quinta-feira, 21 de maio de 2009


Faço da quinta, a mais bem-intencionada.
No horóscopo dos arianos, consta que o melhor dia da semana pra gente é a terça- feira.
Ariano é cabeça dura, você já deve ter ouvido falar.
E como sou uma ariana que se preza, resolvi que não. O dia apropriado à mim cai sempre numa quinta-feira.
Coloquei uma magia em cima das quintas que esse dia da semana se revela à mim, como o dia propício às transformações.
Quintas são convidativas. É a pré da sua sexta-feira. É um dia até nostálgico se for ver bem. É um dia da semana, que se cai com feriado, te deixa emendar com o dia seguinte. É o faniquito querendo despertar. É o dia do plano. Da audácia. É o dia do desejo de querer mais.

Não fui à praia, não andei pelas ruas de Ipanema, não gastei com o que já tenho, tão pouco parei em lugarzinhos pitorescos à espera de ordenar meus pensamentos ou ver pessoas trafegando pelas ruas. Embora dar um pulo na “travessa”, fosse típico de uma quinta-feira.

Eu saí foi cedo de casa. Pra sentir o cheiro da brisa que bate na Urca nessa época do ano, um pouco mais fria. Pedalo enquanto observo casas desenhadas arquitetonicamente para o bairro. Das que não ficam na Orla, terraços e janelas charmosas se oferecem aos olhares. Das que não ficam, insinuam-se lindas tanto quanto. São menos óbvias. Ali e acolá residem pessoas que não vejo entrarem ou saírem de suas casas, não sei qual a idade que têm, ou o que fazem. Imagino apenas o quão agradável deve ser o deleite em meio a tamanha tranquilidade e imponência de se viver.

Na volta, procuro observar a graça da minha rua. Arvores altas e delicadas, se entrelaçam cobrindo o céu de verde. Tem até um pau brasil de 1982 bem em frente ao meu prédio. Poucos carros me pedem licença. Pedalo olhando pra cima como se quisesse puxar o ar puro todo pra mim. E agradeço o meu sutil observar das coisas que estão ao meu redor todos os dias.

Passo pela hall de entrada, o porteiro simpático me entrega o jornal. Subo pensando numa rádio com músicas bossa-nova pra relaxar e enquanto ligo o som, ponho reparo na minha parede também verde, e que apesar de não ser minha, sinto o quanto a cor me traz o sossego que eu antes encontrava, numa rede preguiçosa na chácara dos meus avós. Ligo um incenso que traz escrito na caixinha, pêra com especiarias e ervas do campo, “ portal do sucesso”, e eu ainda reparo nessas promessas na hora de escolher o aroma. Acendo e deixo tocar musiquinhas Mpb.

O jornal me olha como se meu dever fosse engoli-lo todos os dias. E como toda ariana feliz, só quero notícias boas e agráveis pra começar bem a minha quinta especial. Me rendo então, a coluna do Contardo Calligaris. Como não poderia ser mais do que bem-vindo, escreve as quintas-feiras na Folha de S.Paulo. Sublinho alguns dizeres, porque essa é uma mania que eu tenho. Assim como sublinho as frases boas dos livros.

O que me salta aos olhos, desta vez, é a pergunta lançada: “No mundo desencantado, como não empobrecer nossa experiência?”
É então que me lembro de partes da minha rica infância, da primavera na chácara dos meus avós, do cheiro de bolachinha de nata, da gangorra vermelha rodeada de margaridas e o balanço enferrujado que me deixava mais próxima das estrelas. Subir na mangueira da casa da minha avó e ficar horas no meu galho preferido chupando manga.
Eram os desejos favoritos da minha infância.
Não deixar morrer nossos desejos é a resposta que eu tenho para o não empobrecimento da nossa experiência na vida. O que remete a uma outra frase também lançada por Calligaris, “ a maior traição é a do nosso próprio desejo”. O ideal seria então, nos trairmos menos. Ou, ser fiel aos nossos desejos.

Nos transformamos em pessoas menos felizes quando deixamos de realizar o que desejamos. E quando deixamos de ver beleza e magia nas coisas simples da vida.
Só que nossos desejos não são todos prontos ou estão em fila indiana esperando a sua vez chegar. O que faria com que experimentássemos todos eles. Quem de nós só faz o que deseja? Se poucos sabem o que realmente desejam?

