quarta-feira, 27 de agosto de 2008


Pessoas interessantes – Ensaio I.
indagando o próprio.


Literalmente um cutucão no tico e teco.
Uma necessidade de engendrar estímulo. De fazer com que os outros pensem mais pra falar e que falem o que ainda não haviam pensado em dizer.
De transformar a energia do lugar, no contágio que transmite quem a tem.
Vindo a instalar ali, uma nova ordem, um novo comportamento e um novo vício.
O vício de ser interessante.
O interessante modo de viciar as pessoas.
A graciosa forma de deixá-las viciadas em você.
O interessante é que quando se faz isso, é perceptível uma mudança imediata no rumo da prosa e no comportamento de.
Uma nova vontade se desperta e faz coisas boas acontecerem. - Partindo dali pra uma melhor.
O critério vem e aumenta, até que não se possa mais continuar com tolices, ou suportar tolimentos. Você sabe como é...
Um humor do bom, gratuito e inteligente é capaz de fazer qualquer um rir.
Um sarcasmo nas objeções incitando que o mais mudo, fale. O mais tímido se solte e que ninguém se reprima. - O piorzinho a gente dá logo um jeito e " canta pra subir".
Você pensa que não, mas as pessoas em volta, reparam em gente que sabe fazer gente rir.
Você tumultua um pouco o ambiente, deixa as pessoas "brigando" pra falar, e o que as outras ouvem de perto ou de longe parece ser tão interessante que sentem vontade de sentar junto à mesa e participar. - Já reparou nisso?
De repente você olha pro lado e nota que o pessoal ali da outra mesa até parou de falar pra escutar vocês. Um tempinho depois, vocês levantam e vão embora deixando o lugar.
Tudo ali fica quieto e silencioso como se tivessem arrancado a graça do ar, tomado emprestado sem devolver. - E você só pôde dar conta disso, porque esqueceu seu isqueiro em cima da mesa e voltou pra pegar.
Está todo mundo te olhando.... Que culpa você tem?
É como quando não dão nada pra uma barraquinha de sorvetes e você fica ali chupando picolé conversando com o vendedor, dali cinco minutos a barraca ta cheia.
É como quando você vai numa livraria e naquela sessão só está você, e ai vai lendo, lendo... até que nota mais uns oito que apareceram do seu lado.
É como quando você adota um vira-lata que se dá tão bem com todo mundo que logo aparecem os seguidores da tal façanha.
AH não, não pense que as pessoas interessantes querem ser notadas ou chamar a atenção.
Elas te surpreendem.
Ser interessante é atitude pessoal e interna que está nas entranhas.
Essa coisa de ir de encontro com o ousado, com o conhecimento, o inesperado, a aventura, o mistério, a criação, com o interesse pela mente do outro, com a observação que fazem dos outros se comportando. É mais ou menos parecido como ler alguém.
Elas são interessadas com a vida. Expulsam na primeira estância o tédio e as reclamações. Passam longe de ferir o outro pra se auto-afirmar. Passam correndo dos passatempos superficiais. Intrigas, fofocas e consumismo excessivo.
E quando você se depara com esse tipo de gente, jamais sai ileso.
Nunca volta pra casa o mesmo. Há uma abertura e simplicidade que propicia um diálogo competente e confiante.
Sem que você perceba já está ali abrindo a sua vida. Já está ali querendo ficar... - querendo ficar é ótimo.
E os efeitos vão ficando prazerosos. E aquilo vai te inspirando... e um clarão vai-se abrindo na sua frente. - É como ver Deus...rsrs
Como elas vivem, e o que elas fazem? - Aí já é uma questão de gosto e habilidades pessoais.
As pessoas interessantes namoram? Namoram. - Mas não se casam logo.
Elas têm muita energia e vigor e sabem que não podem sustentar por muito tempo sua generosidade à uma só pessoa.
Não podem perder de vista outras tantas possibilidades.
Não conseguem se sentirem presas ou limitadas. Não se sentem livre o bastante sabendo que um outro depende delas.
Seu reflexo é comunitário. Sua presença notável não pode podar à ninguém. Não suportariam cobranças indesejáveis, ciúme fora de hora e obrigações articuladas. - Mas é preciso saber separar as coisas, o interessante se juntaria a um parceiro igual ou tão mais interessante que ele, sem dúvida nenhuma.
É como se pertencessem a uma classe da sociedade que clama para que ela cresça e transforme-se numa maioria. - Uma maioria de qualidade.
É como se esbarrassem na classe dos intelectuais. - Só que um pouco mais descolados e um pouco menos blasé.
As pessoas mais interessantes que conheço são artistas da vida real. E por aí vão fazendo suas artes. Músicos, cineastas, neurologistas, psicólogos, publicitários, psiquiatras, atores, fotógrafos, economistas, escritores, empresários, biólogos, cientistas. - mm mas eu não conheço nenhum biólogo nem cientista.
Uma pessoa não precisa ser famosa pra ser interessante. - Uma pessoa não precisa ser bonita pra ser interessante. Uma pessoa não precisa ser superior a você pra ser chamada de interessante.
Estou falando de gente que influencia. Estou falando de energia. Estou falando de formadores de opinião. Estou falando de gente que mexe com a cabeça da gente.
Não estou falando de um ou outro que aparece e conta algo inusitado sobre a sua vida. Estou falando de quem pensa. - Por si e pelos outros.
De quem pensa na humanidade, no futuro das outras gerações. Na educação.
Não falo de quem está pensando em seu próprio umbigo e aumentando sua conta bancária ou domina apenas o seu próprio assunto e idioma.
Falo de quem interage, de quem procura numa conversa, entrar no seu mundo e pôr-se no seu lugar. - Sentir suas necessidades com uma sensibilidade que te toca.
Ter a perspicácia de entender o que está por detrás das entrelinhas.
Te passa a sensação de que não conseguirá enganá-la por muito tempo.
Te passa a impressão de ser inteligente. - E é.
Te passa a impressão de te conhecer há muito tempo.
Conversa olhando nos olhos. - Te escuta.
Não está preocupada com o desconforto que está sentindo naquela cadeira dura, ao te ouvir.
- Está interessada em você.
Mas não é fácil despertar o interesse de uma pessoa interessante. Porque ela tem outros interesses maiores do que perdê-los com muito pouco.
Você não é pouco. - Não seja pouco.
Não seja raso. - Preencha esse vazio.
Por essas e por outras, se tiver gente correndo de você, preste atenção. - Se tiver muita gente na sua cola, preste também muita atenção.
Não despenda sua energia com qualquer Zé mane da esquina. Nem deixe os outros te explorarem demasiadamente.
Ta pensando que é fácil ser assim? - É trabalhoso, mas muito interessante....
Não se sinta intimidado por eles... - é ... é dos interessantes que estou falando.
Eles podem te avaliar num primeiro momento, te estranhar num segundo.. - E você também pode fazer o mesmo. Mas é que eles buscam sempre saber onde você quer chegar, qual é o seu objetivo.
E no entanto, só vão ajudá-lo a chegar mais rápido e próximo de onde você quer ir.
Mas parar... Parar nunca.
O mundo precisa de pessoas assim.
E sabe do que mais, elas não estão por toda a parte, então fique ligado. - Ela pode estar bem ao seu lado. - pode ser o seu alterego, Já pensou nisso?
E você ai, tá esperando oque?
- Comece agora, a ser cada vez mais, interessante.

