
"Feliz aquele que sente o cheiro do perfume que perdeu "
Frase citada por Miguel Fallabella.
Tem gente que tem cara de quem sabe o cheiro que tem.
É coisa de quem sabe.
Expreme até a última gota do momento e sai dele porque, bem... caminhar é preciso.
Pessoas saem da vida da gente, ou nós é que nos retiramos da vida das pessoas?
De toda forma, você tem de fazer o mínimo triunfal atingir sua maioridade.
Sem essa de olhar para os lados à espera de um siga em frente pra tocar com o dedo o que você transforma em ouro. Em outras palavras, entenda que você é o ouro e entenda que o dar certo, dá certo.
E não precisa pegar o pior quarto quando não houver vaga na suíte imperial.
Tô falando de não se contentar com pouco. Tô no nível das dificuldades que enfrentamos.
De ter que colher trigo pra saborear aveias.
De olhar pra uma coisa dez vezes e acertar o alvo, ao menos, uma.
E entender que as dez foram necessárias pra que essa uma, tenha sido constatada, bem antes de ser acertada.
As coisas já chegam destiladas demais para as nossas mãos. Já não nos damos mais ao trabalho de verificar puramente com os nossos faros, as essências.
Enquanto devíamos é sacar que a temos, inteiramente.
Procurando exalar seu cheiro único.
Dentro da gente cabe tanta coisa. Dentro da gente cabe tanta gente. Miscelânia de odores.
E se não estamos ensimesmados, estamos tomados pelo outro. E quem fica com a melhor parte?
A melhor parte é aquela parte que cabe inteiramente nos vãos. Não sobra nem fica estreita.
Nos dá condições de entender as arestas, partes do coletivo que nos rodeia.
À medida que farejamos mais descobrimos reais porções de nós mesmos no todo que somos. Podendo alimentar pouco a pouco os que sentem fome da gente. Não falta gente como a gente e também, diferente da gente, afim de digerir o mundo junto da gente. Porque essa gente, sente a mesma totalidade que a gente sente, querendo entrar no mundo que é o seu modo de ser gente.
À medida que experimentamos mais, queremos mais experimentar. Pois o nosso entendimento entende que ainda não nos é o suficiente.
Em nosso todo, um imenso mundo ocupa um mundo imenso.
Por isso sentimos vontade de nos levar aos outros. Por isso queremos ver o outros sendo trazidos para nós.
Por isso construímos laços, pontes, pontos em comum e nos vinculamos. Para que eles possam ser desfeitos e logo após, reconstruídos.
É o que nos leva a transitar pelo deserto e encontrar água porque a sede chega e o cansaço também.
E é o que nos leva a reconhecer no todo daquele que caminha, o todo que com ele caminha.
Pois esse sabe, de que perfume estou falando.
" A gente quando jovem coloca uma mochila nas costas e vai jogando as coisas fora pra que ela fique mais leve na hora de subir os degraus. Não adianta nada porque depois, você tem que voltar pra juntar as coisas que ficaram pelo caminho".