Enquanto isso, escolho uma sugestão e fico com ela: o mistério da simples presença.
A simples presença por si só, traz todas as possibilidades de encanto.
Eis um rico desafio à nossa experiência divina, já que é um mistério.
Sendo assim, termino a poesia. Fazendo fundo a canção “ eu caçador de mim” do iluminado “Bituca”, na 90,2 Fm.

Não, não quero ler sobre desgraças e politicagem, oferecidas nos jornais. Acabo de dobrá-lo e deixar num canto. Essas notícias me fazem lembrar a existência do desencantamento de mundo. E como toda ariana não pode perder seu romantismo, pra que lembrar que estamos cercados por pessoas que querem nos transformar em objetos de suas funcionalidades?... Muito bem incitado por ele, meu querido Contardo. Ele sim, me conta as coisas que quero saber. Ele sim me faz acreditar que o “portal do sucesso” existe.

terça-feira, 19 de maio de 2009



" É na dificuldade que nascem os inventos e as grandes estratégias. Quem supera a dificuldade supera a si mesmo, sem ter sido superado".
Einstein.

Repare bem: Toda vez que você achar que não vai dar conta do recado, páre e anote tudo. Depois saia fazendo uma coisa de cada vez para que consiga fazer bem cada uma delas. Depois comece a fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. E quando você achar que não vai dar conta, páre , respire e preste atenção, não há nada que não possa ser feito por você. E se depois de tudo o que for feito, você ainda continuar fazendo, páre e preste atenção, você se superou.
Não dói nada, ultrapassar as medidas dos limites que achamos que temos.
Toda e qualquer dificuldade só parece ser uma, quando parte de algo ainda desconhecido para nós.
Toda vez que tornamos algo conhecido ao nossos olhos, eis que surge a oportunidade de pular para o próximo passo.
Tudo é possível. E a nós foi dado toda a inteligência para criar as possibilidades.
Está em nós, a possibilidade para a concretização de todos os nossos desejos.



A melhor maneira de amar é livremente
quem ama preso, ama à quem atende as suas necessidades.

Amamos alguém pela poesia que a pessoa nos provoca instantâneamente.
E a boca que chama à algum desejo. É a forma de olhar. É um mistério incidente na pessoa.
Está na forma que temos que ser, que livremente nos deixa aproximar do que nos atrai.
Quando voce se dá conta, o seu corpo vai na frente.
As melhores relações de nossas vidas, só se dão por causa do amor.
As relações que mais nos consomem são aquelas que nos tiram da forma habitual que conhecíamos inicialmente a respeito de nós mesmos.

Toda vez que a gente ama, ama um pedaço de nós no outro. Vemos no outro características pessoais que temos. E que de uma certa forma é incitada por ele. Nossos desejos ficam a mercê dos desejos do outro, na tentativa de difundirem-se numa coisa só.
E voce fica desejando o bem daquela pessoa, porque é como se desejasse o bem a si mesmo.
Porque sabe que nela mora uma parte que é sua.
E quando os defeitos aparecem vemos o quanto ainda somos frágeis. O quanto o outro tem de dar de si pra que possamos ficar melhor. E o quanto nos aprimoramos nessa imagem de semelhança.

O amor nos dá a medida do que somos, das coisas que gostamos e também das que não queremos.
O amor é a mais bonita forma horizontal entre dois seres humanos. Porque é quando estamos amando que deixamos transparecer todas as coisas das quais temos medo de sentir. E no sexo, as quais não sabíamos que sentíamos.
O medo aparece pra não deixar o amor morrer. Porque o amor não é feito para se ter controle.
Porque o amor é a forma mais livre e absoluta de existir. E não temos como controlar essa nossa forma mais livre e absoluta de existir.
A maior prisão que possa existir é não saber amar. Quem não sabe amar, fica escravo de suas próprias dores, de seus desejos supérfluos, de seus mais descabidos impulsos.

Jamais seremos completos se não conhecermos o amor. Assim como jamais seremos totalmente livres se não amarmos.
O amor é a beleza maior contida em cada um. É a fonte inspiradora de toda e qualquer criatura.
O amor é o maior resgate que podemos ter de nós mesmos.

