quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Vertente

como uma legitimidade, fora do alcance de uma vírgula que faça o intermédio entre o que digo e o pensar. Na maior parte das vezes os pensamentos soam mais rápidos que os dedos. Um gole de café na mão direita e um cigarro aceso na esquerda. Minhas mãos estão tomadas, impossivel digitar. Solto a xícara. Uma cadeira ao lado me incomoda a posição do braço. Um armário foi retirado do quarto porque estava podre. Ainda posso sentir o cheiro de mofo encalacrado. Jornais espalhados... nem todas as páginas, li. Veja, a super interessante e a simplificidade da vida. Observo a minha volta: Um frasco de perfume Mont Blanc, um creme hidradante da bath body works, um ventilador cor cinza pouco decorativo, uma estante coberta pela cortina, uma mala de couro marrom. A escadinha branca está numa posição que assim foi deixada e ninguém removeu. As roupas não mais estão seguras, neste quadrado que num outro tempo, foi um quarto com vida. Mas não vamos falar das depreciações. Ali tem um corpo e uma vida: usou a escada, retirou as roupas do ármario, colocou-as na mala marrom, retirou os livros da estante, escorregou o creme na pele, borrifou mont blanc, tomou um gole de café, apagou o cigarro. Veja, ela assina. Leu toda a super interessante e o artigo sobre a simplicidade da vida.

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