By Ju Tahan





Sinônimos e antônimos> Cativante, agradável, encantador, envolvente, significativo, rentável, curioso. <>

Greg explica:

Quando um cara está afim de você ele demonstra isso.
Ele telefona, aparece, quer conhecer seus amigos, não consegue manter os olhos e as mãos longe de você. E quando chega a hora do sexo, fica mais que satisfeito.
Eles não gostam de ter que dizer na sua cara “ você não é a mulher certa pra mim”. Demonstramos isso claramente, o tempo todo. Se ele não te telefona quando diz que vai telefonar, não deixa claro que estão namorando, pare de inventar desculpas: ele simplesmente não está afim de você. Os homens acham muito gratificante conseguir o que querem. Se queremos você, vamos encontrá-la. Se realmente estamos afim de alguém, não conseguimos evitar, queremos sempre mais. Não deixe que ele faça VOCE convidá-lo pra sair. Quando os homens a desejam, eles fazem todo o trabalho. A maioria dos homens gosta de conquistar a mulher. Gostamos de saber que somos capazes de pegá-la. E nos sentimos recompensados quando conseguimos. Especialmente quando a caçada é demorada. Vocês mulheres devem nos tratar como somos e não como gostariam que fôssemos. Os homens gostam de caçar e as mulheres devem se deixar caçar. Nós somos fantásticas não precisamos perder tempo com conspirações e tramas. Quando o homem convida você pra sair é você quem está no controle. Os homens não esquecem o quanto gostam de você, por isso largue o telefone. Se você pode encontrá-lo ele também pode. Se ele quiser encontrá-la, dará um jeito. Não existe homem ocupado para estar com a mulher que ele está afim. Eles nunca estão ocupados demais para conseguirem o que querem. Se ele não telefona é porque não está pensando em você. Se ele dá esperanças e depois não cumpre cuidado: ele não vê problema algum em decepcionar você. Se ele prefere não fazer um pequeno esforço para que você fique mais tranqüila e sempre cria brigas isso quer dizer que ele não respeita seus sentimentos e necessidades. Você não merece um homem que por exemplo, esteja traumatizado pelo que a ex fez com ele. Pura desculpa! Assim como você também não merece um homem que não fica com você porque acha que não te merece. Os homens e as mulheres querem se sentir protegidos emocionalmente quando um relacionamento começa a ficar sério. Um homem que realmente está afim de você vai querer você só pra ele. E porque não iria querer???? O medo da intimidade jamais impede alguém de entrar num relacionamento... E aí vai uma verdade pra quem tem dúvidas quanto à amizade: os homens não se importam de estragar uma amizade com uma mulher, se isso pode realmente significar sexo, seja por meio de uma 'amizade colorida', ou de um namoro sério. Portanto sem química não rola. Os homens dizem o que estão sentindo mesmo quando você se recusa a escutar ou acreditar neles. Quando dizem: eu não quero ter um relacionamento sério, eles querem dizer, eu não quero um relacionamento sério com você. Não tenho certeza se você é a mulher certa pra mim. Se você não sabe para onde está indo o relacionamento, pode parar no acostamento e perguntar que rumo a coisa esta tomando. Indefinido? Não serve. Quando os homens gostam de você, eles querem tocar em você o tempo todo. Se um homem não está tentando tirar a sua roupa, ele não está afim de você. Se gosto de você, eu beijo você. E depois fico pensando em como você fica com e sem calcinha. Isso é um cara! É assim que funciona. Ele tem medo de ferir seus sentimentos, por isso não deixou claro se existe um relacionamento? Ele pode até estar deixando o tempo passar com a esperança de vir a ter sentimentos mais profundos por você... Comunicação nunca é má idéia. Os homens nunca tiveram muito afim de uma mulher com quem não quisessem transar. As pessoas dizem quem são para você o tempo todo... Quando um homem diz que não pode ser monógamo, você deve acreditar nele. Você pode levar mais tempo para encontrar sua auto-estima perdida do que um novo namorado, por isso reavalie suas prioridades. E falando em poligamia... Quaisquer que sejam os problemas que vocês têm no relacionamento, nenhum justifica que ele faça sexo com outra. Quando há a traição, acredite a coisa toda foi planejada e executada com o pleno conhecimento de que poderia destruir o seu relacionamento. É importante ter em mente que se ele está indo para cama com outra sem que você saiba ou incentive isso, não está apenas se comportando como um homem que não está afim de você, mas como alguém que nem sequer, gosta de você. Não namore nenhum homem que não sabe porque faz as coisas. Mentir, enganar, ocultar é exatamente o contrário do comportamento de um homem que está afim de você. Não deixe nenhum homem culpar você pela infidelidade dele, nunca. Vamos considerar a infidelidade o que realmente é: a traição completa de confiança. Pessoas que traem tem muita coisa para arquitetar, só que essas artimanhas envolvem tempo e o coração de uma outra pessoa. Alguns desses traidores conseguem arrumar desculpas, outros nem se dão ao trabalho, e outros, ainda, chegam até a jogar a culpa na parceira. O importante é descobrir se era isso que você esperava de um relacionamento. Cem % dos caras entrevistados disseram que nunca foram pra cama acidentalmente com alguém – mas muitos quiseram saber como esse acidente acontecia e como podiam se envolver num deles... E aqui ainda vai outra dica dada por homens,é claro: um homem não desconsidera uma mulher que transa com ele na primeira noite. Se ele não te procurar de novo é porque, antes, ele já não estava muito a fim de você. Pode crer: o cara resolve, antes de desabotoar seu sutiã, se haverá ou não uma segunda noite. Não foi nada do que você fez ou deixou de fazer que queimou seu filme.