É o amor que nos prepara para o próximo combate. Está nele a magia de tudo o que acontece pelo caminho. É o amor o responsável pela maior doçura que possa haver em nossas entranhas.
Mas é o amar livremente o que te deixa obter mais desse amor. É o amor livre o que te faz querer mais do amor.

A livre forma de amar não é querer que o outro te ame da mesma forma. É levar a ele a forma que você tem. É não sentir-se escravo do sentimento. Mas sentí-lo com toda a sua intensidade.
O amor deixa suas deixas. E é preciso indentificá-las. O amor é livre, o segue quem dele gostar. O amor é a maior transparência que existe entre duas pessoas que se amam. É querer partir, e querer ficar.
É ter que ter um tempo só pra si. É não querer desgrudar.

É tirar do seu pertencimento as suas maiores agruras. É não se pertencer mais, nem a si nem ao outro. É render-se ao encantamento presente.
O amor é uma espera. E quando vem é reconhecível.
Pois só o amor é capaz de modificar tudo o que há em nós.

O amor é a única forma de nos sentirmos verdadeiramente VIVOS.

segunda-feira, 18 de maio de 2009


Não se engane, toda pessoa bacana é complicada
Sábado.
Sábado é um dia que antecede o domingo chato. Sábado é a sexta-feira que te deixou esgotado a semana toda. Sábado é o dia que não dá tempo de comprar tudo o que voce precisa. É o dia que não dá pra pagar conta. Que traz o eterno impasse entre relaxar e fazer o que está pendente.
Bom pra jantar fora, pegar uma praia, viagenzinha curta...
De uns bons tempos pra cá, sair pra noite aos sábados é programa de índio. Não é mais IN é OUT, na linguagem dos sobreviventes das gírias descomplicadas. E bota tupi-guarani nisso.
Aparece um convite pra uma festa bacana.
E o que faz uma festa ser ou não, bacana?
Ai, voce que anda exausta de tanto trabalho, que não sai há um tempão com as amigas, não dança, não beija, não coloca um salto e é solteira, resolve que deve ser bacana e vai.
Um brinde aos velhos tempos:
O tempo em que você comprava roupa só pra ir à uma festa. Das pilhas de convite na sua caixa de correio. O tempo em que achava o máximo ver gente estranha e imaginar o quanto bacana elas deveriam ser. Ficar bêbada, beijar gatinho que nunca mais vai ver, se perder das amigas, ser a última a sair claro e achar que isso, ainda é história pra contar.
Aí pensa:
Bebo antes pra chegar no pique e aguentar o tranco, ou bebo lá pra entrar no pique e pegar no tranco? Então bebe.
E se lembra do quanto pode ser traumático chegar em casa com o dia amanhecendo. Isso não.
Se você é da era dos que chegam em casa com o dia amanhecendo depois de uma noitada e acha isso lindo, passar bem.
Já na entrada do lugar, avista de longe a turminha.
Sempre tem, a turminha dos que sorriem demais, falam demais, dançam demais. E lá vem o carinha passando com o copo cheio. É aí que você lembra que está de branco. E quando é branco eu valorizo. E dá-lhe, o gordinho passou com tudo e derrubou a bebida.
Normalmente os derrubadores de bebidas e pisadores de pés, uma classe de imbecis a serem abominados da face da terra são os gordinhos-malas -desesperados ou vacas descompromissadas com o mínimo senso da ridicularidade de si próprios.
Já começa complicar. Porque além do gordinho sem noção derrubar bebida, versus a vaca que pisou no pé da sua amiga na entrada da festa, a festa é do tipo “Comercial”. Leia-se a palavra em inglês, que é escrita em português da mesma forma e serve para designar a roubada em que você se meteu.
Odeio festinhas “comercials” porque a percentagem de eu chegar a conclusão de que estou no lugar certo é diretamente proporcional a certeza de que vou chegar a conclusão que estou no lugar errado. É onde quase nunca encontro gente como a gente, sacou?
Odeio festinhas “comercials”, porque você antes de entrar, já levou meia hora pra estacionar o carro e ainda vai levar mais meia pra chegar na entrada. Filas e mais filas. Antes mesmo do seu pé começar a doer, ou ser pisoteado por alguém sempre tem alguém pra entrar na sua frente. Já entrei na frente de muita gente, em festas assim, porque naturalmente era chamada na porta por algum amigo promoter. Vingança seja feita. Toma. Só que como a fase de chamar promoters já passou e muito educadamente estou com o meu convite, tento não me estressar deixando as pessoas passarem na frente. É fila pra ser VIP, é fila pra camarote, é fila pra ingresso normal. E mais: identidade, por favor. Com 30 anos a gente ainda tem que passar por isso.
Nessas festas, estão entre a maioria dos frequentadores, os solteiros chatos, os casais insuportáveis e gente como eu, que ganhou o convite, vai pela música mas insiste em falar mal da festa.
E os solteiros legais, onde estão? Solteiros legais já são considerados uma raça em extinção.
Os poucos que sobraram, deixaram de frequentar esse tipo de lugar, ou se transformaram em ex solteiros legais. Porque legalmente estão namorando. Devem estar curtindo em algum lugar das ilhas Maldivas.
