segunda-feira, 18 de maio de 2009


Não se engane, toda pessoa bacana é complicada
Sábado.
Sábado é um dia que antecede o domingo chato. Sábado é a sexta-feira que te deixou esgotado a semana toda. Sábado é o dia que não dá tempo de comprar tudo o que voce precisa. É o dia que não dá pra pagar conta. Que traz o eterno impasse entre relaxar e fazer o que está pendente.
Bom pra jantar fora, pegar uma praia, viagenzinha curta...
De uns bons tempos pra cá, sair pra noite aos sábados é programa de índio. Não é mais IN é OUT, na linguagem dos sobreviventes das gírias descomplicadas. E bota tupi-guarani nisso.
Aparece um convite pra uma festa bacana.
E o que faz uma festa ser ou não, bacana?
Ai, voce que anda exausta de tanto trabalho, que não sai há um tempão com as amigas, não dança, não beija, não coloca um salto e é solteira, resolve que deve ser bacana e vai.
Um brinde aos velhos tempos:
O tempo em que você comprava roupa só pra ir à uma festa. Das pilhas de convite na sua caixa de correio. O tempo em que achava o máximo ver gente estranha e imaginar o quanto bacana elas deveriam ser. Ficar bêbada, beijar gatinho que nunca mais vai ver, se perder das amigas, ser a última a sair claro e achar que isso, ainda é história pra contar.
Aí pensa:
Bebo antes pra chegar no pique e aguentar o tranco, ou bebo lá pra entrar no pique e pegar no tranco? Então bebe.
E se lembra do quanto pode ser traumático chegar em casa com o dia amanhecendo. Isso não.
Se você é da era dos que chegam em casa com o dia amanhecendo depois de uma noitada e acha isso lindo, passar bem.
Já na entrada do lugar, avista de longe a turminha.
Sempre tem, a turminha dos que sorriem demais, falam demais, dançam demais. E lá vem o carinha passando com o copo cheio. É aí que você lembra que está de branco. E quando é branco eu valorizo. E dá-lhe, o gordinho passou com tudo e derrubou a bebida.
Normalmente os derrubadores de bebidas e pisadores de pés, uma classe de imbecis a serem abominados da face da terra são os gordinhos-malas -desesperados ou vacas descompromissadas com o mínimo senso da ridicularidade de si próprios.
Já começa complicar. Porque além do gordinho sem noção derrubar bebida, versus a vaca que pisou no pé da sua amiga na entrada da festa, a festa é do tipo “Comercial”. Leia-se a palavra em inglês, que é escrita em português da mesma forma e serve para designar a roubada em que você se meteu.
Odeio festinhas “comercials” porque a percentagem de eu chegar a conclusão de que estou no lugar certo é diretamente proporcional a certeza de que vou chegar a conclusão que estou no lugar errado. É onde quase nunca encontro gente como a gente, sacou?
Odeio festinhas “comercials”, porque você antes de entrar, já levou meia hora pra estacionar o carro e ainda vai levar mais meia pra chegar na entrada. Filas e mais filas. Antes mesmo do seu pé começar a doer, ou ser pisoteado por alguém sempre tem alguém pra entrar na sua frente. Já entrei na frente de muita gente, em festas assim, porque naturalmente era chamada na porta por algum amigo promoter. Vingança seja feita. Toma. Só que como a fase de chamar promoters já passou e muito educadamente estou com o meu convite, tento não me estressar deixando as pessoas passarem na frente. É fila pra ser VIP, é fila pra camarote, é fila pra ingresso normal. E mais: identidade, por favor. Com 30 anos a gente ainda tem que passar por isso.
Nessas festas, estão entre a maioria dos frequentadores, os solteiros chatos, os casais insuportáveis e gente como eu, que ganhou o convite, vai pela música mas insiste em falar mal da festa.
E os solteiros legais, onde estão? Solteiros legais já são considerados uma raça em extinção.
Os poucos que sobraram, deixaram de frequentar esse tipo de lugar, ou se transformaram em ex solteiros legais. Porque legalmente estão namorando. Devem estar curtindo em algum lugar das ilhas Maldivas.