“Você não vai ficar ai, pensando que o fato de você ser essa mulher sensacional, inteligente, cativante, sexy, bonita, interessante é o que faz os homens terem medo de se relacionar com você não é mesmo? Não deveria ser o contrário? Porque você é tudo isso e mais um pouco é que ele deveria estar com você. A gente pode até continuar querendo tapar o sol com a peneira... Mas o Greg tem toda razão. Não são estas, as opiniões pessoais dele. São informações cabíveis. E quem tem, sabe. Não se martirize. Se ele não está afim de você, outro vai estar. Se outro não estiver, fique você afim de você mesma. Se o homem que você quer, não te quer, a culpa não é dele, nem sua. Se você continua gostando de um homem que não te quer, não é gostar é obsessão e burrice. Algumas pessoas não toleram a rejeição e por isso querem provar à si mesmas que são capazes de conseguir o que querem, depois que conseguem, bye bye... OU NÃO. E enquanto não estão conseguindo, se ferem, odeiam mais do que amam, se fecham, colocam a auto-estima em risco. Quer saber? Não vale a pena. E você vai descobrir que não vale. Existem muitas pessoas bacanas por ai que merecem sua atenção, seu diálogo, sua energia, seu corpinho e sua mente... em pleno vapor ... É fácil encontrar subterfúgios. Basta você não querer mais endeusar a pessoa. Repare bem que você tem o poder de dar “poder” às pessoas. E quando não as quer mais, você deixa de dar. É simples. E aquilo perde a força que teria e se desfaz. Não existe nenhuma conspiração contra você. Nenhuma situação é a mesma sempre. Nada permanece estático. Muito menos você. E o mundo vai girar, como já gira, e você vai se ver muitas vezes em equilíbrio... Até que um dia você vai constatar, vai olhar à sua volta, se lembrar do Greg e dizer: ele simplesmente está afim de mim! E numa dessas, eu torço para que você, também esteja afim dele...”

Trechos do livro "Ele simplesmente não está afim de você", escrito pelos roteiristas de Sex and the City, Greg Behrendt e Liz Tuccillo. Finalizo apenas com o texto entre aspas "... ".

Mirabel 54 - Parte I


No telefone ele dizia pra sair da estação e virar à direita.
Era a primeira vez naquele bairro, não sabia muito bem qual eram as direções.
Quando se sai de uma estação de metrô em Londres, se tem uma leve impressão de estar perdida.
No último dos casos, melhor seguir o fluxo.
Ônibus, pessoas zanzando pra lá e pra cá. Carros. Vitrines. Prédios.
“Estou bem aqui numa lojinha de conveniência, está me vendo”? Eu não estava me tocando, mas ele estava me vendo agir..- depois, descreveu minhas reações - Eu ainda descordenava.
“Vire a direita”. E eu ia pra esquerda. “Não, à direita” ele dizia.
E eu pensava, “ como pode ele saber que estou andando em direção à esquerda e não à direita... está me vendo.... Quem é ele?.. Não nos conhecíamos.
O legal de escrever uma história assim é que você sabe exatamente como ela começa e como ela termina.
Ele era, quem, ao me conhecer, ia pensar se alugava um quarto em sua casa pra eu morar, ou não. O que ia definir completamente meus próximos meses em Londres.
Impressões. As primeiras são realmente as que ficam?
Porque só o que temos é apenas uma leve, simples e superficial idéia de como é a pessoa que estou vendo: bonita, feia... alta, baixa... gorda, magra...
Percepções físicas que fazem fila no pensamento, implorando uma conclusão de maior conteúdo - pelo menos nos dez primeiros minutos, não há nada que possamos concluir sem antes conhecer uma pessoa.
Finalmente o cara do casaco preto e calça jeans me conheceu.
Nos três segundos que antecederam o nosso reconhecimento, ele dizia: “você está de casaco azul e calça jeans”?
Quando me dei por conta, uma pessoa parada bem na minha frente, falava ao celular com ar de graça olhando pra mim... e a lojinha de conveniência fazia o fundo.
Desliguei o meu cel, olhei bem pra ele e disse: here i am.
Ali dentro da lojinha compraram coisas para uma festa.
Ele estava acompanhado de um amigo, que diga-se de passagem, falava duas palavras e ria, mais quatro e ria... Naqueles instantes, tive uma leve impressão de que se tratavam de pessoas as quais sinceramente, desejei que fossem meus amigos. Desejei já tê-los conhecido antes, e que eu, no meu lugar fosse uma estranha.
Fomos caminhando pelas ruas do bairro com as sacolas nas mãos cheias de cerveja e salgadinhos tipo pringles. A casa ficava um pouco afastada da estação. E ali, pensava eu, com a certeza de que iria morar em Fulham, caminharei um bocado todos os dias. Ao mesmo tempo em que tentava marcar os minutos, queria me concentrar no que eles diziam e participar.
Quando a porta da rua Mirabel número 54 se abriu, eles me pediram pra tirar o sapato.
Ao entrar no hall da sala de jantar me deparei com algumas pessoas, um mix de homens e mulheres. De gringos e brasileiros. Uma festa estava para começar.
E ele então, o cara do casaco preto, foi rapidamente me mostrar os cômodos.
Me apaixonei pela sala de estar que posteriormente transformou-se em quarto: dos donos. Tinha uma lareira linda, sofás de bom gosto. Objetos antigos. Já vinha decorada.
Subindo a escada, um quarto. Já locado. Subindo mais um lancezinho de escada lá estava o quarto vago. E mais dois no andar de cima que já estavam locados. Tudo parecia perfeito. Os donos, os amigos dos donos, a casa e o quarto: double. Exatamente o que eu precisava.
Sem mais cerimônias ele, o cara do casaco preto e o outro da camiseta vermelha, ou seja, os donos, me disseram: se quiser ficar com o quarto o valor é X. O quarto era caro mais valia a pena. Pela primeira vez tive a certeza do que eu queria, sem titubear que era, morar ali.
Em Londres, as pessoas que alugam quartos, costumam fazer entrevistas com os novos inquilinos – é pra sacar se a pessoa é mesmo de confiança e digna de convivência, como no filme “ O albergue espanhol”, o que não aconteceu comigo.
Só que a minha amiga ainda tinha que aprovar. A casa, o quarto, os donos, e vice-versa.
Sem mais rodeios, descemos pra sala e a minha resposta foi SIM. E a deles: Welcome.
A festa começou e naquele dia conheci muita gente. Eu não tinha nem duas semanas na cidade e já estava satisfeita, feliz e contente.
Não consegui pensar em outro lugar pra viver.
Não consegui não me apaixonar por aquelas pessoas.
No dia seguinte fui buscar minhas coisas na acomodação do intercâmbio onde eu até então, estava. Avisei minha amiga que tinha encontrado o lugar certo pra gente dividir quarto. Por sorte, ela confiou no meu gosto e ali moramos seis meses consecutivos.
Nesta casa passei os melhores meses da minha vida.
Dividimos contas, dividimos emoções, anseios, problemas, soluções, porres, estudo, trabalho, roupa passada, lavada, máquina quebrada, louça na pia, garrafas de vinhos, jantares, almoços, cafés, chás, amigos, amores, entradas, saídas, pessoas que chegavam, pessoas que partiam.
Jogos da verdade, da mentira, cultura, valores, viagens, festas.
Perdas e ganhos.
A única forma de conhecer verdadeiramente pessoas é convivendo com elas.
Sabendo dos seus rostos, gostos, reações, emoções, dúvidas, trejeitos.
O modo como fala ao telefone e atende à porta. Como trata os amigos de sempre e como recebe um novo. As mulheres que levam para casa, os homens que você fica.
As compras do supermercado. Sua forma de cozinhar, comer, fazer barulho, bagunça ou ler um livro.
Hábitos. Eles nos entregam.
Naquela época a gente queria tudo. E tudo era diversão e motivo de comemoração.
No ar, a satisfação de sermos jovens. Cúmplices da mesma rotina.
De um cotidiano repleto de possibilidades.
De lugares surpreendentes a espera de serem ocupados.
Costumo dizer que depois dessa época, em que conheci essas pessoas, sair pra rua cumprir tarefas e voltar para casa sabendo quem você vai encontrar, não tem preço. Talvez por que eu tenha mesmo, muita sorte.
O melhor de estar na companhia das pessoas certas é saber que você volta pro mesmo lugar onde elas estão. E torna-se viciante. E torna-se cumplicidade, vínculo, envolvimento.
E juntos dividimos o que temos de melhor e pior em nós mesmos.
E você aprende o valor da partilha, e você aprende a lidar consigo mesmo e com as diferenças do outro.
E você tem tempo pra pedir desculpas se algo saiu errado.
E você tem mais amanhã pra viver o que ficou pra trás hoje.
De uma forma muito simples, eu diria que assim fiz grandes amigos. E pude me conhecer um pouco mais...ver em mim coisas que são chatas e perceber também, que pessoa bacana eu sou.
E vi que vale a pena arriscar.
Arriscar-se a ir sozinho pra um país estranho mesmo achando que é horrível se sentir estranho, ou sozinho.
E não lamentar em nenhum momento que seja caro, despenda de coragem, ousadia, liberdade e força. E que para sempre você conhecerá pessoas que jamais conheceria se não estivesse ali. E que nunca as teria conhecido se não as tivesse conquistado.
E nessa história toda descobri também, o valor da amizade entre homens e mulheres. Sim, existe. Não é fácil mas é possível...Cinco homens e duas mulheres.
E pensam que é fácil ter amigo bonito? E pensam que foi fácil conviver na mesma casa com homens de diferentes culturas e temperamentos?, com mulheres bonitas, charmosas e inteligentes como nós? Confesso que em determinados momentos, você se rende. Mas se rende de um modo bem interessante.
Se rende aos encantos da pessoa, como pessoa.
Se rende ao que vê nela, nua e cruamente.
Ninguém consegue vestir uma máscara nem estar sempre bem arrumado com o discurso na ponta da língua, quando mora junto. Com e sem envolvimento amoroso.
O mais durão é capaz de mostrar sua fragilidade. E você fica sabendo de todos os segredos masculinos. Impossível de algum modo, não se apaixonar vez ou outra. Diante de tanta espontaneidade e respeito. Mesmo em face de tantos defeitos e admiração.
Impossível não ver as falhas no rosto de cada um, todos os dias. Mas saber passar por cima de tudo o que é irrelevante.
Com alguns você acaba por se identificar mais que com outros. Mesmo porque alguns sempre se envolvem mais com você que outros. E ainda assim, criar amizade com todos. "Flores" e "cravos" se entenderem bem. Taí, eu aprendi. E não existe coisa melhor, do que conviver com os homens, aprender com eles, ensinar muito à eles também.
Mesmo não encontrando hoje, com todos eles e não morando mais juntos e na Inglaterra, você sabe que um dia irá encontrar com essas pessoas e elas não vão te apresentar pra alguém como um simples amigo, e sim como alguém que um dia morou com você. E isso não é pouco.
Digamos que leva-se uma vida pra conhecer uma pessoa, as vezes anos pra conquistar. Mas pouco pra sentir que de mansinho, as pessoas vão entrando no coração da gente. E vão ficando, e vão modificando os espaços internos, justamente naquela lacuna que você achava que não iria ser preenchida.
O que uma pessoa é capaz de transformar a visão que temos, você nem imagina. De um assunto que seja, de uma figura, de uma obra-de-arte, de uma música, ou dos músculos do corpo.... porque sabe...altera os mecanismos dentro da gente. Mexe com os batimentos cardíacos e com a dopamina .. E ainda continuo falando de sentimentos que estão além da presença física e da distância? parece que sim. E o que essa experiência fez de nós? O que você constrói de verdade, permanece. O que você planta, você colhe. O que você quer com toda a sua alma, você tem.
E pensar que no dia em que conheci o cara de casaco preto e calça jeans na estação, não tinha a mínima idéia de tais alterações na química do meu cérebro e na concepção que faço das pessoas que entram na minha vida, e que eu peço: fique.

