sexta-feira, 9 de outubro de 2009



Garoto de Ipanema

Aplausos. Ao moreno, alto e bonito que desvia a atenção do pôr-do-sol de ipanema.
Suspiros à sunga branca. Fazendo babar homens e mulheres. Homens e mulheres.
A medida certa. Bíceps, tríceps, abdômen. De costas a pernas e glúteos e pele e rosto e cabelo. Em perfeita harmonia. Deus do céu, desça pra ver esse moço passar.

Pescoços virados acompanham os movimentos da criatura que deixa suas pegadas na areia. Fizeram a fôrma e jogaram fora. Estão todos com torcicolo.

Tem nome? Gritou um amigo. 
Escutou. Olhou pra trás. Veio vindo em nossa direção. Congelei. Afundar na cadeira, era pouco. Enrolar-se na canga? Não. Levantar, sair pra dar uma voltinha até o sorveteiro... e perder o espetáculo?

Sorridente ele foi simpático. Corajoso. Pagou pra ver, o que queriam as cinco pessoas enfileiradas fazendo banca pra ele. O júri foi ao delírio. Fico Calada.

O som vinha crescendo do outro lado da praia. Ele, descontraído convida pra ver o que é. Levantando todos ao mesmo tempo. Abandonando cadeiras e resguardo. Foi tempo de pegar havaianas e bolsas.

Showzinho à parte. Nas areias da praia fazíamos volta ao deus de ébano em meio ao fundo musical da roda de samba. Estonteante. Bola batendo na coxa e ual, músculos saltitantes. Palmas ao abdômem que trinca ao levantar dos calcanhares. Vai lá, menino do Rio, joga uma altinha pra gente segurar o queixo. Mergulha no mar pra levar embora o suor escorrido. Em caso de afogamento, viro salva-vidas. E jogo todo o ar dos meus pulmões pra você. Te empresto canga à fazê-lo secar. Subo no coqueiro se quiser água de côco. Páro o trânsito pra você passar. Grito o moço do Mate. Da skol. Mando o cara do "abacaxi" calar a boca bem alto. Subo no palco e pego no microfone. Mando São Pedro parar a chuva. Fico aqui até o dia clarear. Solto fogos de artifício. Não deixo o samba parar.
O garoto deixou a altinha, entrou no mar, saiu molhado sem pedir canga. Sambou pouquinho. Não quis mate, nem skol, nem água de côco. Não se afogou, não choveu. Não precisei subir no palco. Nem mandar o cara do "abacaxi" calar a boca. O samba não parou. Parou foi o trânsito pra chamar um taxi. Quanto aos fogos de artíficio... perguntem ao porteiro do prédio e até quem sabe ao entregador de pizza.

Festival de beleza na praia. No posto 9, o número 1.

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