À você falador,
Quando tinha dezessete achava que as idéias passariam do photo shop pro illustrator, e em dupla com o diretor de arte, seletas peças seriam feitas.
Aos vinte e três o despertar para os diálogos apareceram. Um olhar "esquisito" veio me fazer companhia. Abandonei o portifólio mal-montado e segui com os dramas. Todos eles fazendo fileira indiana que depois se separavam em meio a multidão. Queriam conversar seja onde for. Tive que sair correndo como quem brinca de esconde-esconde em meio ao universo tridimensional - daquilo que achamos que vemos e do que está bem à nossa frente. "Manda quem pode, obedece quem tem juízo." Quis dar as costas, mas eles vêm me visitar uma porção de vezes. Não posso deixar de recebê-los, fui bem educada.
Quando me tiram do sério fico sem orientação, pois nunca sei por onde começam e onde querem terminar. As estórias vêm sem eixo, sem parada... se misturam com as tuas e também com as minhas.
Escrevo porque minhas mãos não param. Porque a necessidade é grande e a estafa é pequena. Escrevo porque falo comigo o tempo todo, porque atenta, tento ao menos compreender, de onde vem essa vontade, o desejo, o pensamento, a dor e o amor e para onde todos eles vão, se não ficam em mim.
by Ju Tahan.