E pensar que todas essas pessoas, aquela casa, naquela época e a melhor experiência dos últimos tempos, só aconteceram, porque um dia, o meu ex namorado “Fabiano”, inventou de morar em Londres e um ano depois, com saudades dele, eu também fui. E foi quando ele me passou o telefone do cara do casaco preto e calça jeans e eu liguei. Ainda bem, que eu liguei.

Três anos depois, ou há dois meses atrás, fui visitá-lo em Porto onde ele mora.
Ao olhar o seu armário aberto me deparei com o casaco preto e aquela calça jeans e tudo veio à tona, até mesmo o cheiro do antigo perfume que eu usava. Nada precisei comentar, porque a gente sabe o que nos trouxe até aqui. Uma certeza única: a de que toda pessoa entra na sua vida por um motivo.
Algumas são tão especiais que te levam a pessoas extraordinárias e a lugares excepcionais. Estamos todos conectados indiretamente através de "dezessete" pessoas... Look around you and belive in me.
Algumas partes desse texto foram escritas em 2007 -
By Ju Tahan

E saiu à francesa...

Acontece comigo não sempre, mas acontece.
E com o Fabiano foi assim.
Alguns homens ao bater o olho eu já sei se bate comigo.
Dizem que a lei da atração explica.
É algo no ar, o qual não sei com exatidão, como confere uma ordem.
Deve estar implícito nos átomos. Na epiderme. É química. E quando bate, bate. Um “bate” para cada um. Com o Fabiano foi. Dois “bates”.
Mas eu gosto dessa estória. E ela começa assim...
Morava em São Paulo. Meus pais, em Minas. Final de semana ia pra onde? Sul de Minas.
Num dia, conversando com um amigo que é o ex de uma amiga minha, disse- me ele de um amigo, o qual, precisava me apresentar. E repetiu: você vai gostar.
No final de semana seguinte, em Minas, ele aparece com o tal amigo. Dirigindo pra uma festa, os carros se cruzam e de dentro do meu, pude ver a cara do tal amigo, dentro do dele.
Percebi que era magro. E narigudo também. Não é que não goste de homens magros, nem narigudos. O instante é que foi curto demais pra aprovação.
Quando chegamos à festa, fomos apresentados.
Um tempo depois, percebi ele me observando.
Tinha algo de interessante no jeito dele. Pessoas nos atraem também pelo jeito. Não que seja uma dificuldade física de atração. O jeito, a rapidez com que as palavras vão sendo ditas com precisão, a forma de gesticular, são afrodisíacos.
Eu me lembro bem, estávamos numa turma de amigos posando pra foto quando a câmera imperrou.
Naquele momento, me flagrei discutindo com ele por causa da câmera e cismei que na minha mão ela fosse funcionar. Só fui acordar da discussão na hora em que me vi com a boca próxima da dele.
Sai dali no mesmo instante. - Porque é que a gente nega o impulso da vontade? - Porque é ela mesma apenas um impulso? o gostoso tem mesmo que ficar pra depois?
Fui ao toilete e quando voltei, passando de volta por onde estávamos, não havia mais ninguém. Continuei andando, foi aí que escuto um psiu sussurrado vindo da minha direita; era ele sentado sob o balcão de um bar desativado. Bem ali sozinho, mexendo comigo.
Me dar “psiu” pode me incomodar.
Curiosamente fui onde ele estava, pra saber o que vinha depois do psiu.
E foi quando ele me deu um abraço de pernas.
Então um alerta vem à tona avisando " você vai acabar cedendo" - afinal, contra o quê está lutando?
Fomos dançar e dançando forró, o cara pisou no meu pé três vezes. - Eu pensava nessa coisa de ter o remelexo. Pensei em desistir - nem me amarro em forró- E nada de beijo. Eu olhava pra boca dele e não me imagina beijando-a.
....Isso se dá numa daquelas tentativas que você mais uma vez, faz contra a vontade.
Brinca com a força da gravidade. Com a química, que se faz presente e você, teimosa, resiste....
e vai adiando. Foi tudo tão desastroso que perdi a tarraxa do meu brinco. O que eu mais gostava.
E foi então que ele me puxava pela mão e olhava pra todas as meninas que estavam na pista.
Eu sem entender nada.
Depois de um tempo paramos pra sentar e descansar. Uma menina se aproximou da gente e foi nessa hora que ele ofereceu à garota uma dose de whisky com energético em troca da tarraxa do brinco dela. Eu já tinha dado por encerrado mas ele não tinha esquecido.
E então entendi, porque ele ficava olhando pra todas as meninas que passavam - ou, quis entender - A troca foi feita e já com os brincos no lugar, procurei me concentrar nos lábios dele, a partir de então, passei a gostar daquele sorriso e da maneira como ele me entretia e arrancava de mim, risos, um atrás do outro. Quando você se concentra no jeito da pessoa, ela passa a ter certa magia pra você.
O beijo aconteceu. Terminei o beijo sorrindo e mal consegui olhar pra ele que imediatamente me entreteu num outro assunto, já me fazendo gargalhar e dali em diante percebi que eu estava diante de um constrangimento zero de situação. É como se já tivéssemos nos beijado, centenas de vezes.
No dia seguinte, eu no cabeleireiro e o cara me ligando...
Toda a turma no churrasco e ele lá, na porta da minha casa cumprimentando o meu pai e me esperando chegar da escova...
Não entendia tanta insistência da pessoa, ele tinha acabado de me conhecer.
Para mim era, só um final de semana.
Quando me dei conta, eu já estava no churrasco com ele e mais todo mundo.
Mais adiante e lá estava ele na minha casa, conhecendo minha mãe e jantando camarão na moranga, que ele insistia em chamar de bobó.
O final de semana demorou a passar. E é assim que acontece quando uma pessoa chega, entra com tudo na sua vida, sem avisar e ainda te deixa com o coração disparado e dores no maxilar.
A gente tinha que voltar. Cada um pra sua vida. Como pode ser tão insuportável, conhecer alguém que você sempre quis... mas que mora longe.
Casais de final de semana se separam por um único motivo: a segunda-feira.
Na hora do adeus, só o que pude fazer foi anotar meu telefone com o código zero onze.
Com o telefone na mão, vi que ele discava e se distanciou. No último tchau, ele disse pra quando eu chegasse em casa, acionar a caixa postal.
Senti certo alívio. E um pouco de curiosidade.
Pensei nele a noite toda. E a viagem toda de volta.
Quando pisei em casa, a primeira coisa que fiz foi escutar o recado:" Oi gatinha..Não preciso nem dizer quem ta falando porque você já sabe que sou eu... Adorei te conhecer...esse final de semana foi bacana demais, ainda bem que eu vim. Vou sentir saudades de você, a gente tem que se ver de novo, to me sentindo previlegiado por ter te conhecido...beijão... Achei graça naquilo.
Afinal, não é todo dia que você conhece alguém, que te ganha...Ele realmente conseguiu que eu ficasse pensando nele, ficando com o magnetismo no ar...
Alguns caras, realmente me impressionam com a segurança que já depositam num relacionamento.
E, a partir desse dia, nos falávamos por telefone todos os dias.
Era o que tínhamos, o final de semana em minas pra recordar e o dia-a-dia via embratel pra contar.
Alguns meses depois, não pude mais resistir.
Era reveillon, e tive que passar a virada com ele.