E eu continuo a ser solteira e não estou nas ilhas Maldivas. Toma.
Duas coisas, substituem os solteiros chatos: As vacas pisadoras de pés e os gordinhos derrubadores de bebidas – Ou seja é tudo o que voce vai encontrar pela frente, durante a sua noite de sábado.
Ser solteiro não é ser um chato, pelo amor de Deus. Mas sair por ai, sendo um chato solteiro é comprometer a sua potencialidade em deixar de ser um. Solteiro chato é raça que só namorou gente chata a vida inteira. Ou pior ainda é tão insuportável que não consegue namorar nenhum outro chato. Gente chata é gente chata. Não existe ex chato.
Pessoas chatas vão aos bondes nestes tipos de festas porque não fazem outra coisa durante a semana a não ser se resguardarem e pouparem todo o dinheiro da semana para a festa tal que tem o nome tal que o fulano de tal vai tocar e que vão várias fulanas de tais que vão estar presentes com mais um monte de fulanos de tal. Tem coisa mais chata do que usar esse tipo de argumento pra sair de casa?
Festas grandes são feitas para um único objetivo: ganhar dinheiro. Explorar trouxas.
Long necks vão de 10 a 12,00. Doses de wisky falsificados custam 25,00. Vodkas varoviskis, kronosvissks, noff misturadas com qualquer coisa, dão amnésia. Seu fígado merece coisa melhor. Seu bolso também.
No bar uma placa imaginária me vem em mente:
O ministério da saúde adverte: se quiser continuar bebendo, tome agora mesmo o seu coquetel engov-eplocler para que amanhã você não venha a ter um surto de arrependimento por ter vindo. Obrigada.
Os banheiros. Ah os banheiros. Aquelas cabines verdes lesadas que não dão descarga nunca, nunca são sufucientes para o número de pessoas presentes.
Até voce se livrar das muitas cervejas quentes que tomou, já mijou nas calças. Aí vem o momento de adentrar a cabine. Já ta craque no fazer “Stand up” neh amiga? papel higiênico pra que te quero...Isso sem falar no odor.
Ir pra casa com um gatinho depois da festa, só depois de um belo banho, meu bem. E também já passei da fase de ir pra casa com gatinho depois de festa.
Sem contar com as 29 meninas entre 17 e 27 anos que estão na sua frente pra dar aquela espiadinha básica no espelho. Combinou de encontrar com alguém? esquece. Ele já beijou duas e você já era. Quem mandou existir fila.
Falando em gatos, é bem provável que você vá beijar alguém que já beijou um monte e você
nem vai ficar sabendo. Eca, isso me lembra micareta com 18 anos de idade. Ai, não tô podendo.
É realmente uma grande cilada ir a estes tipos de festas, principalmente porque o celular pega muito bem. Ou seja, as chances de voce encontrar com a sua amiga que foi ao banheiro do outro lado da pista e com aquela que foi comprar bebida pra voce, é mínima.
“Ah, voce tem telefone? Voce ta perdida? Vem cá que eu te protejo... sempre tem um bêbado, tentando se dar bem às suas custas.
Ao menos por hoje, pior do que isso, só rádio pitando as alturas: Tá onde, maluco? Eu? Tô aqui perto daquela mina goxxxxxtosa que peguei emprestado do Rodrigo.. meu sócio. Ai, dói.
Toda vez que sinto vergonha alheia normalmente já estou pronta pra ir embora.
Também odeio caras pegantes de cabelo e cintura. Fala, porque a liberdade de expressão ainda existe, mas não encosta. Como se íntimo fosse... É um absurdo. Realmente. Se este indivíduo estivesse numa fila de supermercado, certamente não passaria a mão no seu cabelo, nem pegaria a sua cintura. Sem contar naquele cara que dá o maior mole pra voce no trabalho e está lá ele, no canto acompanhado da namorada. Faz como se não conhecesse. Adoro ver os namoros todos indo muito bem, obrigado.
E você ri, ali parada observando aquilo. Que diferença tem essa pessoa na sua vida?
Sem contar com as pessoas exibindo aqueles pedaços de papel no braço que simbolizam o acesso ao camarote onde ficam os “Se se”. Se amando, se querendo, se fazendo, se sentindo, se dançando, se exibindo, como se tivessem sido pagos pra fazer figuração.
Camarote é bom, quando é camarote mesmo. Do contrário queridos, chamem a produção.
E coitadas daquelas meninas e barmen que ficam a noite toda vendo pessoas transfiguradas pedindo mais bebida por favor, oi...hei...sacudindo a fichinha na mão, como se fossem invisíveis. “ aqui eu... olha eu aqui...” Essa gente não gosta mesmo de estudar.
Isso quando voce dá a sorte de ter sacado dinheiro pra gastar no lugar. Cartão? Como? Nunca ouvi falar... aqui a gente não aceita isso não, querida. Uma festa desse "gabarito" e a maquininha do Visa, não estar presente.
É um bando de gente, que tira o dia pra ser alguém. Ôh raça: seguranças, barmen, tiazinhas do banheiro, mulherzinhas do caixa. Salvo os que estão ali porque precisam mesmo.
E na sua frente, lá está a turminha do flash: vestida igual, dançando igual, cantando errado e tomando vodka com energético. Mais uma foto aqui nesse canto, gente, perto do DJ. Essa é a minha música preferida....
Ah por favor, prefiro ir pra Paris passar frio. Isso dá problema de coração, minha gente.

