quarta-feira, 28 de janeiro de 2009




Realidade ou ficção
E o papel de artista da vida real


Não é porque você não é nenhuma Angelina Jolie e você nenhum Brad que sua vida não pareça um filme.
Por mais que não esteje envolvido com causas mundiais, adotado filhos de etnias diferentes.
Como ser humano, você é sim, protagonista de sua vida.
Diferente dos cortes do cinema e da chance de voltar atrás e gravar novamente, nosso take é real.
Está valendo o tempo todo.
Protagonizar sem editar, é decorar um pouco de si, conhecer sua história, ser habilidoso, exercer sua função, representar você, o que não é nada fácil.
Descobrir quem é este personagem e revelá-lo ao longo da existência é um papel importante.

Constituí-lo. Com toda a sabedoria e arte.
Não tendo a menor idéia do que irá lhe acontecer também faz parte do script da vida.
Nascemos e renascemos intrínsecamente de tempos em tempos. "Morremos" e voltamos à vida, como parte de nossas frustrações.

Amamos e desamamos. Casamos e separamos. Temos mães, somos filhos. Amigos.
Cobiçados, invejados, admirados.
Heróis, vilões.

Somos tantas e tantas vezes julgados, de boa ou má fé.
A vida imita a arte e a arte imita a vida.
Mocinha e bandido.
E esperam muito de você
E palpitam na sua vida.
Que se identifiquem com você,
ou queiram massacrá-lo.
Decidir o seu futuro e obter sucesso.
Ser alguém,
Ser exemplo.
Ter dignidade, força, compaixão.
Abandonar o ódio, a ira, a ignorância.
Ser do núcleo da elite,
popular ou periférico.
Subir na vida e fazer o que quiser.

Perder tudo e começar de novo.
Ser reconhecido, aplaudido, querido.
Ser ferido, atacado, incompreendido.
O take está valendo - interno e externa, dia e noite
Erros e acertos.
Na vida como ela é.

Esqueceram de nos dar os créditos pelas merchandisings dos produtos que usamos.
Esqueceram de nos entregar o Oscar daquela vez em que fomos brilhantes.
Muitos papéis,
Te empresta à eles, te toma deles. Te empurra longe, mergulha neles.
Seu descanso, sua meta, sua paciência.

Copia-te a ti mesmo quantas vezes forem necessárias. E te reiventa se for essa a sua vontade.
Que tenha a cor do seu jeito, a imensidão de um sujeito.
O tom que te afina, o calor que te ilumina.
Abandona teu medo, teu sermão, tua culpa.

Tuas dores, tuas mentiras.
Fica calmo, sereno, sublime.
Aposta nas tuas chances. Concorra ao prêmio teu.
Conheça o teu limite, e não limite suas idéias.
Valorize quantos eus forem precisos. Quantas vezes pedires.
Quantas faces puder com a tua verdade, cara a cara com a sua covardia.
Siga ela, a sua intuição.
Faça e refaça. Erre, mas preste atenção.
São vidas, e são muitas
É razão com emoção.
Somos tomados de nós, por nós mesmos. Por nossas dúvidas, por nossas questões.
Pelos nossos anseios, por nossas dívidas. Quem nunca quis, arrancar-se de si mesmo?
Não por que não se resolva, mas pela ânsia de se entregar. Entregar-se ao mundo, entregar-se ao outro, como num descobrimento de uma ilha pela primeira vez. Sem mais preparo, critérios, despoluída, como uma virgem na primeira transa e um bebê quando nasce.
Pra ter as delícias todas saboreadas lentamente. Sem essa correria da vida de agora. Sem saber oque você já sabe. E aprender tudo de novo como se nunca tivesse lido ou entendido nada. Esvaziando de ti mesmo, e congelando os pensamentos sem qualquer direção.
Olhando por outro ângulo como é quando a gente vê na nossa frente o novo despertar.
E então, escolheria sentir o gosto do que nunca provou.