Lembro-me muito bem que a trilha sonora daquele ano, no auge era " Já sei namorar, já sei beijar de lingua agora só me resta ganhar..." blá blá blá...
Me lembro de ter ido muitas vezes à B.H naquele ano.
Tentativa ou erro. O que eu queria era estar perto.
O Fabiano era "duro". Não tinha grana.
Bem, era isso o que ele me passava.
Pois é, o jogo vira. Sempre vira.
Eu que pensava que tinha sido só um final de semana...
E na minha concepção existe uma força que diz quando você quer, você faz. Você vai ver a pessoa à pé, de bicicleta ou de trem. Divide o aéreo em várias vezes no cartão.
Eu estava apaixonada... e bem, não dava bola pra isso.
Fazia o que estivesse ao meu alcance pra estar perto dele. Um dos lados sempre acaba cedendo mais que o outro.
Erro ou tentativa, mais uma vez.
E os telefonemas duravam horas a fio, madrugada afora.
Certa vez em que estive em B.H estávamos os dois, caminhando a pé pelas ruas e passamos em frente a um ponto de táxi: - está vendo aquele ponto de TX ali? Disse o Fabiano. Eu ligava pra você de lá.
A caixa do telefone ficava destrancada e eu usava o telefone na cara dura. Sem ninguém ver, lógico. -Altos interurbanos pra São Paulo! mas também, não era sempre. E ..não me olha com essa cara.
Caramba,eu fiquei ali na hora, chocada.Só pensava calada, enquanto eu gastava horrores de conta telefônica, o Fabiano usava o telefone do taxista! Na hora, nem consegui fazer um comentário rude. Mas isso ficou na minha cabeça...
E não é que num belo dia, estou eu, na casa dos meus pais em Minas, toca o telefone, eu atendo. Do outro lado da linha, uma voz masculina me perguntava “de onde é que está falando?” - é da casa de quem? Eu não disse, mas perguntei o que era. O homem possesso perguntava se eu conhecia alguém de Belo Horizonte, porque era do ponto de táxi que ele estava falando e tinham diversas ligações na conta do ponto para o meu número. E eu tive que dizer ao taxista que eu não conhecia ninguém de lá.
Depois contei ao Fabiano e acabamos por rir muito dessa estória. Em “contrapartida” - e, adorávamos usar essa palavra - diga-se de passagem, abominei o ocorrido e fui obrigada a ser rude.
Certas atitudes do Fabiano, eu não compreendia.
A gente combinava muito mas destoava também.
Brigávamos pra falar, pra fazer, pra dançar, pra beber, pra comprar, pra comer... De idéias de girico à empreendimentos mirabolantes.
Ele sempre teve uma visão mais prática da vida.
Opostos se atraem?
Gostava de me entender pelos olhos do Fabiano.
Ele enxergava coisas que são muito minhas, sem que eu dissesse. Sempre entretendo, me despertando, me fazendo refletir.
O bacana de se relacionar com alguém é isso, é se conhecer cada vez mais com o olhar do outro.
A gente quando se relaciona, relaciona-se com a gente mesmo. É uma troca. Até que ela deixe de fluir...
Seu melhor amigo nos dizia: “ dois bicudos não se beijam”...
Isso foi há seis anos atrás. Eu tinha vinte e dois. E ele também.
As demonstrações de afeto, vinham por sinais. Sempre em uma música, ou num filme. Emocionalmente complexo. Porém prático, sincero.
Ele sempre me disse todas as verdades, mesmo que doesse.
Consegui tirar um “eu te amo” dele, uma só vez, dito. E uma vez só, escrito. E numa dessas vezes, ele me perguntou: O que é o amor pra você? eu disse o que sentia. Taí, ele disse...então eu já posso dizer que te amo.
Trocávamos presentes sem data comemorativa.
Quando eu partia deixava com ele, um objeto meu.
O que ganhei dele uma vez, foi um quadro que era do pai dele. Uma camiseta usada pra eu dormir. E um cd que ele gravou com as músicas que ele mais gostava com a seguinte prescrição: "pra você se lembrar desde o dia em que te abracei com as pernas até hoje"...
Mas o que mais me surpreendia era a forma como eu me comportava quando estava com ele. O mundo se abria. Eu pensava em quantas coisas boas e produtivas podíamos fazer bem juntos. Uma parceria que podia dar certo, afetiva-física e profissionalmente.
Por isso a importância de estar perto quando se mora longe. Por isso a importância da convivência assídua entre as pessoas que se gostam e vislumbram um futuro juntos.
Ele me deixava inteligentemente boba e à vontade.
Ele sabia o que estava por detrás da minha forma de agir e lidava com maestria.
Como se lesse meus pensamentos e imediatamente agisse de acordo com eles. O único a conseguir tal façanha.
E lá estavam, todos os meus desejos concebidos, e romanticamente dizendo, a impressão de termos uma sintonia fora do comum e que o nosso amor estava além de todos.
Resultado: sorriso mútuo na cara.
É como todos os apaixonados pensam: “somos invencíveis”.
E só pra completar o discurso de quem ama: “Ele tinha formas de me olhar que mesmo de roupa, eu me sentia nua.”... Uma vez, me desenhou dormindo.
Noutra vez, chorando pra nos despedir eu disse: como sou boba, porque choro?
E ele sutilmente respondia: porque isso é bom ... isso que a gente está sentindo é bom... Me despedir dele era como deixar uma parte boa de mim, pra trás.
Duramos alguns anos.
Eu voltava a ocupar o posto de distanciamento incontáveis vezes.
Acho que me apaixonei por ele umas quinzes vezes. Na época eu pensava que se fosse homem, seria como ele.
Ele tinha um jeito único de me fazer sentir. Mulher dele. Com ele. Ao lado dele.
Ninguém chora à toa. Quando o choro vem é porque algo vai deixar de existir. E foi a última vez que ficamos juntos de verdade, ele estava indo morar na Inglaterra. E foi. E eu, fiquei.
Todo relacionamento se não é pra ser, tem começo, meio e fim.
Todo sentimento nasce, cresce e morre.
A não ser que você consiga se apaixonar pela mesma pessoa, muito mais que quinze vezes. Ficamos vulneráveis. Mudamos de ares. Perdemos a convivência e ganhamos mais, muito mais liberdade.
Ficamos cada qual com a sua vida, na vida como ela é. Ele lá e eu aqui.
Outras pessoas chegaram, entraram, saíram. Outros sentimentos melhores e piores vieram.
Alguns renovaram, foram reconstituídos.
Foram tomados por outros.
Mas uma marca bem feita, sempre fica. Sempre resta uma pontinha de um passado bom, cravado na memória.
E quando você não quer lembrar, pensa apenas no que aprendeu.
Porque todo amor,dói. E demora um tempo pra você ficar pronto de novo. Se abrir.
Eu gostei do Fabiano, profundamente.
Pela primeira vez, saquei ter encontrado uma pessoa que eu teria o que conversar pra sempre. A história era muito prática. Uma pessoa sempre entra na sua vida por um motivo único. As que valeram realmente a pena, trazem a razão do motivo. O motivo fica e não se perde. Eu fui única e original com ele, que é como deve ser. Tentei deixar com ele também a minha razão e o meu motivo.
Mesmo assim, não esqueci fácil, não deixei de gostar fácil. Senti saudades, milhões de vezes.
O mundo dá voltas, eu sempre pensava... mas com ele, não deu.
A questão é que as pessoas mudam. As coisas mudam. O tempo não pára. O meu tempo não é o mesmo que o seu, que o dele, e....enfim...!
É melhor ser prática pra não ter que escrever mais umas trinta páginas.
Sem muitas voltas,
FIM>