E eu continuo a ser solteira e não estou nas ilhas Maldivas. Toma.
Duas coisas, substituem os solteiros chatos: As vacas pisadoras de pés e os gordinhos derrubadores de bebidas – Ou seja é tudo o que voce vai encontrar pela frente, durante a sua noite de sábado.
Ser solteiro não é ser um chato, pelo amor de Deus. Mas sair por ai, sendo um chato solteiro é comprometer a sua potencialidade em deixar de ser um. Solteiro chato é raça que só namorou gente chata a vida inteira. Ou pior ainda é tão insuportável que não consegue namorar nenhum outro chato. Gente chata é gente chata. Não existe ex chato.
Pessoas chatas vão aos bondes nestes tipos de festas porque não fazem outra coisa durante a semana a não ser se resguardarem e pouparem todo o dinheiro da semana para a festa tal que tem o nome tal que o fulano de tal vai tocar e que vão várias fulanas de tais que vão estar presentes com mais um monte de fulanos de tal. Tem coisa mais chata do que usar esse tipo de argumento pra sair de casa?
Festas grandes são feitas para um único objetivo: ganhar dinheiro. Explorar trouxas.
Long necks vão de 10 a 12,00. Doses de wisky falsificados custam 25,00. Vodkas varoviskis, kronosvissks, noff misturadas com qualquer coisa, dão amnésia. Seu fígado merece coisa melhor. Seu bolso também.
No bar uma placa imaginária me vem em mente:
O ministério da saúde adverte: se quiser continuar bebendo, tome agora mesmo o seu coquetel engov-eplocler para que amanhã você não venha a ter um surto de arrependimento por ter vindo. Obrigada.
Os banheiros. Ah os banheiros. Aquelas cabines verdes lesadas que não dão descarga nunca, nunca são sufucientes para o número de pessoas presentes.
Até voce se livrar das muitas cervejas quentes que tomou, já mijou nas calças. Aí vem o momento de adentrar a cabine. Já ta craque no fazer “Stand up” neh amiga? papel higiênico pra que te quero...Isso sem falar no odor.
Ir pra casa com um gatinho depois da festa, só depois de um belo banho, meu bem. E também já passei da fase de ir pra casa com gatinho depois de festa.
Sem contar com as 29 meninas entre 17 e 27 anos que estão na sua frente pra dar aquela espiadinha básica no espelho. Combinou de encontrar com alguém? esquece. Ele já beijou duas e você já era. Quem mandou existir fila.
Falando em gatos, é bem provável que você vá beijar alguém que já beijou um monte e você
nem vai ficar sabendo. Eca, isso me lembra micareta com 18 anos de idade. Ai, não tô podendo.
É realmente uma grande cilada ir a estes tipos de festas, principalmente porque o celular pega muito bem. Ou seja, as chances de voce encontrar com a sua amiga que foi ao banheiro do outro lado da pista e com aquela que foi comprar bebida pra voce, é mínima.
“Ah, voce tem telefone? Voce ta perdida? Vem cá que eu te protejo... sempre tem um bêbado, tentando se dar bem às suas custas.
Ao menos por hoje, pior do que isso, só rádio pitando as alturas: Tá onde, maluco? Eu? Tô aqui perto daquela mina goxxxxxtosa que peguei emprestado do Rodrigo.. meu sócio. Ai, dói.
Toda vez que sinto vergonha alheia normalmente já estou pronta pra ir embora.
Também odeio caras pegantes de cabelo e cintura. Fala, porque a liberdade de expressão ainda existe, mas não encosta. Como se íntimo fosse... É um absurdo. Realmente. Se este indivíduo estivesse numa fila de supermercado, certamente não passaria a mão no seu cabelo, nem pegaria a sua cintura. Sem contar naquele cara que dá o maior mole pra voce no trabalho e está lá ele, no canto acompanhado da namorada. Faz como se não conhecesse. Adoro ver os namoros todos indo muito bem, obrigado.
E você ri, ali parada observando aquilo. Que diferença tem essa pessoa na sua vida?