Sensações novinhas em folha, tirando a rotina do próprio prazer.
Escolheria não esperar nada e a proposta viria.
Escolheria um telefonema às escuras.
Um palpite te mansinho tocando.
Uma idéia lá no fundo, brotando.
Escolheria não saber [que mesmo quando estou me emprestando à mim] não ser essa a impressão que tenho.
Escolheria não me conhecer tanto.
Amar à vontade e sem o rigor das minhas dores,
dos gritos de socorro.
Escolheria sentir mais nas próximas vezes, e levar todo o meu encanto.
Escolheria demonstrar interesse quando eu interessada estivesse.
E ter contado uma história minha, quando me perguntaram de mim.
Ter deixado ele saber [que eu queria] que aquela era eu e não alguém que criei pra se proteger de mim.
E teria deixado claro, toda a minha ousadia, daquela vontade de provar outra vez, aquele dia.
E não teria calado o meu corpo, a minha voz e a minha cura.
Teria então provado o que as outras partes de mim, queriam [e ainda querem]. Teria feito o que elas teriam feito.
E eu seria todas elas, cada uma de uma vez.
E não deixaria ninguém entender, como não entendem, onde entra a verdade de mim.
Onde ficam as mentiras que não quero que apareçam.
Porque sou visível quando quero e escolheria não ser.
Se escondem em mim labirintos de desejo, expressões sem gesto, palavras sem dicionário, significados incoerentes.
Se revelam em mim, vontades que passam, crueldades não feitas, amores rompidos, histórias bem-feitas.
E uma dívida imensa com: a minha parte. Artes de mim.
Que me dá tapas na cara todos os dias. Corro dela e a enfrento, lhe ofereço a outra face, lhe empresto as mãos. A mente, a demora, a aflição.
Peço que a ficção venha à vida e que não morra na primeira esquina que passar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Thin line between love and hate.

De onde vem os dois sentimentos que não gosto de ter. Duas misturas. Duas meias verdades. Duas nuances. Duas ambivalências. Duas metades brigando. Pra que amar de odiar.