OBS: O nome Fabiano é pseudônimo.
- ... Ontem mesmo te liguei pra dar Feliz aniversário...disse eu: te desejo o melhor e você disse: "Obrigado por ter se lembrado, eu mereço".
By Ju Tahan
Quem disse que ser adulto é fácil

1 - Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: 'Ah, terminei o namoro. . . ' 'Nossa, de quanto tempo? ''Cinco anos. . . Mas não deu certo. . . acabou 'É não deu. . . 'Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

2 - Hoje, no alto dos meus 33 anos e tiozão, não acredito muito em os 'opostos se atraem'. Porque sempre uma parte vai ceder muito e se adaptar demais. E sempre esta é a parte mais insatisfeita. Acredito mais em quem tem interesses em comum. Se você adora dançar forró, melhor namorar quem também gosta. Se você gosta de cultura italiana, melhor alguém que também goste. Freqüentar lugares que você gosta ajuda a encontrar pessoas com interesses parecidos com os teus. A extrovertida e o caretão anti social é complicado e depois, entra naquela questão de ' um querer mudar o outro, ui. . . '. Pessoas mudam quando querem. E porque querem. E pronto. E demora!

3 - Cama é essencial! Aliás, pele é fundamental. E tem gente que é mais sexual, outras que são mais tranqüilas. O garanhão insaciável e a donzela sensível eu acho meio estranho. Isto causa muitas frustrações e dá - lhe livros de auto ajuda sobre sexo. Assim como outras coisas, cada um tem um perfil sexual. Cheiro, fantasias, beijo, manias, quanto mais sintonia, melhor.