E de repente, vem um “in
- balado” de óculos. Nem na melhor festa do mundo é legal de se ver. Gente que usa óculos escuro na noite, Não. E vem o in - baladinho de regata, mochila nas costas fazendo par com uma dessas garotas que usam calça jeans e top. Barriga de fora à noite, Não dá. E pronto. Aliás, tem coisa mais over, do que usar a barriga de fora? Meu deus, essas pessoas não assistem GNT Fashion?
Cada vez mais, chego a conclusão de que poucos sabem fazer uso do dinheiro que ganham.
Olha lá, o bando de zé coxinha rasgando dinheiro com champagne que não vale o rótulo rodeado de modelos. Pegou alguém? Não. Só o telefone.
Mulher só paga a própria bebida quando não tem saco pra simpatia.
E minha amiga me contou dia desses, de um panaca que tinha nomes pra colocar na lista da "pink elefant" em S.P : “ é modelo? Não. Ah, então não vai dar” . Não mesmo. Porque dá pra você, eu não vou. Foi o que ela disse pro cara.... Adoro.
Como podem, esses caras de 20, 30 e 40 anos precisarem de tanta auto-afirmação. Pra vocês verem o nível das pessoas frequentadoras de noitadas. Homem achar que tá sendo alguma coisa, porque coloca nome em lista de festa e sai na frente por que tá acompanhado de uma mulher linda de 1,80 que não dá a mínima pra ele. “Enche aqui pra mim”... é tudo o que se ouve no acesso restrito. Tanta necessidade, custa caro.
Eu acredito na possibilidade: "Zé coxinha de balada tem peru pequeno". Homem que é homem, não precisa bancar garrafas de bebidas pra mulherada. Agora se voce tem mesmo pra gastar, ai o problema é seu. Vê se investe numa sessão de terapia, vai querido.
Sabe porque eles adoram colocar champagne- regado, na mesa? “Porque quando as bolinhas sobem, as calcinhas descem.” Hahahahahah
Tô mais pra festinha fechada numa
terça-feira. Clima social-familiar. As pessoas se arrumam porque são naturalmente bem-vestidas. Conversam. A musica é boa e dança quem quiser.
Voce é convidado porque é amigo. Troca telefone porque quer ter o contato. Não pega fila, o celular pega, a roupa volta inteira e ninguém pisa no seu pé. Bebe champagne geladinha a noite inteira e não péla saco dos outros. Toma. Pelo menos a ressaca do dia seguinte, vai ser na classe.
Aliás, tô mais pra passar frio em Paris.
Não adianta, quem conhece sabe. Toda pessoa bacana é complicada.

