
Desistir pra que.
Como é que a gente sabe fazer com uma pessoa e não sabe fazer com outra.
Uma vez li que só fazem com a gente o que a gente permite.
Aí parei pra pensar se fui eu quem permitiu todas aquelas coisas, daquele passado bom.
Num sono desses qualquer que demora pra vir, fiquei me concentrando no gosto do último beijo, da última virada de corpo. Do corpo que colava um no outro.
E pra que fui deixar voce entrar na minha linha de raciocínio. O maior dos perigos: é a entrada na linha de raciocínio.
Foi pra me confundir que deixei voce me entender. Ou vai ver, voce é dos meus.
Foi porque com voce fui diferente de todas as outras que fui , outras vezes. E porque foi a melhor de todas as outras vezes que fui diferente. E porque ficar diferente com voce é melhor do que todas as minhas outras tentativas comuns em ser melhor.
E porque eu também não soube o que fazer de mim quando voce perto de mim estava.
E também nao saberia o que fazer de mim se tivesse voce sempre perto.
Porque algumas coisas não voltam para o mesmo lugar nunca. E porque algumas pessoas nunca voltam pra perto da gente as mesmas. E porque algumas pessoas nunca vão conseguir deixar que a gente fique no juízo comum sempre.
E acontece da gente conhecer essa gente pra que a gente não continue sendo mais a mesma pessoa. É que a gente demora um tempo pra se dar conta disso.
Esquece. Não foi aquele livro, nem aquele filme, nem o último romance mais ou menos e se bobear nem aquela viagem ao Chile. São as pessoas mesmo. Gente como a gente, de carne e osso, que com vozes e atributos, que com critérios e postura são capazes de modificar algo dentro.
Causas e efeitos.
Mexe no comportamento. Muda o rumo da prosa interna. Abala.
Te fez tirar força da onde não tinha e pronto.
E eu achava que sabia mais dessa coisa.
Não, nada de ataque de bobeira, histeria, nada. Ansiedade crescente, carência ou falsa modéstia. Nada.
É esse tal de saber ler que fode tudo. No bom sentido...
Sinto falta dessa coisa. É uma falta que eu sinto. E isso me faz falta.
Essa coisa meio literária até. Sinto falta de ser lida. Da pessoa me ler. Falta de ler as pessoas. Sentindo escasso o número das que sabem me ler.
É o mistério mais gostoso de encontrar. É a aula mais contemplativa de todas. É a imagem e semelhança mais bem refletida. É a referência para a qual sua magnitude se dirige. E também a busca que não quer cessar.
Porque é quando a gente se sente pertecente. Que é quando a gente se sente qualificável. Que é quando o sorriso vem da natureza mais pura. Que é quando voce sente te acessarem. - Ainda que não sexualmente dizendo.
E nao é fácil e simples como um esbarrão. Essa coisa de Ops, encontrei. Nem mesmo propício como a reveladora convivência. E nunca vai ser validado como um "bom dia".
É porque é. Esse é o x da questão que não consigo explicar.
Vai ver certas coisas vão ficar sem explicação e ponto. Prefiro pensar assim.
E voce nao se nega porque nada pode fazer contra. E voce nao esquece porque nao foi feito pra esquecer. E voce repete pouco porque muita coisa, nunca cabe. E porque se quiser muito, fica sem saber o que fazer de si mesmo no dia seguinte. E quando chega perto nao sabe se continua de onde parou, ou se vai ser outra coisa. Então voce espera passar pra saber depois como é que foi. Porque o novo sempre assusta e a mesmice não traz nada a não ser repetição. E não tem nada de mesmo, de sempre, de novo. Porque nada é definido, nem definitivo. E mais uma vez fico irritada porque não consigo explicar essa coisa.
E eu sei que não me manter por perto, era o meu lugar preferido. Onde é que eu estava com a cabeça? Longe né... só podia ser.
Perto é um lugar muito livre. É um lugar onde voce tem de aprender a lidar com.
Estar perto de alguém é um lugar em que você se sente nua. É um lugar de descobertas. É o ir despindo devagar. E é quando voce descobre que nao sabe de muita coisa mas queria era saber de tudo. E quem disse que voce tem que saber?