4 - Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ele é malhado, mas não é sensível. Às vezes ele é boa companhia, mas não é tolerante. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

5 - Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona. . .Acho que o beijo é importante. . . e se o beijo bate. . . se joga. . . se não bate. . . mais um Martini,por favor. . . e vá dar uma volta.

6 - Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos.. Se a pessoa REALMENTE gostar,ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, filho, doença, dinheiro, pressão de família? O legal é alguém que está com você e por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sozinhos. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

7 - Gostar dói.Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora outro ser, de outro mundo e outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer. . .A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim. . . quem disse que ser adulto é fácil?

De nosso queridíssimo Arnaldo Jabor
Ser incomum

Cala a sua boca
Você não sabe o que esta dizendo
Você me conhece?
Não, acho que nunca te vi antes.
Depois a gente conversa
Isso é você quem ta falando.
Jura por deus?
Quem foi que te disse isso?
Demais, então ta combinado!
Ah, ta entendi.
Vai todo mundo, você não vai?
Eu quase morri de rir... Disfarcei mas... Assim não dá.
É isso mesmo que eu vou fazer.
Deixa eu te contar uma coisa...
E quem é que já não disse essas frases antes?
Já pararam pra pensar que a gente acaba usando as mesmas linguagens, e até melhor dizendo, as mesmas gírias, metáforas, conotações e hipérboles.
Pessoas bem humoradas, envolventes no modo como usam os gestos, o discurso e a entonação de voz se expressam de forma diferente. Agem deixando seu rastro sem que nada nem ninguém, possa ser igual.
Pelo menos é ASSIM QUE DEVE SER.
Solte sua boca, a linguagem é universal.
Deixar as pessoas conhecerem a gente é experiência nova.
Há um estimulo em cada sorriso, em cada resposta existe sempre alguém pra quem dar.
Você é energicamente especial, sabe como fazer uma pessoa se sentir bem na sua prosa.
Um comentário, argumento de tira colo, se não for sarcástico é no mínimo imbecil ou inteligente. É fácil sacar as pessoas. Elas usam sinais.
Pessoas ligadas em pessoas, entendem mais delas, a ordem e a desordem, a união e desunião, as verdades e mentiras, os achados e os perdidos.
Há os que falam muito e não dizem nada.
Os que dizem muito e pouco ouvem.
Vamos adequando o nosso ouvido ao nosso “saco” e o temperamento pessoal à forma de experimentar as pessoas na vida. Bom é quando um assunto emenda no outro.
Gostoso é quando um, se identifica no outro. Bem informadas, antenadas, lidas, diferidas, analíticas, pessoas geram polemicas. Perde quem sai do argumento. Retraídas, reprimidas, introvertidas, observadoras, algumas ficam de canto na sala só escutando. Por vezes, inseguras com medo de falar besteira. Os donos da razão. Os divergentes pontos de vista. Não sendo cabeça dura, ta bom. Para os descolados, viajados, desprendidos, desapegados, criativos, bem vividos e humorados pode nem tudo estar perfeito - mas bem-vindos sejam, os que sabem entender o momento. E formam-se as rodinhas, as festinhas, reuniões.
Seja em qual segmento for – a sociedade, a política, os valores, a amizade, os relacionamentos, o salário, por favor, seja educado.
Cada questão, uma visão.
Cada individuo, um coração.
Nos que procuramos ser adequados, mas não desconjurados, nem caretas, ou over, vamos tentar ao menos, entender uns os outros.
Seja paciente com as questões ambientais, o mapa do mundo, do céu e a cpi.
Podemos mudar as coisas a nossa volta, mas pessoas: não mudamos.
Somos o nosso próprio segredo.
Nós somos a primeira pessoa do singular. Eu sou livre. Você é livre.
Ser livre é ser multimídia.
Seja uma contribuição fundamental.
Liberdade é a capacidade do homem contribuir para a sua própria evolução.
Comunique-se a sua volta.
Todos os dias você passa pelo porteiro, pela namorada, a amiga, o lixeiro, o chefe, o presidente, o estrangeiro, o motorista... Sem esquecer da tecnologia, a descoberta cientifica, o medo, a musica, o renascimento, o nascimento, a antologia.
Animais racionais – metade razão, metade emoção.
E há quem descubra que é mais do que parece ser.
Pois nada é o que parece.
Para os criativos: novas idéias.
Para os pobres de espírito: coragem.
Para os milionários: menos egocentrismo.
Para os fracos: piedade.
Para os limitados: inquietude.
Para o ódio: morte Para o amor: infinito.
Para o medo: fé
Para o momento: felicidade.
Para todos: Obra.

- Porque nada é nem de longe, o que parece ser- Escrito em 2003
Insensatez

Que coisa! Essa coisa de que jovem é jovem mesmo e só espera ser gente grande quando virar adulto.
Todas as coisas que passam pelas cabeças desses jovens loucos
porque de louco todos temos um pouco.. e não preciso perguntar sua idade.
Ventos vêm ..ventos vão
É constante e mutante as variações de nossas loucas cabeças pensantes.
O que somos, o que fomos e o que vamos ser?
São coisas dependentes da inércia
Que nos mantém vivos em cúpulas de nossa mente,
primaria, secundaria ou atuante.
Atuar em passos, lentos e ate compridos,
comprimidos por tanto andar, nas andanças desse pé calejado e da pele seca, já de tanto suar... Os mandamentos vêm
e os que estão além,
Lêem na obscuridade tremenda e zonzos de tanto pensar.
E porque pensar se estamos alentos
ignorando ventos, sem saber onde pisar...
Ah loucos jovens estes, que procuram refrescar a mente
Infundindo vapor nas veias de tanto pirar?
Procuram o holocausto?
E quem disse que ele sabe dizer alguma coisa!
Quem disse que nos sabemos que coisa é essa!
Somos mais do que somos
E podemos pensar até mais do que pensamos...
Surtamos pois a atual refrescancia da memória quer evitar que os pés pisam no chão.
Não somos flutuantes, nem queremos ir até a lua
Dirigir uma nave espacial ou conversar com os etes.
Os extraterrestres somos nós que convivemos uns com os outros e sequer sabemos o que vamos falar...
Ascendam as luzes, holofotes! Sons.
Vamos ser generosos e formosos com as tais formosuras de se comunicar.
Palavras são gestos, sons emitidos, luz para se galantear.
Ainda que eu não dissesse nada, você saberia.
E se eu não dissesse tudo, você entenderia.
Pois que haja loucos jovens sábios mesmo com a luz apagada.
E que haja vãos sábios acesos de tanto resplandecer palavras.
Não seríamos assim, se não fossemos assim.
Não seriamos loucos se disséssemos sempre um sim.
Estar assim, é estar aqui.
E estando aqui, faremos do sim, um passo...
De um passo, uma oportunidade, O começo, o meio, o fim.
Que fim? Não temos fim.
Somos infinitos até que a sentença de morte nos tire o corpo.
Mas a alma fica.
E continuamos loucos, com a mente em sopro e o coração um tanto quanto doido...
Porque de louco, todos temos um pouco.