Amo que sejas alguém em quem posso confiar. Compreender-me. Compartilhar. Odeio o contrário disso. Amo o seu vir, chegar, permanecer, ficar. Amo quando está perto. Nem que seja por alguns dias. Porque é só por alguns dias que pode estar perto. Odeio que more longe. Amo quando me liga. Amo abrir suas mensagens de texto. Amo te encontrar de repente. Amo que queira me encontrar. Odeio que não me surpreenda. Odeio combinar coisas demais. Elas podem acabar não dando certo. Odeio quando acontece de as coisas acabarem não dando certo. Odiei não ter passado a noite inteira com você ontem. Odeio não poder dizer o que sinto olhando pra você. Como agora. Queria conseguir olhar dizendo o que sinto. Pra não ter que escrever.
Odeio não saber o que sente. Odeio sentir ciúme. Ciúme é o contrário de todos os bons sentimentos que tenho. Não porque porque me provoque ciúme... Mas simplesmente porque odeio ciúme. Odeio me flagrar olhando diferente pra você. Odeio me flagrar ausente, com o pensamento longe. Odeio seu olhar fuzilante e sei que odeia também o meu. Amo quando sabes o que meu olhar quer dizer. Odeio quando se finge de bobo. Amo ter a intimidade pra dizer tudo o que penso. E pra ser quem sou. Odeio te incomodar. Odeio a sua insegurança. Amo quando sai comigo e com todo mundo que eu amo e que sai comigo. Amo quando me olha. Quando me vê. Amo quando está amando estar comigo em qualquer lugar que seja. Amo quando está na mesma cidade que eu e não quer partir. Odeio quando não me deixa pistas do que está amando ou odiando fazer. Odeio não saber muitas vezes, como lidar contigo. Odeio quando não sabe também, como lidar comigo. Odeio quando está "morno", no "tô por vocês", ou no "você quem sabe". Odeio quando dança colado comigo quase entregue e não passa disso. E mesmo assim amo quando dança colado comigo. Amo seu abraço apertado. E amo quando me abraça. Amo o seu cheiro e odeio não saber se você ama ou odeia o meu. Odeio que me veja como uma "mulher de calça" . Gente boa demais. Dançando de saia curta, sensual e mole. Amo ser sua amiga. Mas amo ainda mais, ser mulher e ser amiga. Odeio não ser o seu tipo de mulher e odiaria que fizesse de conta que não sou seu tipo de mulher. Odeio ser sua amiga demais. Odeio não ser a amiga que você ama. Odeio sua falta de desejo, de vontade, de atitude com a mulher que sou. Amo ser quem você confia, considera, respeita e gosta. Odeio ser alguém de quem você gosta, de um único jeito. Amo quando o tempo não passa com você. Amo quando concordamos com as mesmas coisas. Odeio brigar com você. Odeio que me magoe. Odeio te magoar. Odeio quando tenho que dizer tchau, quando vai pra direita e eu pra esquerda. Odeio quando não me contesta, quando não pergunta, quando não quer saber. Odeio quando me chama de temperamental. Odeio que prefira as mais fáceis, as mais previsíveis. E dez em quando as "casadas" e comprometidas. As saradas demais. Bregas demais. As que não são tuas amigas e que muito provavelmente, um dia serão. Amo quando vejo lá no fundo, bem escondido uma pontinha de sentimento brotando. Odeio esperar uma pontinha de sentimento brotando. Amo quando descubro o seu sentimento pra dar. Odeio me sentir calada, chateada, fria, e em contentamento. Mas porque eu te quero tanto? mas porque eu me preocupo tanto? Será que você nunca vai querer sequer, descobrir o que move essas perguntas?
O que eu quero com alguém que me vê apenas e estampado em mim, e no melhor de mim, a amizade que eu tenho pra dar... Se não é apenas a amizade que eu tenho pra dar. O que eu quero com alguém que se me der mais do que amizade, talvez nada mais possa me dar... O que eu quero com alguém que não tem vontades que nascem e correm em mim. O que eu quero com alguém que não está pronto pra amar. O que eu quero com alguém que mora longe, que não sabe quando vem, quando volta e que quando está perto não me faz vê-lo como o homem pra mim. O que eu quero com um homem que sendo meu amigo, é meu único amigo homem que não me deseja como mulher. Odeio o seu não querer. Odeio ter que aceitar que sinto isso tudo que eu digo que sinto. Odeio o seu não redimir, não tentar, não arriscar, rejeitar, fugir. Odeio não ser atirada, não te colocar na parede. Odeio não saber o gosto que você tem. Odeio quando leva ao pé da letra o que eu digo. Odeio que não pegue no ar as minhas subjetividades. Ou que finja não pegar. Odeio que não tenha coragem de encarar a mulher que eu sou. Odeio te odiar. Como já havia dito uma vez. Odeio ter que olhar pra você depois de deixar você saber o que sinto. Mas não vou olhar... Odeio ser tão complicada. Odeio que você complique. Odeio me sentir confusa. Odeio te confundir. Odeio ter que te dizer que não consigo mais te ver assim. Odiei ter que te dizer que você já era pra mim.

domingo, 4 de janeiro de 2009

À você falador,

Quando tinha dezessete achava que as idéias passariam do photo shop pro illustrator, e em dupla com o diretor de arte, seletas peças seriam feitas.
Aos vinte e três o despertar para os diálogos apareceram. Um olhar "esquisito" veio me fazer companhia. Abandonei o portifólio mal-montado e segui com os dramas. Todos eles fazendo fileira indiana que depois se separavam em meio a multidão. Queriam conversar seja onde for. Tive que sair correndo como quem brinca de esconde-esconde em meio ao universo tridimensional - daquilo que achamos que vemos e do que está bem à nossa frente. "Manda quem pode, obedece quem tem juízo." Quis dar as costas, mas eles vêm me visitar uma porção de vezes. Não posso deixar de recebê-los, fui bem educada.
Quando me tiram do sério fico sem orientação, pois nunca sei por onde começam e onde querem terminar. As estórias vêm sem eixo, sem parada... se misturam com as tuas e também com as minhas.
Escrevo porque minhas mãos não param. Porque a necessidade é grande e a estafa é pequena. Escrevo porque falo comigo o tempo todo, porque atenta, tento ao menos compreender, de onde vem essa vontade, o desejo, o pensamento, a dor e o amor e para onde todos eles vão, se não ficam em mim.

by Ju Tahan.