quarta-feira, 13 de maio de 2009




Desistir pra que.
Como é que a gente sabe fazer com uma pessoa e não sabe fazer com outra.
Uma vez li que só fazem com a gente o que a gente permite.
Aí parei pra pensar se fui eu quem permitiu todas aquelas coisas, daquele passado bom.
Num sono desses qualquer que demora pra vir, fiquei me concentrando no gosto do último beijo, da última virada de corpo. Do corpo que colava um no outro.
E pra que fui deixar voce entrar na minha linha de raciocínio. O maior dos perigos: é a entrada na linha de raciocínio.
Foi pra me confundir que deixei voce me entender. Ou vai ver, voce é dos meus.
Foi porque com voce fui diferente de todas as outras que fui , outras vezes. E porque foi a melhor de todas as outras vezes que fui diferente. E porque ficar diferente com voce é melhor do que todas as minhas outras tentativas comuns em ser melhor.
E porque eu também não soube o que fazer de mim quando voce perto de mim estava.
E também nao saberia o que fazer de mim se tivesse voce sempre perto.

Porque algumas coisas não voltam para o mesmo lugar nunca. E porque algumas pessoas nunca voltam pra perto da gente as mesmas. E porque algumas pessoas nunca vão conseguir deixar que a gente fique no juízo comum sempre.
E acontece da gente conhecer essa gente pra que a gente não continue sendo mais a mesma pessoa. É que a gente demora um tempo pra se dar conta disso.

Esquece. Não foi aquele livro, nem aquele filme, nem o último romance mais ou menos e se bobear nem aquela viagem ao Chile. São as pessoas mesmo. Gente como a gente, de carne e osso, que com vozes e atributos, que com critérios e postura são capazes de modificar algo dentro.
Causas e efeitos.

Mexe no comportamento. Muda o rumo da prosa interna. Abala.
Te fez tirar força da onde não tinha e pronto.
E eu achava que sabia mais dessa coisa.

Não, nada de ataque de bobeira, histeria, nada. Ansiedade crescente, carência ou falsa modéstia. Nada.
É esse tal de saber ler que fode tudo. No bom sentido...
Sinto falta dessa coisa. É uma falta que eu sinto. E isso me faz falta.

Essa coisa meio literária até. Sinto falta de ser lida. Da pessoa me ler. Falta de ler as pessoas. Sentindo escasso o número das que sabem me ler.
É o mistério mais gostoso de encontrar. É a aula mais contemplativa de todas. É a imagem e semelhança mais bem refletida. É a referência para a qual sua magnitude se dirige. E também a busca que não quer cessar.

Porque é quando a gente se sente pertecente. Que é quando a gente se sente qualificável. Que é quando o sorriso vem da natureza mais pura. Que é quando voce sente te acessarem. - Ainda que não sexualmente dizendo.
E nao é fácil e simples como um esbarrão. Essa coisa de Ops, encontrei. Nem mesmo propício como a reveladora convivência. E nunca vai ser validado como um "bom dia".

É porque é. Esse é o x da questão que não consigo explicar.
Vai ver certas coisas vão ficar sem explicação e ponto. Prefiro pensar assim.
E voce nao se nega porque nada pode fazer contra. E voce nao esquece porque nao foi feito pra esquecer. E voce repete pouco porque muita coisa, nunca cabe. E porque se quiser muito, fica sem saber o que fazer de si mesmo no dia seguinte. E quando chega perto nao sabe se continua de onde parou, ou se vai ser outra coisa. Então voce espera passar pra saber depois como é que foi. Porque o novo sempre assusta e a mesmice não traz nada a não ser repetição. E não tem nada de mesmo, de sempre, de novo. Porque nada é definido, nem definitivo. E mais uma vez fico irritada porque não consigo explicar essa coisa.