Poema de 2001 – ainda que eu não dissesse nada, você saberia. E se eu não dissesse tudo, você entenderia.
A gente as vezes "fode" ...

E então se apaixonou por duas, não acho que foram três ou quatro pessoas ao mesmo tempo...foi a memória que contou. O jeito como a olhava, como a afoitou e a despiu. Vinha com os lábios por entre suas pernas, e vinha com as pernas entre as suas. De um jeito, que poucos homens os quais desejou peculiarmente só de olhar fazia... gestos sinuosos, boca de quem quer devorar e vinha com sede . Só o que pensava era como aquele homem podia lhe satisfazer tanto...e depois, fazia cara de sorriso, sorriso singelo que aos poucos ia se recuperando e tomando forma de boca em silencio novamente e de volta vinha aquela força que dava o suprimento de ser tão e ao mesmo tempo... amante, fraco, impiedoso, despudorado, insaciável figura humana de indisciplinar o mais que viesse a lhe resplandecer. Entravam em seu mais profundo gemido e faziam-se silenciar. Enquanto ali estava como mulher, como sua puta, guerreira, selvagem e severa ao que lhe impunha certa insanidade sexual causada... E depois disso, recompôs-se do sufoco de ser abandonada, que naquelas determinadas ocasiões não ocorreram, pois estavam cúmplices. Cultivavam o mesmo teto, as mesmas acordadas e dormidas por consecutivos dias próximos de terminar. Longe de sua audácia eternizá-los. O que apelidava de único, era na verdade, um processo individualista percorrido a cada vez que dispunha, a sós, experimentar tão inimagináveis façanhas. E a irremediável participação convinha em conjunto ao desconhecido mundo dos penetrados e penetrantes naquele presente inquietante. Por diversas vezes, conectados da mais sublime e majestosa beleza, não percebiam sequer que estavam em perigo. A natureza divina, a malidicência enganosamente racional. Tino ao imediatismo, puro desfrute. Renegaram o explêndito. O descompasso da sinceridade que trazia `a tona profundas demagogias e apologias descomunais. “Foder” requer resquícios, ainda que por um milagre. Instantes insensatos e irreverentes `a condição humana de superficial juízo. Dor que não tem razão de perdurar. Sentido que aflora a imaginação que, livre não recua. Obedece ao rigoroso trato de pretensão do novo e a incessante e cara satisfação do porvir. Que já não se segura em abismos, que já não se cansa das contrariedades pendentes e faz-se vivida a razão de pretender-se insolente e incansavelmente: deuses do sexo. Não se fala em amor quando se obedece ao juízo. Toca-se singela e vulgarmente no órgão de toda a matéria prima da procriação humana, sem desejar cuidar precisamente do resumo da obra cumprida. Um canal aberto, que por instantes, ou até horas, pode ser entrada e saída. A Saída é ocasião, casa cheia ou vazia. A entrada, profana, um gemido, um tranco, umidade, quentura. Insinuar-se é dar-se por seduzida ou irremediavelmente despida, ainda que não visualmente. É papel da mente descontrolar insinuações pré-concebidas. E lutar com jogo ganho. Mesmo falando com as estátuas, sabendo que elas pouco me ouvem ou quase nada. O sentido me faz lembrar Nelson que de Rodrigues tem o Primo Basílio que eu queria que existisse, e virou peça do meu jogo de xadrez.

- procedente auditivo da "casa dos budas ditosos" - inspiração que corre solta.
Voz de narrador-

... Estar com os amigos causa sempre frisson. Amigos são formas de expressão. São espelhos do sorriso. São sofrimentos que passam. É brinde, é festa, é relembrar a diversão do dia anterior. É programar viagens juntos. É estar conhecendo sempre novas pessoas através desses mesmos amigos e também pelos novos possíveis amigos. É não estar sozinho. É estar em casa e em família. É estar desfrutando momentos simples e únicos. É estar submerso a uma atmosfera branca e rosa. É estar em meio a clicks, é querer sair de encontro ao mundo. É dar telefonemas engraçados e pertinentes, só pra chamar a atenção ou enviar positividade alheia. É brincar e dançar feitos bobos com ou sem fundo musical, na maior parte das vezes, com. É não escutar o telefone tocar porque todos querem falar ao mesmo tempo. É não ter vontade de abandonar o local onde estão pra não ter que trocar de vibe. É querer que qualquer presença adulta ou séria demais, “vaze” pra poder fazer e falar “merdas”. Relembrar os tombos, as risadas, as conquistas, as decepções amorosas, os delizes e saber que ainda somos solteiros, jovens, liberais, inteligentes, descolados, apaixonados por serem quem somos. Mente-abertas e pessoas interessantes. Desapegados das ironias do destino e protegidos de qualquer mal. Dispostos ao bem comum, intuição acentuada e um desejo inato de não parar nunca. De amar mais, de sonhar mais alto, de curtir aproveitando e de aproveitar curtindo. De responsabilidades e compromissos mas já com a volta programada pra nos reunirmos de novo. Nos Reconhecer uns nos outros, relembrar quem somos, ajudar um amigo a se encontrar. Rever os antigos. De perto, de longe; no mesmo teto ou do outro lado do mundo. É não se perderem no meio do caminho porque um foi promovido, o outro estudar fora e ainda um outro, namorar, morar junto ou casar. É ser respeitado pelas opiniões, é estar aqui de coração aberto e lá com a saudade nos braços... Trecho de "Casa pra Cinco" - título provisório de um suposto improviso
Vertente

como uma legitimidade, fora do alcance de uma vírgula que faça o intermédio entre o que digo e o pensar. Na maior parte das vezes os pensamentos soam mais rápidos que os dedos. Um gole de café na mão direita e um cigarro aceso na esquerda. Minhas mãos estão tomadas, impossivel digitar. Solto a xícara. Uma cadeira ao lado me incomoda a posição do braço. Um armário foi retirado do quarto porque estava podre. Ainda posso sentir o cheiro de mofo encalacrado. Jornais espalhados... nem todas as páginas, li. Veja, a super interessante e a simplificidade da vida. Observo a minha volta: Um frasco de perfume Mont Blanc, um creme hidradante da bath body works, um ventilador cor cinza pouco decorativo, uma estante coberta pela cortina, uma mala de couro marrom. A escadinha branca está numa posição que assim foi deixada e ninguém removeu. As roupas não mais estão seguras, neste quadrado que num outro tempo, foi um quarto com vida. Mas não vamos falar das depreciações. Ali tem um corpo e uma vida: usou a escada, retirou as roupas do ármario, colocou-as na mala marrom, retirou os livros da estante, escorregou o creme na pele, borrifou mont blanc, tomou um gole de café, apagou o cigarro. Veja, ela assina. Leu toda a super interessante e o artigo sobre a simplicidade da vida.