terça-feira, 25 de novembro de 2008

- CARTA A UM JOVEM FIRME

Não nos vemos há dois anos, desde que eu fui pra França e a gente se despediu naquele café. Eu aos prantos por que não queria deixar o solo e você tentando confortar a minha “fraqueza”. Lembro de você me dizer que depois de um ano estaria aqui como eu. Mas com uma diferença: você não sabia se ia ficar bem. O que me confortou naquela despedida foi eu saber que teria um dia condições de voltar a te ver. Então voltei pra cá com o coração mais livre.
E hoje você também está aqui. E muita coisa mudou dentro de mim desde aquela viagem. Mudamos. Espero que pra melhor. Não podemos medir isso. Cada um passa o que tende a passar à sua maneira. Se ficaram seqüelas ou traumas cada um guarda o seu ou se livra dele como pode. Eu tive e já me livrei. Entendi que o que eu queria de você, era um amor que você não tinha pra me dar. Entendi que cada um ama ao seu jeito. E demonstra da forma que entende esse amor. Entendi que lá atrás, um dia nos amamos por igual por que a época permitia a tal pureza. O que sentíamos era a vontade de estar juntos. Isso basta. Porque da vontade é que surgem as possibilidades. Hoje sentimos vontade de estar com todos. De estar com outros. E não podemos culpar a ninguém. Nem mesmo ao tempo. Por que não existem culpados para esse tipo de julgamento. A liberdade de sentir é de cada um. Ainda sinto por você, algo parecido com o amor. Que é hoje uma forma que eu tenho de entender o meu próprio sentimento. É uma vontade de estar perto mas que é capaz de ficar longe. É uma conquista sem segundas intenções. É um jogo sem ganhadores. É um admirar sem pretensão. É um deixar de lado, sem esquecer totalmente. É um preocupar-se sabendo que tudo vai ficar bem.
Talvez eu ficasse do seu lado pra sempre. Talvez eu não suportasse ficar uma semana contigo. Talvez a gente durma juntos, talvez a gente nunca mais volte a se tocar. Talvez sejamos somente amigos, talvez possamos casar e ter filhos. Talvez a gente não se veja mais.
Talvez a gente tenha tudo a ver um com o outro mas quando juntos sejamos falíveis. Talvez a gente não se identifique de toda a forma.
Talvez eu te irrite com o meu jeito, talvez você não suporte o meu.
Talvez a gente descubra que ama um ao outro pelo que somos, com nossas limitações e “insanidades”. Talvez a gente descubra que nada disso faz sentido.
Eu tenho aprendido muitas coisas com os relacionamentos que tive. E hoje eu saberia não repetir mais os mesmos erros. Só os novos...
Talvez eu não tenha mais paciência com os seus "descasos" pela minha natureza feminina e pela mulher que eu sou. Talvez você não se veja ainda atraído por mim, ou talvez reafirme que não sou mais seu tipo de mulher. E talvez eu confirme a mim mesma que você como homem me machuca, me critica, me diminui.
Ou vai ver você ainda está muito dentro de si pra amar alguém. Ou para se deixar ser amado.
Quem sabe a gente se encontre pra brindar nossas diferenças que já se separaram, se desfizeram, se distanciaram, bem assim do jeito que estamos.
Espero que a gente se encontre um dia só pra eu ver como estão seus olhos.
Porém nada quero esperar. Só peço para que seja simples.
“porque tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E você bem sabe o tamanho que a minha tem. Pois coube você, dentro dela.


Trechos de "For you five" - Casa pra Cinco.

By Ju Tahan

Um comentário:

Camila Rossi disse...

Juju AMEIIII e AMOOOO td que vc escreve, minha amiga e escritora preferida!!!!
Continue sempre "escrevendo com a alma"(q não é nada pequena!)
"Pq é da vontade que surgem as oportunidades"

Bjos e SUCESSO!!!