E eu sei que não me manter por perto, era o meu lugar preferido. Onde é que eu estava com a cabeça? Longe né... só podia ser.
Perto é um lugar muito livre. É um lugar onde voce tem de aprender a lidar com.
Estar perto de alguém é um lugar em que você se sente nua. É um lugar de descobertas. É o ir despindo devagar. E é quando voce descobre que nao sabe de muita coisa mas queria era saber de tudo. E quem disse que voce tem que saber?
Se eu soubesse mais de mim, naquele passado bom, teria escolhido ele. Você, o único carioca que me trouxe o que eu procurava. Que deixou a falta falando sozinha.
E porque com voce, as coisas não foram vividas por completo.
E sem ele, meu mundo ficaria incompleto. Volta a falta a falar comigo.
Se eu tivesse escolha, escolheria voce de novo comigo.

Essa coisa de deixar livre, que eu tenho mania. Te deixei livre. E voce agiu como eu imaginava e também como nunca imaginei.
O que a gente faz com a imaginação que tem das pessoas. Imagina o que elas nao são. Fica imaginando o que elas querem. Substima o que elas fazem. E monta a labuta das suposições.

To tentando lembrar em que parte da minha vida deixei de ser bem-intencionada ou não merecedora do amor....Ai vem a pergunta, porque foi que não aconteceu?
Eu não soube fazer. Éh, tem certas coisas que eu não sei fazer.
Não que eu tivesse que ter usado as fórmulas mais sábias do mundo. Ou que eu tivesse chegado a conclusão de não saber agir. Eu não soube fazer do jeito que voce sabia. Eis aí, as nossas diferenças. Nao que voce saiba mais que eu. Nao é que não tivéssemos aprendido coisas...

É que eu não sei fazer ninguém ser meu porque não tenho essa pretensão nominal com as pessoas. As pessoas são o que são e são delas mesmas. Se juntam ou porque querem, ou porque se auto-favorecem juntas. - Outros motivos, não entram em questão aqui - me perdoem a grosseria.
Com voce eu quis. Essa coisa de se juntarem porque querem. Eu quis. E sei que nos auto-favoreceríamos juntos. - Coisa chata, ter que se referir a isso no passado, viu.
Mas o que é que voce queria? porque eu fiquei sem saber.
Eu me perderia. Me perderia de vista. Eu perdida? poutzz ...
Tanto sei que, existem casos em que a pessoa tanto se perde que é até melhor encontrar um porto seguro qualquer pra se fortalecer. - Mais uma vez, desculpem pela falta de delicadeza.
Mas comigo não. Tenho outras fontes. Papo de fortaleza é comigo mesmo...
O que poderia ter sido e nao foi... - ah essa não. Tá abatido demais.

Acredito na liberdade de ser que existe entre as pessoas e no espaço em que elas vivem. Livre para sentir, para ir e vir e para ser quem quiser. - Aprendi essa faz tempo.
As pessoas se juntam porque juntas sao melhores. Porque juntas aumentam a capacidade da auto-favorecência. - essa palavra existe?

E na maioria das vezes porque conseguiram se escolher. Conseguir escolher é realmente uma tarefa simples. Simples?
Tá difícil escolher?
Pois digo que escolher bem é diferente de fazer uma escolha. E na atual posição territorial geográfica que me encontro, há uma grande chance deu ficar solteira um bom tempo.
Então, não há dúvidas, não há culpa, não há papa no mundo que me faça desviar de caminho: vou ficar solteira. Porque não vou deixar de escolher bem. E acontece de me chamarem de teimosa mas eu troco a palavra por criteriosa.
E só há uma pessoa no mundo que me faria escolher bem de novo. Eu escolhi você. Mas agora voce já não pode ser escolhido.
Mas há uma boa notícia e a boa é que continuarão a existir gente interessante no mundo. E a segunda melhor é ter a liberdade para conhecer cada uma delas. A vida não se baseia apenas nesta cidade - ainda bem.

Ter escolhido alguém pra sua vida não é estar preso a esta pessoa é estar ao lado de alguém que continua permitindo existir em voce, o quão interessante voce ainda é. Mas cuidado pra não deixar de ser um, só porque a escolha já foi feita.
Aliás, eu só acredito em casais que juntam- ou casam verdadeiramente, que quanto mais o tempo passa, mais interessante cada um fica.
Além de um ajudar o outro a ficar melhor, ajuda o outro a sentir-se livre.
Como é que a gente sabe fazer com uma pessoa e não sabe fazer com a outra?
Se alguém souber me fazer desistir da interessante vida de solteira, eu conto.