potencial, cada qual em seu lugar.
- Você não é nada sem mim, responde a emoção. Meus direitos são maiores que o dela.
- Nada disso, discordou a razão. Ela passou muito bem sem você.
Neste momento, ela interrompe a tentativa de acordo entre as partes retrucando:
 - Ôh emoção, escuta bem: nada de ficar protegendo a paixão, heim? Você fica dando mole. A razão sabe bem do que eu estou falando...já  me conhece e sabe do que eu preciso! E sem essa de intuição. Lembra dela? Então, aproveita pra fazer uma visita por lá, deve estar cheia de novidades pra contar depois dessa viagem. E veja bem o que é que vai fazer com o amor! Deixa ele bem quieto por enquanto, mas não esquece que ele existe senão eu não aguento o tranco. E se for mexer com ele me avise com antecedência, nada de me pegar desprevenida! Me dizer que não deu tempo, foi muito corrido e aconteceu... Não quero ver a razão rindo da minha cara.

E agora me deixe em paz, vou te dar mais uma chance e pronto. Pegue suas coisas, desfaça as malas porque eu preciso escrever.
As duas se entreolharam, razão e emoção e a razão diz: já que você fica, eu saio. Mas deixo uma recomendação: dessa vez, sem drama.
E a emoção responde: deixa comigo, comédia a gente faz bem!