Sem contar com as pessoas exibindo aqueles pedaços de papel no braço que simbolizam o acesso ao camarote onde ficam os “Se se”. Se amando, se querendo, se fazendo, se sentindo, se dançando, se exibindo, como se tivessem sido pagos pra fazer figuração.
Camarote é bom, quando é camarote mesmo. Do contrário queridos, chamem a produção.
E coitadas daquelas meninas e barmen que ficam a noite toda vendo pessoas transfiguradas pedindo mais bebida por favor, oi...hei...sacudindo a fichinha na mão, como se fossem invisíveis. “ aqui eu... olha eu aqui...” Essa gente não gosta mesmo de estudar.
Isso quando voce dá a sorte de ter sacado dinheiro pra gastar no lugar. Cartão? Como? Nunca ouvi falar... aqui a gente não aceita isso não, querida. Uma festa desse "gabarito" e a maquininha do Visa, não estar presente.
É um bando de gente, que tira o dia pra ser alguém. Ôh raça: seguranças, barmen, tiazinhas do banheiro, mulherzinhas do caixa. Salvo os que estão ali porque precisam mesmo.
E na sua frente, lá está a turminha do flash: vestida igual, dançando igual, cantando errado e tomando vodka com energético. Mais uma foto aqui nesse canto, gente, perto do DJ. Essa é a minha música preferida....
Ah por favor, prefiro ir pra Paris passar frio. Isso dá problema de coração, minha gente.

E de repente, vem um “in
- balado” de óculos. Nem na melhor festa do mundo é legal de se ver. Gente que usa óculos escuro na noite, Não. E vem o in - baladinho de regata, mochila nas costas fazendo par com uma dessas garotas que usam calça jeans e top. Barriga de fora à noite, Não dá. E pronto. Aliás, tem coisa mais over, do que usar a barriga de fora? Meu deus, essas pessoas não assistem GNT Fashion?
Cada vez mais, chego a conclusão de que poucos sabem fazer uso do dinheiro que ganham.
Olha lá, o bando de zé coxinha rasgando dinheiro com champagne que não vale o rótulo rodeado de modelos. Pegou alguém? Não. Só o telefone.
Mulher só paga a própria bebida quando não tem saco pra simpatia.
E minha amiga me contou dia desses, de um panaca que tinha nomes pra colocar na lista da "pink elefant" em S.P : “ é modelo? Não. Ah, então não vai dar” . Não mesmo. Porque dá pra você, eu não vou. Foi o que ela disse pro cara.... Adoro.
Como podem, esses caras de 20, 30 e 40 anos precisarem de tanta auto-afirmação. Pra vocês verem o nível das pessoas frequentadoras de noitadas. Homem achar que tá sendo alguma coisa, porque coloca nome em lista de festa e sai na frente por que tá acompanhado de uma mulher linda de 1,80 que não dá a mínima pra ele. “Enche aqui pra mim”... é tudo o que se ouve no acesso restrito. Tanta necessidade, custa caro.
Eu acredito na possibilidade: "Zé coxinha de balada tem peru pequeno". Homem que é homem, não precisa bancar garrafas de bebidas pra mulherada. Agora se voce tem mesmo pra gastar, ai o problema é seu. Vê se investe numa sessão de terapia, vai querido.
Sabe porque eles adoram colocar champagne- regado, na mesa? “Porque quando as bolinhas sobem, as calcinhas descem.” Hahahahahah
Tô mais pra festinha fechada numa
terça-feira. Clima social-familiar. As pessoas se arrumam porque são naturalmente bem-vestidas. Conversam. A musica é boa e dança quem quiser.
Voce é convidado porque é amigo. Troca telefone porque quer ter o contato. Não pega fila, o celular pega, a roupa volta inteira e ninguém pisa no seu pé. Bebe champagne geladinha a noite inteira e não péla saco dos outros. Toma. Pelo menos a ressaca do dia seguinte, vai ser na classe.
Aliás, tô mais pra passar frio em Paris.
Não adianta, quem conhece sabe. Toda pessoa bacana é complicada.

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