Se eu soubesse mais de mim, naquele passado bom, teria escolhido ele. Você, o único carioca que me trouxe o que eu procurava. Que deixou a falta falando sozinha.
E porque com voce, as coisas não foram vividas por completo.
E sem ele, meu mundo ficaria incompleto. Volta a falta a falar comigo.
Se eu tivesse escolha, escolheria voce de novo comigo.
Essa coisa de deixar livre, que eu tenho mania. Te deixei livre. E voce agiu como eu imaginava e também como nunca imaginei.
O que a gente faz com a imaginação que tem das pessoas. Imagina o que elas nao são. Fica imaginando o que elas querem. Substima o que elas fazem. E monta a labuta das suposições.
To tentando lembrar em que parte da minha vida deixei de ser bem-intencionada ou não merecedora do amor....Ai vem a pergunta, porque foi que não aconteceu?
Eu não soube fazer. Éh, tem certas coisas que eu não sei fazer.
Não que eu tivesse que ter usado as fórmulas mais sábias do mundo. Ou que eu tivesse chegado a conclusão de não saber agir. Eu não soube fazer do jeito que voce sabia. Eis aí, as nossas diferenças. Nao que voce saiba mais que eu. Nao é que não tivéssemos aprendido coisas...
É que eu não sei fazer ninguém ser meu porque não tenho essa pretensão nominal com as pessoas. As pessoas são o que são e são delas mesmas. Se juntam ou porque querem, ou porque se auto-favorecem juntas. - Outros motivos, não entram em questão aqui - me perdoem a grosseria.
Com voce eu quis. Essa coisa de se juntarem porque querem. Eu quis. E sei que nos auto-favoreceríamos juntos. - Coisa chata, ter que se referir a isso no passado, viu.
Mas o que é que voce queria? porque eu fiquei sem saber.
Eu me perderia. Me perderia de vista. Eu perdida? poutzz ...
Tanto sei que, existem casos em que a pessoa tanto se perde que é até melhor encontrar um porto seguro qualquer pra se fortalecer. - Mais uma vez, desculpem pela falta de delicadeza.
Mas comigo não. Tenho outras fontes. Papo de fortaleza é comigo mesmo...
O que poderia ter sido e nao foi... - ah essa não. Tá abatido demais.
Acredito na liberdade de ser que existe entre as pessoas e no espaço em que elas vivem. Livre para sentir, para ir e vir e para ser quem quiser. - Aprendi essa faz tempo.
As pessoas se juntam porque juntas sao melhores. Porque juntas aumentam a capacidade da auto-favorecência. - essa palavra existe?
E na maioria das vezes porque conseguiram se escolher. Conseguir escolher é realmente uma tarefa simples. Simples?
Tá difícil escolher?
Pois digo que escolher bem é diferente de fazer uma escolha. E na atual posição territorial geográfica que me encontro, há uma grande chance deu ficar solteira um bom tempo.
Então, não há dúvidas, não há culpa, não há papa no mundo que me faça desviar de caminho: vou ficar solteira. Porque não vou deixar de escolher bem. E acontece de me chamarem de teimosa mas eu troco a palavra por criteriosa.
E só há uma pessoa no mundo que me faria escolher bem de novo. Eu escolhi você. Mas agora voce já não pode ser escolhido.
Mas há uma boa notícia e a boa é que continuarão a existir gente interessante no mundo. E a segunda melhor é ter a liberdade para conhecer cada uma delas. A vida não se baseia apenas nesta cidade - ainda bem.
Ter escolhido alguém pra sua vida não é estar preso a esta pessoa é estar ao lado de alguém que continua permitindo existir em voce, o quão interessante voce ainda é. Mas cuidado pra não deixar de ser um, só porque a escolha já foi feita.
Aliás, eu só acredito em casais que juntam- ou casam verdadeiramente, que quanto mais o tempo passa, mais interessante cada um fica.
Além de um ajudar o outro a ficar melhor, ajuda o outro a sentir-se livre.
Como é que a gente sabe fazer com uma pessoa e não sabe fazer com a outra?
Se alguém souber me fazer desistir da interessante vida de solteira, eu conto.